Polícia prende namorado de estudante de Direito morta após cair de prédio
Pedido de prisão preventiva foi fundamentado nos crimes de ameaça e induzimento, instigação ou auxílio a suicídio.
Da Redação
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Atualizado às 14:47
O bacharel em Direito João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, de 22 anos, estudante também de Direito, foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira, 22, em Fortaleza/CE. A jovem morreu após cair do edifício onde morava, e a Polícia Civil do Ceará investiga as circunstâncias da queda.
O mandado foi cumprido após a polícia solicitar a prisão preventiva e a Justiça autorizar a medida. Segundo apuração do g1, o pedido foi fundamentado nos arts. 122 e 147 do CP, que tratam, respectivamente, de indução, instigação ou auxílio a suicídio ou automutilação e de ameaça.
Após a prisão, João deve ser encaminhado a uma unidade policial.
O caso ganhou repercussão na imprensa após a mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, divulgar um vídeo nas redes sociais relatando que, ao deixar de conseguir contato com a filha, procurou João e percebeu que havia sido bloqueada por ele.
Ela então foi até o prédio e soube pela síndica que Isabelle havia morrido no dia anterior e que o corpo já havia sido encaminhado ao Instituto Médico Legal.
Horas antes da queda
Isabelle estava no segundo semestre do curso de Direito. Ela estagiou por aproximadamente 20 dias em um escritório de advocacia em Fortaleza, onde conheceu João.
Poucas semanas antes da morte, a jovem havia se mudado para o apartamento onde viviam o namorado, a mãe dele, Sara Regina Alexandre Munhoz, coordenadora de execução da saúde prisional da Secretaria de Administração Penitenciária, e um irmão de João.
No dia em que morreu, a estudante esteve na casa da mãe. Mais tarde, imagens de câmeras de segurança registraram sua chegada ao prédio às 17h58. João foi até a portaria encontrá-la, e os dois subiram juntos pelo elevador.
Às 18h33, o namorado aparece deixando o edifício com outra roupa. Já às 19h12, Isabelle foi registrada entrando no elevador em direção ao terraço, localizado no 23º andar. O apartamento em que ela vivia com o namorado e a família dele ficava no 15º andar.
A última mensagem enviada pela estudante à mãe foi registrada às 19h22. Segundo a Polícia Civil, Isabelle caiu do edifício e foi encontrada às 20h40, 88 minutos depois de ter subido ao terraço.
João retornou ao edifício às 22h48, quando um veículo da perícia forense já estava na garagem.
Investigação
No curso das investigações, a Polícia Civil também localizou a mãe de João na praia do Cumbuco, em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, os agentes recolheram o celular dela e um tablet, que serão submetidos à perícia.
O telefone de Isabelle também foi periciado, e o conteúdo do aparelho está sob análise. Outras gravações das câmeras do condomínio também são examinadas pelos investigadores.
Até o momento, quatro pessoas prestaram depoimento, e outras quatro devem ser ouvidas. O laudo do exame realizado no corpo é esperado para o início de outubro.
De acordo com a polícia, o laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte, com lesões compatíveis com o impacto contra o solo. Exames laboratoriais não identificaram substâncias de interesse toxicológico.
Posicionamentos
Em nota, o TJ/CE informou que os "procedimentos de competência do Poder Judiciário relacionados à investigação sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi tramitam em segredo de Justiça".
Já o escritório onde o namorado de Isabelle trabalhou informou, por meio de nota, que João Munhoz exerceu "exclusivamente atividades de natureza administrativa" e que deixou de prestar serviço à empresa. Ainda conforme o escritório, Isabelle trabalhou no local por "aproximadamente 20 dias, do final de julho ao início de agosto, quando solicitou seu desligamento por razões de ordem pessoal".