Sexta-feira, 19 de abril de 2019

ISSN 1983-392X

Petrobras detalha na Câmara emissão de ações para explorar reservas de pré-sal

quarta-feira, 30 de setembro de 2009


Pré-sal

Petrobras detalha na Câmara emissão de ações para explorar reservas

A Petrobras vai realizar uma emissão de novas ações para levantar recursos e pagar a União pelo direito de explorar o equivalente a cinco bilhões de barris de petróleo na região do pré-sal. A cessão do direito está prevista no PL 5941/09 (clique aqui), uma das propostas do marco legal do pré-sal em tramitação na Câmara.

Os detalhes da operação de capitalização foram fornecidos aos deputados nesta terça-feira pelo presidente da companhia, José Sergio Gabrielli, em audiência realizada pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Minas e Energia.

A oferta será destinada apenas aos atuais acionistas, públicos e privados, para evitar uma diluição do capital social. Gabrielli estima que ela será equivalente até três vezes o valor que a empresa pagará à União pelo direito de explorar os cinco bilhões de barris. O que sobrar, após o pagamento pela cessão onerosa, será usado livremente pela companhia, segundo seu plano de investimentos.

Preço de mercado

As ações serão vendidas a preço de mercado, na proporção do tamanho que cada acionista já detém do capital da empresa. Hoje a União detém 32,2% do capital social da Petrobras.

O restante está nas mãos do BNDES (7,6%) e de acionistas privados (60,2%), brasileiros e estrangeiros. Gabrielli alertou que o acionista privado que não exercer seu direito de compra estará indiretamente permitindo o aumento da participação do Estado no capital da empresa.

Estimativas

A companhia já está fazendo o levantamento das áreas para a cessão, em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Uma vez identificados os poços, a Petrobras terá condições de estimar a produtividade de cada um. Segundo Gabrielli, com base na produtividade é possível calcular o volume de equipamentos necessários para a extração, como sondas e navios-tanques, que representam o grosso do investimento.

Com isso, dá para projetar o custo operacional e o custo de investimento de cada poço. Esses dois indicadores são fundamentais para se chegar a uma estimativa do preço do barril e, por fim, ao valor final da compra do equivalente a cinco bilhões de barris.

Após a fase técnica, que segundo Gabrielli ainda não tem prazo para acabar, começa a financeira. Segundo ele, a diretoria da empresa deverá convocar uma assembléia de acionistas para apresentar a proposta de aumento de capital.

Caso seja aprovada, a Petrobras lançará as ações, abrindo prazo para a compra e, com os recursos em caixa, assinará o contrato de exploração com a União. Ele no entanto reconheceu que "ainda não sabe de que tamanho a Petrobras vai ficar" com a emissão.

Gargalo

Gabrielli disse que a operação trará outro dividendo para a Petrobras. Com o aumento do capital, a relação dívida/capital próprio vai melhorar, abrindo mais espaço para a obtenção de novos recursos no mercado, via empréstimos. Por causa disso, ele avalia que a exploração do pré-sal pela Petrobras não enfrenta um gargalo financeiro.

"Não acreditamos que dinheiro seja problema para desenvolvimento do pré-sal", disse Gabrielli. Para ele, o limite da exploração será dado pela "capacidade de fornecimento de materiais e equipamentos da cadeia produtiva", como sondas perfuradoras, navios-tanque, tubulações especiais e válvulas com poder de pressão, entre outros.

Segundo ele, a carência de equipamentos é um fenômeno mundial. Das 34 sondas usadas pela companhia, apenas cinco têm condições de produzir no pré-sal. E não há disponibilidade do equipamento no mundo, que é alugado ao custo de 500 mil dólares/dia. "Eles [equipamentos] é que vão determinar a velocidade da exploração, e não o dinheiro", disse Gabrielli.

O presidente da companhia brasileira disse ainda que a exploração do pré-sal não enfrenta desafios tecnológicos relevantes. O maior problema, neste momento, é a falta de informação sobre o comportamento dos poços.

De acordo com Gabrielli, ainda são desconhecidos parâmetros como produtividade, temperatura, pressão e permeabilidade dos poços. Esses dados são essenciais para definir a quantidade que será aberta. Cada novo poço custa 100 milhões de dólares para a Petrobras.

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Fonte : Câmara

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