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O risco que ninguém está gerindo

O vazio operacional da gestão contratual nas empresas e como riscos se acumulam quando ninguém acompanha o contrato no dia a dia.

19/1/2026
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Na maioria das empresas, a gestão de contratos é fragmentada. O jurídico redige e negocia. O financeiro acompanha pagamentos. A operação executa o que foi acordado. Cada área cumpre sua função, mas nenhuma acompanha o contrato como um todo.

Nesse vácuo, o risco se dilui. Na prática, esse é um dos cenários mais comuns, e menos assumidos, na gestão contratual das empresas.

Prazos, obrigações, penalidades e impactos financeiros ficam distribuídos entre áreas que não se comunicam plenamente. O contrato existe, mas não é governado. E um contrato sem governo é, por definição, um risco em aberto.

O vazio da rotina contratual

A gestão contratual raramente faz parte da rotina das empresas. Não há cadência, método ou responsável claro. O acompanhamento ocorre apenas quando algo chama atenção, geralmente tarde demais.

Esse vazio operacional não gera impacto imediato. Ele se acumula silenciosamente, contrato após contrato, até que se materializa em forma de litígio, perda financeira ou desgaste institucional.

O risco sempre esteve ali. Apenas não era visível. Não porque fosse complexo demais, mas porque ninguém estava olhando.

Pós-assinatura: o ponto cego do jurídico

Grande parte do risco contratual nasce no pós-assinatura. É ali que obrigações precisam ser cumpridas, prazos monitorados, reajustes aplicados e cláusulas executadas.

Quando essa etapa não é acompanhada, o contrato deixa de cumprir sua função de proteção e passa a gerar insegurança. O jurídico, por sua vez, é chamado apenas quando o problema já se consolidou. Nesse momento, a atuação jurídica é técnica, mas tardia.

BPO jurídico como resposta organizacional

Diante desse cenário, cresce o interesse por modelos de BPO jurídico de gestão de contratos, nos quais o acompanhamento do pós-assinatura deixa de ser improvisado e passa a ser tratado como função contínua, com método, rotina e responsabilidade definida. Não como resposta a uma moda, mas como tentativa de governar um risco que se tornou estrutural.

Não se trata de terceirizar o jurídico, mas de estruturar a gestão contratual como camada operacional permanente, capaz de reduzir risco, aumentar previsibilidade e devolver ao jurídico seu papel estratégico.

Gestão como infraestrutura, não exceção

Tratar contratos como instrumentos vivos exige acompanhamento contínuo. Não como exceção, mas como infraestrutura de governança.

Ignorar essa camada é aceitar conviver com um risco que ninguém, de fato, está gerindo. Enfrentá-la é um passo essencial para transformar a gestão de contratos em ferramenta de proteção, eficiência e tomada de decisão. Ignorar essa camada costuma parecer mais simples, até deixar de ser.

Autor

Henrique Flôres Cofundador da Contraktor. Formado em Direito e Sistemas para Internet, especialista em Administração e com MBA em Gestão Estratégica, IA e Marketing.

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