"Modalidade de racismo": Dino relata ataques por ser maranhense
No STF, ministro criticou manifestações preconceituosas contra sua origem.
Da Redação
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Atualizado às 18:07
Ministro Flávio Dino, relatou, nesta terça-feira, 27, em sessão da 1ª turma do STF, ter sido alvo de ataques relacionados à sua origem maranhense e afirmou considerar esse tipo de manifestação uma modalidade de racismo.
A declaração ocorreu durante julgamento sobre o cultivo e a distribuição de cannabis para fins medicinais por associações, em meio a discussões sobre desigualdade e tratamento discriminatório de grupos socialmente vulneráveis.
"Eu próprio, ministra Cármen, muito recentemente, considero que é uma modalidade de racismo, fui alvejado pela minha procedência regional, aquilatado como um provinciano em sucessivos editoriais de jornais", afirmou.
Dino disse que os ataques não abalaram sua autoestima e ressaltou o orgulho de suas origens.
"Achando, essas pessoas, que isso seria algo que abalaria a minha autoestima. Pelo contrário, eu tenho muito orgulho da minha província. A minha província da Amazônia, do Nordeste. A minha província Maranhão."
O ministro também criticou o que classificou como prepotência e arrogância de pessoas que utilizam a origem regional como forma de desqualificação.
Segundo Dino, se esse tipo de tratamento é dirigido a um integrante do Supremo Tribunal Federal, seus efeitos podem ser ainda mais graves quando atingem pessoas em situação de vulnerabilidade.
"Então, se este nível de elitismo, de saudade da "Casa Grande e da Senzala" e do Pelourinho, se manifesta em relação ao ministro do Supremo. Essa soberba de quem se acha superior, nessa obscenidade da desigualdade pátria, se manifesta nesse termos, imaginemos a dimensão que isto ganha quando nós tratamos de segmentos desprotegidos, desfavorecidos, que nada tem, às vezes, nem mesmo a sua voz."