Gilmar diz que condução da Lava Jato não teve vazamentos seletivos ou viés eleitoral
Durante homenagem a Fachin, decano usou expressões que remetem às recentes críticas à condução do caso Master por André Mendonça.
Da Redação
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Atualizado às 15:31
Ao homenagear ministro Edson Fachin pelo primeiro ano na presidência do STF, nesta quarta-feira, 30, ministro Gilmar Mendes fez referências a "vazamentos seletivos" e ao "uso político-eleitoral das investigações" ao recordar a atuação do colega na Lava Jato.
As expressões chamam atenção pelo contexto recente da Corte. Nas últimas semanas, Gilmar usou termos semelhantes ao criticar a condução do caso Master pelo ministro André Mendonça.
No discurso, o decano afirmou que ele e Fachin divergiram diversas vezes durante a Lava Jato, mas ressaltou que as diferenças nunca alcançaram a postura que, segundo S. Exa., deve orientar a magistratura.
"Essa divergência, porém, jamais alcançou aquilo que nos unia, a convicção de que o juiz não é parte nem instrumento de causa alguma."
Na sequência, afirmou:
"Naquela quadra, não houve notícias de vazamentos seletivos em nossos gabinetes, apesar da sensibilidade dos documentos que estavam sob nossa responsabilidade, tampouco qualquer ato que pudesse indicar o uso político-eleitoral das investigações."
Embates recentes
A fala ocorre duas semanas depois de uma série de embates públicos entre Gilmar e Mendonça em torno do caso Master.
Em 15 de setembro, durante sessão do STF, Gilmar afirmou haver "inequívoco viés político-eleitoral" na condução do caso e questionou o momento escolhido para a produção e divulgação de relatório com mensagens envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Na ocasião, também criticou o que chamou de vazamentos e chegou a questionar, em plenário, de onde partiam as divulgações de informações sigilosas.
"Quem é o vazador-geral da República? Quem é que vaza? É a Polícia Federal? É o gabinete do André? É a Secretaria do Supremo?"
Gilmar ainda afirmou que, em seus próprios gabinetes, não haveria vazamentos.
O tom subiu durante a sessão. Mendonça classificou as acusações como "levianas" e reagiu: "Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não está falando com qualquer um."
Mais tarde, os dois voltaram a discutir quando Gilmar acusou Mendonça de "leviandade" e "desfaçatez", enquanto o colega pediu respeito.
Dois dias depois, Gilmar retomou as críticas nas redes sociais. Em publicação no X, acusou Mendonça de buscar dividendos políticos com a divulgação de informações do caso e voltou a mencionar "vazamento seletivo", expressão que também apareceu no discurso desta quarta-feira.
O gabinete de Mendonça reagiu com nota em que falou em "truculência", "verborragia" e tentativa de constranger julgadores, além de defender a criação de um código de ética para os ministros do Supremo.