Terça-feira, 17 de outubro de 2017

ISSN 1983-392X

Segundo Roberto Busato, Lula encara crise e mensalão de "forma autista"

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quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Segundo Roberto Busato, Lula encara crise e mensalão de "forma autista"

O presidente nacional da OAB, Roberto Busato, afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está encarando a crise política e as denúncias de pagamento de mensalão de “forma autista”. “Se o mensalão é uma fantasia, se o deputado Roberto Jefferson é uma fantasia, se é fantasia o Marcos Valério e tudo o mais que foi apurado até agora nas CPIs, isso é estar realmente fora da realidade”, afirmou Busato. “Num momento ele diz isso e, de outro, o país inteiro verifica que o presidente da República está olhando o problema de forma autista”. A afirmação foi dada por Busato em entrevista coletiva concedida após reunião com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, ao comentar as declarações dadas na segunda-feira pelo presidente Lula, no programa Roda Viva.

O presidente da OAB considerou lamentável Lula taxar de hilariante a maior crise política-institucional da história da República brasileira. Para Busato, não se trata de uma simples querela entre partidos. “Trata-se do maior mar de lama que esse país já viu. Dizer que essa crise é hilariante é, realmente, estar completamente fora da realidade”. Ainda na avaliação de Busato, o presidente Lula, que se disse alvo de traição, deve apontar quem foi que o traiu de fato. “Ele precisa dizer, primeiro, quem foi que o traiu e essa traição, se existiu, não foi só a ele. Traição ao presidente da República é traição a todo o país”.

Durante a entrevista, Roberto Busato negou que o Conselho Federal da OAB tenha rejeitado a proposta de impeachment de Lula, que foi apreciada, pela primeira vez no Pleno da entidade, na data de ontem. Ele explicou que a proposta foi apresentada pela conselheira da entidade, Elenice Carille, e os 81 conselheiros da OAB decidiram, à unanimidade, criar uma comissão interna para acompanhar e auxiliar as investigações nas CPIs e levantar dados e documentos para subsidiar as decisões da própria entidade.

“O impeachment de um presidente da República é o remédio mais amargo que pode existir dentro de uma democracia. Portanto, a OAB, se debruçou pela primeira vez, com mais atenção, a esse assunto do impeachment do presidente Lula”, explicou Busato.

A seguir, a íntegra da entrevista concedida pelo presidente nacional da OAB, Roberto Busato:

P – Na entrevista concedida pelo presidente Lula, ele disse que há um denuncismo sem provas, que a oposição na tem autoridade para pedir o impeachment dele. Como o senhor avaliou isso?

R – Acho lamentável o presidente taxar de hilariante a maior crise política-institucional da história da República brasileira. Não é uma simples querela entre partidos. Trata-se do maior mar de lama que esse país já viu. Dizer que essa crise é hilariante é, realmente, estar completamente fora da realidade. É lamentável.

P – Por que a OAB rejeitou o pedido para implantar o processo de impeachment do presidente, já que por muito menos a entidade pediu o impedimento do ex-presidente Collor. Se o senhor diz que esta é a maior crise que o Brasil já viu, então, o que aconteceu?

R – É Absolutamente ao contrário. A OAB recebeu pela primeira vez a proposta que partiu de uma conselheira federal (Elenice Carille) e deliberou, por unanimidade, formar uma comissão para apurar, dentro de um processo administrativo, todos os fatos relativos a este assunto. Já vínhamos acompanhando essa crise de perto desde junho e o Conselho Federal da OAB sempre disse que não era oportuno, naquele momento, tratar efetivamente de impeachment. Pela primeira vez, o Conselho Federal deliberou pela gravidade dos últimos fatos trazidos à público e entendeu por formar uma comissão que traga aos autos e ao Conselho informações precisas e documentos a respeito de tudo o que está acontecendo. Assim a Ordem poderá deliberar. O impeachment de um presidente da República é o remédio mais amargo que pode existir dentro de uma democracia. Portanto, a OAB, se debruçou pela primeira vez, com mais atenção, a esse assunto do impeachment do presidente Lula.

P – Por que não se pede o impeachment já?

R – Porque não há, dentro da Casa, nenhum documento ou investigação mais concreta. Essa comissão que decidimos criar visa colher informações e algumas provas que já existem dentro da própria CPI. Também foi deliberado que iremos conversar também com a sociedade civil brasileira e verificar, junto às demais instituições da sociedade, qual é o pensamento de todos com relação ao envolvimento do presidente da República neste mar de lama que chegou aos porões do Palácio do Planalto.

P – Como o senhor vê essa declaração do presidente Lula, de que foi traído?

R – Ele precisa dizer, primeiro, quem foi que o traiu e essa traição, se existiu, não foi só a ele. Traição ao presidente da República é traição a todo o país. O presidente não disse, até agora, quem o traiu. Apenas deixou no ar, talvez, que tenha sido o Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT). Mas não é possível que Delúbio Soares, aquela figura sinistra do Partido dos Trabalhadores, tenha causado todo esse estrago sozinho. O presidente Lula deve ter tido uma traição maior, mas ele não diz quem o traiu. Essa traição ao presidente, repito, não é somente a ele, é uma traição ao país.

P – E quanto ao mensalão, o que o senhor tem a dizer?

R – Se o mensalão é uma fantasia, se o deputado Roberto Jefferson é uma fantasia, se é fantasia o Marcos Valério e tudo o mais que foi apurado até agora nas CPIs, realmente isso é estar fora da realidade. Dizer que mensalão é fantasia, é estar absolutamente fora da realidade. Num momento ele diz isso e, de outro, o país inteiro verifica que o presidente da República está olhando o problema de forma autista.

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