ABC do CDC

Para onde caminha a humanidade?

A matéria traz um olhar crítico sobre prioridades da sociedade, contrapondo investimentos espaciais à desigualdade e à reflexão ética sobre o futuro humano.

16/4/2026

A informação é base nas relações de consumo.

Em todas as suas formas, direta, indireta, aberta ou oculta, via marketing em anúncios publicitários em todos os veículos, via redes sociais etc., ela leva a consumidora e o consumidor a adquirir produtos e serviços e a acreditar em muitas coisas para a vida pessoal, para os projetos de educação, para os cuidados com a saúde, enfim para várias escolhas no modo de viver etc.

Pois bem. Nos últimos dias a mídia anunciou em todos os veículos de comunicação o projeto Artemis 2: Um passeio no espaço e em volta da Lua.

Sucesso de marketing e jornalismo neste nosso planeta confuso com guerras em profusão. 

Vou cuidar desse tema, a partir de um ponto: O custo.

Cara leitora, caro leitor, você sabe o custo desse simples passeio?

100 bilhões de dólares ou o equivalente a aproximadamente 500 bilhões de reais!

E para o quê?

Para que alguns seres humanos (alguns poucos) dêem um passeio no espaço e em volta da lua.

E, por incrível que pareça, a imprensa nacional e internacional ficou mostrando esse passeiozinho como se tivesse alguma função.

Como disse, acima, eu fiquei pensando num ponto: O custo da missão.

Veja. Nos EUA, responsável por esse gasto, daria para fazer coisas realmente importantes para os seres humanos.

Vou usar apenas um dado, o dos moradores de rua nos EUA. 

Tomo como exemplo o Estado da Califórnia, que tem um PIB maior do que a maior parte dos países. Em 2024 seu PIB atingiu 4,1 trilhões de dólares, consolidando-se como a 4ª maior economia do mundo, superando até o Japão.

Mas, sabe quantos moradores de rua vivem em Los Angeles (que fica na California)?  

Cerca de 30.000 e chega a 45.000 se contarmos os que vivem em abrigos temporários.

E em New York?

Aproximadamente, 100.000.

Vou trabalhar com os dados de Los Angeles.

Fiz alguns cálculos com esses 100 bilhões de dólares do passeio lunar.

Pesquisei: O preço de um apartamento pequeno de 2 quartos na região de Los Angeles gira em torno dos 500.000,00/600.000,00 dólares. É bem caro. 

Naturalmente, se forem construídas habitações populares por iniciativa do Estado, o preço cai significativamente.

Mas, vou trabalhar com 500 mil dólares. E vou arredondar os moradores de rua para 50.000 (para facilitar os cálculos).

Pegando 25% do gasto do incrível e atual passeio até a lua, isto é, 25 bilhões de dólares, daria para entregar 50.000 apartamentos. Sairiam todos das ruas. Lembremos que há famílias inteiras nessas ruas: Pai, mãe, filhos e filhas.

Com outros 50 bilhões de dólares daria para oferecer alimentação e cuidados com saúde e educação por muitos anos para essas pessoas.

Salário-mínimo em Los Angeles 16,50 por hora. 240 horas/mês = 3.960,00 X 12 meses = 47.520,00. Vou arredondar para 50.000,00 para facilitar nosso raciocínio.

Salário anual 50.000,00 dólares.

50.000 pessoas = 2,5 bilhões de dólares

20 anos de subsídios = 50 bilhões de dólares

E ainda sobrariam 25 bilhões de dólares...

Agora, imaginem se a Nasa doasse os 500 bilhões para o Brasil.

Para a cidade de SP, por exemplo, onde o preço da moradia e o custo de vida é menor do que em Los Angeles. Talvez esse para acabar com todos os moradores de ruas.

É claro que com esses valores poder-se-ia resolver o problema de alimentação e atendimento à saúde de milhares de pessoas em vários lugares do mundo. 

Estou usando apenas um exemplo para mostrar o absurdo desse projeto Artemis.

Por isso perguntei no título: Para onde caminha a humanidade?

Passados todos esses séculos, os detentores do poder ainda não perceberam que vivem no planeta terra? 

Que chegaram aqui em seus corpos e que irão embora daqui quando esses corpos se deteriorarem? Aliás, como qualquer corpo humano.

Com poder ou não, dinheiro ou não, os corpos são todos iguais. Nas veias correm sangue, o coração está lá dentro do peito. 

Quando o corpo para de funcionar, acabou a vida, com ou sem poder, com ou sem dinheiro. E nem adianta tentar sair do planeta Terra, pois os corpos continuam os mesmos.

Mas, a miséria humana por aqui é brutal. 

Milhões de pessoas sofrem.

Acabar com esse sofrimento sim, seria um projeto humano admirável.

Ficar torrando verbas para dar passeios no espaço é simplesmente lamentável.

Triste caminho da humanidade.

Colunista

Rizzatto Nunes é desembargador aposentado do TJ/SP, escritor e professor de Direito do Consumidor. Para acompanhar seu conteúdo nas redes sociais: Instagram: @rizzattonunes, YouTube: @RizzattoNunes-2024, e TikTok: @rizzattonunes4.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais