TJ/SC critica generalização após Dino apontar "momento mais corrupto do Judiciário"
Desembargadores defenderam a magistratura catarinense e rejeitaram que casos individuais sejam projetados sobre todo o Judiciário.
Da Redação
quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Atualizado às 10:22
Desembargadores do TJ/SC manifestaram, durante sessão realizada nesta quarta-feira, 16, apoio à magistratura catarinense após declarações do ministro Flávio Dino, do STF, de que o país atravessa o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”.
Ao longo dos trabalhos, integrantes da Corte defenderam a atuação dos magistrados catarinenses e destacaram nota pública divulgada pela AMC - Associação dos Magistrados Catarinenses, que rejeitou a projeção de situações individuais sobre toda a categoria.
Caso Master
Na última terça-feira, 15, o plenário do STF se reuniu em sessão extraordinária para analisar se autorizaria investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O caso chegou à Corte após relatório da PF reunir mensagens entre Vorcaro e um contato atribuído a Moraes. André Mendonça era relator do caso quando o documento foi produzido e retirou o sigilo do material.
Foi durante essa sessão que Dino afirmou nunca ter visto tanta corrupção no sistema de Justiça e classificou o período como o “momento mais corrupto da história do Poder Judiciário”.
Defesa da magistratura
Na sessão desta quarta-feira, o desembargador Jaime Ramos destacou a nota da AMC, disse sentir-se representado pela entidade e defendeu que situações individuais não coloquem em dúvida toda a magistratura.
Maria do Rocio Luz Santa Ritta ressaltou a indignação da categoria com a generalização. Ricardo Roesler, ex-presidente da AMC, afirmou ter “orgulho de vestir essa toga”, enquanto Hélio do Valle Pereira destacou o trabalho dos juízes de 1º grau nas comarcas catarinenses.
Sandro José Neis afirmou que a magistratura não admite irregularidades e está pronta para combatê-las. Artur Jenichen Filho ressaltou o trabalho do Judiciário catarinense, e o presidente do TJ/SC, André Luiz Dacol, destacou os valores que encontrou na Corte: “respeito, dignidade, trabalho”.
Ao final, Luiz Cézar Medeiros propôs o registro das manifestações em ata e “um aplauso à magistratura catarinense”. Os integrantes da Corte se levantaram e acompanharam a homenagem.
Assista:
Nota pública
A nota mencionada durante a sessão foi assinada pela presidente da AMC, juíza Janiara Maldaner Corbetta. A entidade afirmou que declarações feitas no âmbito do STF atribuíram ao Judiciário um “quadro generalizado de corrupção” e defendeu que eventuais irregularidades sejam apuradas sem que situações individuais sejam projetadas sobre toda a magistratura.
“Situações individuais não podem ser projetadas sobre toda a Magistratura na tentativa de desviar o foco de discussões e crises restritas à cúpula de Brasília.”
A AMC também afirmou que seguirá na defesa da credibilidade da magistratura, da independência judicial e das instituições democráticas.
- Leia a nota completa.