Alexandre Pires é alvo de operação da PF que investiga garimpo ilegal
Cantor é investigado por suspeita de integrar grupo ligado à extração e comercialização de cassiterita na Terra Yanomami.
Da Redação
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Atualizado às 11:39
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira, 23, a segunda fase da Operação Disco de Ouro, que tem o cantor Alexandre Pires entre os alvos de mandados de busca e apreensão, segundo O Globo.
A operação aprofunda as investigações sobre uma organização criminosa envolvida em lavagem de capitais, falsidade ideológica e outros delitos de caráter transnacional.
Segundo o jornal, Alexandre Pires é investigado por suspeita de integrar grupo ligado à extração e à comercialização ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
De acordo com a PF, as investigações apontam movimentação e ocultação de mais de US$ 48 milhões por meio de empresas nacionais e estrangeiras, operações financeiras internacionais, contas de terceiros e mecanismos informais de compensação financeira.
O advogado Diego Possebon e o empresário Matheus Possebon, que trabalha com Alexandre Pires, também estão entre os alvos.
Buscas e bloqueios
Nesta etapa, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais de sequestro de bens e valores, expedidos pela Justiça Federal.
As medidas buscam obter provas, interromper as atividades ilícitas e recuperar ativos supostamente relacionados aos fatos investigados. De acordo com O Globo, não foram expedidos mandados de prisão nesta fase.
A PF afirma que as apurações identificaram movimentação e ocultação de recursos superiores a US$ 48 milhões. Para isso, teriam sido utilizadas empresas nacionais e estrangeiras, operações financeiras internacionais, contas de terceiros e mecanismos informais de compensação financeira.
Pessoas físicas e jurídicas também teriam sido empregadas para pulverizar os valores e dificultar seu rastreamento.
Cassiterita
A nova etapa é um desdobramento da primeira fase da Operação Disco de Ouro, que investiga ilícitos relacionados à cadeia de comercialização e exportação de minério e o uso de documentação ideologicamente falsa para conferir aparência de regularidade a determinadas operações.
Segundo O Globo, a investigação encontrou indícios de um esquema para retirada ilegal de cassiterita da Terra Indígena Yanomami. O minério seria declarado como proveniente de um garimpo regular no rio Tapajós, em Itaituba/PA, e supostamente transportado até Roraima para tratamento.
Ainda conforme o jornal, as investigações indicam que esse deslocamento ocorreria apenas documentalmente, pois o material seria extraído no próprio Estado de Roraima.
A PF identificou transações financeiras que relacionariam diferentes integrantes da cadeia produtiva investigada, entre eles pilotos de aeronaves, postos de combustíveis, estabelecimentos de máquinas e equipamentos para mineração e pessoas utilizadas para encobrir movimentações financeiras fraudulentas.
Os investigados poderão responder, de acordo com a participação de cada um, pelos crimes de lavagem de capitais, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira, além de outras infrações eventualmente identificadas no decorrer das investigações.