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Anistia política

Dilma terá reparação mensal de R$ 17,5 mil por perseguição na ditadura

Em cumprimento a decisão judicial, portaria prevê R$ 6,6 milhões em retroativos, com desconto dos valores já recebidos.

Da Redação

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Atualizado às 15:27

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania fixou reparação econômica mensal de R$ 17.562,80 à ex-presidente Dilma Rousseff por perseguição política durante a ditadura militar.

Publicada nesta terça-feira, 27, a portaria também estabelece retroativos de R$ 6.616.492,19, sujeitos ao desconto de valores já recebidos e aos critérios de atualização determinados pela Justiça.

Assinado pela ministra Janine Mello, o ato cumpre decisão judicial e retifica a portaria de agosto de 2025 que havia formalizado a concessão da anistia política à ex-presidente.

 (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Portaria fixa reparação mensal de R$ 17,5 mil a Dilma por perseguição na ditadura e prevê retroativos sujeitos a descontos.(Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Reparação continuada

A portaria 2.931/26 cumpre decisão judicial que, segundo o Ministério dos Direitos Humanos, determinou a reparação pela perda do vínculo profissional de Dilma com a antiga FEE – Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul.

De caráter indenizatório, o pagamento será mensal, permanente e continuado. O valor considera os parâmetros de salário médio previstos no plano de cargos e salários dos profissionais da fundação, onde a ex-presidente trabalhou após deixar a prisão.

Os retroativos e as diferenças devidas serão calculados a partir de 21 de outubro de 1997. Do montante indicado deverão ser descontadas as quantias já recebidas, com aplicação dos critérios de apuração e atualização estabelecidos pela Justiça.

 (Imagem: Reprodução/DOU)

(Imagem: Reprodução/DOU)

Perseguição e pedido de anistia

Dilma foi presa em 1970, aos 22 anos, quando integrava a organização de resistência à ditadura VAR-Palmares. Permaneceu detida por cerca de três anos e sofreu torturas físicas e psicológicas.

Após a prisão, mudou-se para o Rio Grande do Sul e ingressou na FEE em 1975. Dois anos depois, foi exonerada após ser incluída em uma lista de pessoas apontadas como comunistas infiltradas no governo.

O pedido de anistia foi apresentado em 2002. A tramitação ficou suspensa a pedido de Dilma durante o período em que ocupou cargos no Executivo federal e foi retomada após o impeachment, em 2016.

O requerimento foi negado em 2022, durante o governo Bolsonaro, e a defesa recorreu. Em maio de 2025, a Comissão de Anistia reconheceu, por unanimidade, a condição de anistiada política e aprovou reparação de R$ 100 mil em parcela única.

A nova portaria altera essa reparação para o pagamento mensal e determina a apuração dos retroativos, em cumprimento à decisão judicial.

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