“Não aponte o dedo para mim”, diz Mendonça a Gilmar após acusação de viés político
Gilmar Mendes afirmou haver “inequívoco viés político-eleitoral” na condução do caso e acusou tratamento desigual nas apurações. Mendonça reagiu e chamou fala de “leviana”.
Da Redação
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Atualizado às 14:29
Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um embate no plenário do STF nesta terça-feira, 15. Momento se deu após o decano acusar viés político-eleitoral na condução da Pet 16.662 e questionar o rigor adotado nas apurações.
Mendonça reagiu durante a fala, chamou a acusação de “leviana” e, diante da insistência de Gilmar, disparou: "Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um."
Em seguida, Gilmar disparou: "Quem não se dá respeito, não merece respeito."
Gilmar havia afirmado que o problema institucional posto diante do Supremo não seria simplesmente saber se determinado ministro deve ou não ser investigado, mas se o rigor da persecução penal estaria sendo aplicado de forma distinta conforme a identidade do investigado.
Segundo o decano, teriam sido produzidas centenas de páginas, de ofício, para reunir referências a um ministro, enquanto outros elementos oficiais envolvendo integrante da Corte não teriam recebido, em sua avaliação, o mesmo impulso investigativo.
Na sequência, Gilmar afirmou enxergar um “inequívoco viés político-eleitoral” na condução da Pet 16.662. Citou a escolha de datas, inclusive o 7 de setembro, e disse que o episódio teria acabado por envolver o STF em ambiente de campanha eleitoral.
Foi nesse momento que Mendonça interrompeu e classificou a fala como “leviana”. O presidente do Supremo, Edson Fachin, interveio e afirmou que Mendonça deveria aguardar, pois Gilmar ainda estava com a palavra.
Gilmar prosseguiu e reforçou a crítica, dizendo que a condução teria sido “evidentemente” política e eleitoral. Ao mencionar novamente a escolha do 7 de setembro, afirmou: “Isto não se faz. Pessoas decentes não fazem isso.”
A reação de Mendonça foi imediata.
“Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo. Não está falando com qualquer um.”
Na sequência, Mendonça acrescentou: “Respeite esse Tribunal. Quem não se dá respeito, não merece respeito.”
Fachin voltou a intervir e pediu que Gilmar concluísse a manifestação.
O julgamento
O STF analisa os desdobramentos da crise institucional surgida a partir das investigações do caso Banco Master.
No centro da controvérsia estão, de um lado, a validade da requisição feita por André Mendonça à Polícia Federal que levou à produção de relatório com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e mensagens envolvendo Alexandre de Moraes; de outro, as medidas adotadas por Mendonça contra integrantes da cúpula da PF, após afirmar ter sido alvo de monitoramento pela inteligência da corporação.
- Processo: Pet 16.662
