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ISSN 1983-392X

Editorial

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018


Circulou ontem, gostosamente, a lista de nomes dos convivas que dividiram a mesa com a ministra Cármen Lúcia, símbolo maior da vestalidade pátria (plim, plim). Na pândega, onde S. Exa. não se avexou de falar acerca de casos que estão sub judice, lobrigavam-se presidentes de empresas como a Shell e Siemens, além de representantes institucionais de outras, como da Souza Cruz, que por acaso tem um caso importantíssimo na pauta de amanhã do Supremo, e que afeta sobremaneira a indústria tabagista como um todo. Sobre o inusitado convescote, cabem duas observações.

Do lado da ministra, difícil engolir essa história, ainda mais vindo de quem constantemente "joga para a plateia". Vide o caso Cristiane Brasil, no qual deu uma não-decisão. Com efeito, disse que suspenderia a posse porque não tinha a decisão impugnada. Faça-nos um favor. É subestimar a inteligência alheia. Se não há decisão impugnada, nega-se. Ou, querendo decidir, deveria pegar o telefone e pedir ao magistrado que a prolatou, que está num prédio a 500 metros de distância, para enviá-la. Quanto ao caso da prisão em 2ª instância, talvez não o pautar é que seja casuísmo. De fato, há muito a situação é premente, com decisões que dependem da sorte de qual relator vai cair. Não se pode viver assim, e ela, não pautando, alimenta essa insegurança. Mas o pior de tudo é a pregação de moralidade que se quer passar, e às esconsas sentar-se num restaurante com empresários. A pergunta que a srta. ministra deveria fazer é: quem paga a conta? Por fim, uma farpa imprescindível: convidada para inúmeros eventos jurídicos pelo Brasil, a ministra confirma a presença e, invariavelmente, falta (querendo, temos um rosário de casos para ilustrar o quanto dito). No dia seguinte, quando não no mesmo, ei-la num evento da emissora preferida.

Do lado dos presentes, é preciso perguntar aos empresários: "- Em que século os srs. vivem?" Não é possível que não tenha alguém ponderado no board para alertar o deslumbrado convidado que "isso vai dar m...". Sabendo que suas empresas têm inúmeros interesses em pauta no Judiciário, deveriam ter, se a autoridade infelizmente não teve, desconfiomêtro para ver que boa coisa não se extrai de um encontro desses. Aliás, espera-se que a ministra não se dê por impedida nas causas das empresas que tinham assento na festança. Caso contrário, aí sim se dirá: aí tem coisa.