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"Húbris"

STF: Cármen critica quem questiona seus votos sem ler a Constituição

Ministra relatou receber “aulas de Direito Constitucional” de pessoas que desconhecem a CF e criticou a arrogância de quem se considera superior aos demais.

Da Redação

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Atualizado às 18:07

Ministra Cármen Lúcia criticou, nesta terça-feira, 27, a arrogância de pessoas que questionam decisões judiciais sem conhecer a Constituição Federal. Segundo S. Exa., há quem considere seus votos equivocados mesmo sem ter lido o texto constitucional.

A declaração ocorreu durante sessão da 1ª turma, após o ministro Flávio Dino relatar ataques relacionados à sua origem maranhense e criticar manifestações de preconceito regional.

Cármen Lúcia ressaltou que críticas aos integrantes do Supremo são legítimas, desde que respeitados os limites estabelecidos pela legislação penal.

Ao comentar o comportamento de pessoas que se consideram superiores às demais, a ministra recorreu ao conceito grego de húbris, associado à soberba e à arrogância.

"Eu acho que nós estamos vivendo, talvez, o que os gregos chamavam de húbris, que é a soberba, arrogância, de achar que são melhores que os outros, e que nada passa. Um momento de vanglória, que é a glória vã, a glória inútil, a glória ilusória."

Segundo a ministra, essa postura tem levado pessoas a se manifestarem com convicção sobre assuntos que desconhecem.

Para ilustrar a crítica, relatou situações em que é abordada por pessoas que contestam seus votos sem sequer consultar a Constituição.

"E me dão aulas de Constitucional. Eu com a Constituição na mão."

Orgulho das origens

Cármen Lúcia também comentou as declarações de Dino sobre o preconceito relacionado à origem regional e lembrou as críticas que recebeu por ser do Norte de Minas Gerais.

Para a ministra, conhecer as próprias raízes é fundamental para a formação dos valores individuais.

"Quem tem raiz, seja onde for, ele tem onde se afirmar nos seus valores, nos valores de humanidade, nos valores humanitários que seguem cada um de nós."

Ao encerrar a manifestação, voltou a criticar a soberba e destacou o caráter passageiro das posições de superioridade.

"Então, é isso mesmo, a húbris tem dominado comportamentos. E era preciso que tivesse alguém para dizer isso: 'tu também vai passar'. Para o bem e para o mal. Não há bem que sempre dure e não há mal que não se acabe."

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