Terça-feira, 17 de outubro de 2017

ISSN 1983-392X

Juíza julga improcedente denúncia apresentada por José Dirceu contra jornalista da revista Veja

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


Sentença

Em recente decisão, a juíza Sirley Claus Prado Tonello, do Foro Regional de Pinheiros/SP, julgou improcedente denúncia apresentada por José Dirceu contra o jornalista da revista Veja Fábio Portella. Dirceu teria ficado ofendido com o texto "O Quadrilheiro no Banco Suíço" (v. no final da matéria), publicado por Portella na edição 1955, de 10 de maio de 2006, na matéria "A tecla replay do mensalão".

O jornalista foi defendido pelos advogados Lourival J. Santos e Alexandre Fidalgo, do escritório Lourival J. Santos - Advogados. Os causídicos José Luis Oliveira Lima e Rodrigo Dall'Acqua, de Oliveira Lima, Hungria, Dall'Acqua e Furrier Advogados Associados, atuaram na defesa de José Dirceu.

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  • Revista Veja - Edição 1955, de 10 de maio de 2006

O QUADRILHEIRO NO BANCO SUÍÇO

Na próxima terça-feira, o ex-ministro José Dirceu desfrutará mais um episódio da dolce vita de que se tornou protagonista depois que deixou o governo. Ele será recebido com pompas na sede brasileira do Credit Suisse. O banco convidou seus "clientes especiais" para uma confraternização em torno do petista. É isso mesmo. Será um bate-papo íntimo com o chefe da quadrilha do mensalão. Segundo a direção do Credit, o objetivo é manter seus principais correntistas "atualizados e bem informados sobre o que se passa no Brasil". Eles se apressam em dizer que a presença da imprensa está vetada, claro. A reportagem de VEJA, por exemplo, não é bem-vinda. Em qualquer país sério, José Dirceu teria problemas até mesmo para abrir uma conta bancária – afinal, a quadrilha que ele chefiava roubou recursos públicos, fez caixa dois, falsificou documentos e praticou evasão de divisas. No Credit Suisse brasileiro, no entanto, o quadrilheiro-mor terá direito a tratamento vip. Para o banco, não há nenhum problema em associar sua imagem à de um político acusado de chefiar uma organização criminosa. É sintomático. A direção da instituição informa, candidamente, que "o mercado tem todo o interesse em ouvir José Dirceu". É arrepiante imaginar quais podem ser esses interesses.

Essa não é a primeira vez que o nome do Credit Suisse é associado a assuntos de natureza criminal. Em março, Peter Schaffner, gerente do escritório brasileiro de private banking do Credit Suisse, foi preso pela Polícia Federal. Ele tentava embarcar às pressas para a Suíça depois de descobrir que estava sendo investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e operações ilegais feitas em parceria com doleiros. As investigações ainda não foram concluídas, mas outros seis executivos do banco já tiveram o passaporte apreendido pela PF para evitar que também caíssem na tentação de desaparecer do país. Os problemas do Credit Suisse, no entanto, não ocorrem apenas em território brasileiro. Em sua sede, na Suíça, o banco também é acusado de receber dinheiro sujo remetido por gente da pior espécie. Entre seus clientes já estiveram os ditadores Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier, do Haiti, Ferdinand Marcos, das Filipinas, e Sani Abacha, da Nigéria, país que é considerado um dos mais corruptos do mundo. No meio de gente desse naipe, José Dirceu só poderia mesmo ser tratado como convidado de honra. Quem sabe não lhe dão até um cheque especial.

Fábio Portela

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