Cármen contesta Fux e ministro responde: "troca de afagos e gentilezas"
Durante julgamento no STF, ministra rebateu interpretação do colega sobre alteração do resultado via embargos.
Da Redação
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
Atualizado às 18:04
Durante sessão plenária do STF nesta quarta-feira, 21, ministra Cármen Lúcia reagiu a uma manifestação do ministro Luiz Fux sobre a possibilidade de alteração do resultado do julgamento que discutia a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da Cofins.
O episódio ocorreu após a Corte decidir deixar a análise da modulação dos efeitos da decisão para eventual julgamento de embargos de declaração.
Ao se manifestar, Fux recordou que o Supremo já havia decidido preservar os votos de ministros aposentados ou que deixaram a Corte. Em seguida, mencionou que Cármen Lúcia havia sugerido, na semana anterior, não realizar a modulação diante da possibilidade de modificação do julgado.
A referência provocou uma reação da ministra, que pediu a palavra para esclarecer que sua manifestação não envolvia a possibilidade de rejulgamento da causa.
"Em nenhum momento eu falei de rejulgar", afirmou.
Cármen Lúcia ressaltou que havia tratado apenas da possibilidade de apresentação de embargos de declaração, recurso destinado a esclarecer omissões, contradições ou obscuridades da decisão.
"Eu em nenhum momento nem sugeri, até porque jamais pensei, em rejulgamento e muito menos de afastamento de voto de ministro que já não está no plenário", declarou.
A ministra insistiu que não havia defendido qualquer alteração do resultado em razão da composição do Tribunal e explicou que decidiu se manifestar porque Fux havia mencionado seu nome.
Fux, então, voltou a falar para explicar que sua observação não havia sido dirigida a Cármen Lúcia, mas a uma manifestação do ministro Gilmar Mendes sobre a possibilidade de novos integrantes do Tribunal adotarem posicionamento diferente.
Ainda, atribuiu a interpretação da colega à proximidade entre os dois no plenário.
"Não é uma discussão. É uma troca de afagos e gentilezas. Mas a ministra Cármen presumiu que eu me referi a ela pelo carinho, pela proximidade que ela senta aqui na minha cadeira", disse.