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Sessão histórica

AO VIVO: STF julga crise que opôs Moraes e Mendonça no caso Master

Plenário analisará validade de provas envolvendo Moraes e medidas de Mendonça contra a cúpula da Polícia Federal.

Da Redação

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Atualizado às 11:32

Uma sessão histórica do STF acontece nesta terça-feira, 15. Em reunião extraordinária, os ministros deverão enfrentar os desdobramentos de uma crise que nasceu nas investigações do caso Banco Master, colocou Alexandre de Moraes e André Mendonça em lados opostos e terminou em decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal.

A sessão será dedicada à Pet 16.662 e deverá enfrentar, de um lado, a validade da requisição e das provas que revelaram mensagens de Daniel Vorcaro encaminhadas a Alexandre de Moraes e, de outro, as medidas adotadas por André Mendonça contra a cúpula da Polícia Federal.

Acompanhe a sessão e a cobertura minuto a minuto:

  • 10h37
    Mendonça fica entre Dino e Moraes no plenário

Cena emblemática da sessão: André Mendonça está sentado entre Flávio Dino e Alexandre de Moraes, três protagonistas dos desdobramentos do caso Master.

A disposição segue a ordem regular dos assentos no STF, mas ganhou simbolismo diante do contexto do julgamento.

  • 10h37
    Gonet acompanha julgamento no plenário

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, acompanha presencialmente a sessão extraordinária do STF sobre o caso Master.

A presença chama atenção porque o nome de Gonet também aparece nos elementos relacionados à investigação. Segundo informações reveladas pela PF, Daniel Vorcaro teria recebido mensagens atribuídas ao procurador-geral e pedido a Alexandre de Moraes que o acionasse para tentar barrar uma operação contra o Banco Master.

  • 10h38
    Fachin apregoa julgamento, destaca qualidades de ministors e fala sobre momento vivido pelo STF

O presidente do STF afirmou que a Corte atravessa um "período difícil de sua história" e pediu serenidade aos ministros.

Fachin disse que o julgamento deve se concentrar nos fatos e nas questões jurídicas, sem antecipação do mérito.

"Não se julgam pessoas, julgam-se fatos e questões jurídicas. Não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual. A divergência é legítima, o confronto pessoal não."

Também ressaltou que a decisão caberá ao plenário, e não a ministros individualmente.

  • 10h48
    Fachin apresenta relatório e delimita o que será julgado

    Fachin destaca justificativa de Mendonça para requisição à PF

No relatório, Fachin registrou que Mendonça sustentou ter pedido apenas atualização de investigação já em curso sobre a suposta rede de influência de Daniel Vorcaro, e não aberto nova apuração contra Moraes. A decisão foi fundamentada no art. 3º-B, X, do CPPFachin também destacou que, após a identificação de autoridades com foro, Mendonça afirmou que o destino "inevitável" do caso seria o plenário do STF e determinou a retirada do sigilo dos autos com base no princípio da publicidade.

Fachin lê parecer da PGR que aponta "dupla nulidade"

No relatório, Fachin reproduziu parecer da PGR segundo o qual a investigação determinada por André Mendonça contra Alexandre de Moraes sofre de "dupla nulidade": por ter sido determinada sem provocação do MP ou da PF e por ter avançado sobre ministro do STF sem prévia deliberação do plenário. A PGR também sustentou que "ao juiz não cabe acusar, menos ainda realizar investigações pré-processuais".

Fachin delimita objeto do julgamento

Ao concluir o relatório, Fachin afirmou que o plenário não analisará, neste momento, eventual responsabilidade penal de autoridades nem fará juízo definitivo sobre o valor das provas. Segundo o presidente do STF, o objeto da Pet 16.662 está restrito à possibilidade de prosseguimento da investigação e à nulidade levantada pela PGR.

 

  • 11h02m
    Nunes Marques se declara impedido para participar de julgamento

 (Imagem: Arte Migalhas)

(Imagem: Arte Migalhas)


Como tudo começou


Os "atritos" começaram quando Mendonça, então relator de procedimentos ligados à operação Compliance Zero, requisitou à PF informações sobre a rede de influência atribuída a Daniel Vorcaro.

Em resposta, a corporação produziu relatório com base em dados extraídos do celular do ex-banqueiro e identificou mensagens encaminhadas a Moraes.

Mendonça separou esse material da investigação principal, retirou o sigilo das informações e determinou a autuação da Pet 16.662. A partir daí, o embate ganhou novos contornos.

Moraes passou a questionar a condução das apurações e recebeu de Andrei Rodrigues relatórios sobre a atuação de Mendonça.

Mendonça, por sua vez, afirmou ter sido alvo de "monitoramento sistemático" pela inteligência da PF por mais de 30 dias e determinou o afastamento preventivo de Andrei e de Leandro Almada.

No dia seguinte, em outro processo, ministro Flávio Dino ordenou a reintegração dos dois delegados, sob o argumento de que a mudança na cúpula da corporação poderia comprometer investigações em andamento.

Diante das ordens opostas, Fachin assumiu a relatoria da Pet 16.662 e suspendeu temporariamente as duas decisões. Na prática, Andrei e Almada seguiram nos cargos.

É esse emaranhado que chega agora ao plenário.


O que está em julgamento?


O objeto mais imediato da sessão é a decisão de Mendonça que afastou preventivamente os dois integrantes da cúpula da PF e impôs restrições à produção de relatórios de inteligência pela corporação.

A medida teve como fundamento seis relatórios encaminhados por Andrei a Moraes. Segundo Mendonça, os documentos analisaram decisões judiciais, atos da advocacia pública e a atuação de delegados e agentes da própria PF.

A cautelar chegou a ser submetida à 2ª turma. Ministros Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam Mendonça, formando maioria, mas o julgamento foi interrompido por pedido de vista de Gilmar Mendes.


Nulidade das provas


Antes, porém, o plenário poderá enfrentar uma questão preliminar: a validade da requisição que deu origem ao relatório com informações envolvendo Moraes.

A Procuradoria-Geral da República sustenta que tanto o pedido feito por Mendonça à PF quanto, por consequência, o material produzido pela corporação são nulos.

Segundo a PGR, ao determinar a identificação dos interlocutores de Vorcaro, Mendonça teria buscado elementos envolvendo outro integrante do Supremo sem comunicação prévia à Presidência da Corte e sem autorização do plenário.

A Procuradoria também apontou possível violação ao sistema acusatório, por entender que houve iniciativa probatória do magistrado durante a fase pré-processual.

Gilmar Mendes pediu que as questões preliminares sejam analisadas antes das demais controvérsias, começando justamente pela alegação de nulidade.

A ordem em que os temas serão enfrentados, contudo, ainda deverá ser definida pelo plenário.

Se acolher a tese da PGR, o Supremo poderá anular a requisição e os elementos dela derivados. Se considerar válida a produção das informações, caberá à Corte definir o destino do material.

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