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Renegociação de dívidas

Especialista aponta desafios na recuperação extrajudicial da Ri Happy

Para Armin Lohbauer, a medida pode preservar operações e renegociar pagamentos, mas sucesso depende da adesão dos credores e de ajustes na gestão financeira e comercial.

Da Redação

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Atualizado às 18:39

O pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela Ri Happy para renegociar aproximadamente R$ 827 milhões em dívidas amplia a discussão sobre os desafios financeiros enfrentados pela rede.

Para Armin Lohbauer, especialista em Contencioso Cível do Barcellos Tucunduva Advogados, a medida pode contribuir para reorganizar os compromissos da empresa, mas exige adesão dos credores e ajustes na gestão. Nesse contexto, o advogado explica que a principal diferença entre a recuperação judicial e a extrajudicial está na abrangência da negociação e no grau de intervenção da Justiça.

"A recuperação extrajudicial é um caminho geralmente mais rápido, menos burocrático e que permite uma solução mais direcionada para o endividamento", explica. De acordo com o advogado, a medida pode contribuir para preservar a relação com fornecedores e manter as lojas em funcionamento, especialmente em um período relevante para o comércio de brinquedos.

O especialista ressalta que a recuperação não significa falência. "O objetivo é justamente evitar que uma dificuldade financeira comprometa a continuidade de uma empresa, seus empregos e toda a cadeia de negócios que depende dela."

Armin Lohbauer, especialista em Contencioso Cível do Barcellos Tucunduva Advogados.

Adesão dos credores e riscos da negociação

Para Lohbauer, um dos principais desafios da Ri Happy será obter a adesão necessária à homologação do plano. Conforme a lei 11.101/05, ele explica que a recuperação extrajudicial pode vincular credores dissidentes das espécies abrangidas, desde que haja adesão de titulares de mais da metade dos créditos correspondentes e sejam cumpridos os demais requisitos legais. 

Credores não abrangidos pelo plano preservam, em regra, seus direitos de cobrança, enquanto aqueles incluídos poderão ter prazos e condições de pagamento modificados após a homologação judicial, mesmo sem concordância individual. "Se não conseguir a adesão suficiente, a Ri Happy não poderá impor o plano aos credores dissidentes. Nesse cenário, poderá buscar novas negociações ou até avaliar uma recuperação judicial. Isso não significa falência automática, mas aumenta a pressão por uma solução", afirma.

Armin Lohbauer conclui que a preservação da confiança dos fornecedores é fundamental para a continuidade das operações. "A recuperação de uma empresa não depende apenas de renegociar dívidas, mas também de preservar a confiança de quem fornece os produtos e mantém o negócio funcionando", finaliza.

Barcellos Tucunduva Advogados