Quando começamos a faculdade de Direito, parece que um caminho padrão já está traçado: frequentar as aulas, conseguir um estágio, concluir o curso, passar na OAB ou em um concurso... e então, finalmente, exercer a profissão. É como se bastasse seguir esse roteiro para ter uma carreira de sucesso.
Mas, com o tempo, percebemos que essa trajetória linear, por si só, não é suficiente. A graduação entrega o diploma. Mas quem constrói a carreira, de fato, é você.
E isso exige protagonismo.
Protagonismo significa assumir a responsabilidade pelo próprio desenvolvimento. É deixar de esperar que alguém conduza seu crescimento profissional e começar a agir de forma intencional para aprender, melhorar e evoluir. Para o estudante de Direito, essa postura faz toda a diferença, especialmente no estágio.
Mais do que uma exigência obrigatória do curso, o estágio jurídico é o espaço onde o conhecimento teórico começa a ganhar forma na prática. É ali que conceitos deixam de ser abstratos e passam a ser aplicados em situações reais. É onde se aprende como o Direito acontece fora dos livros, em meio a prazos, clientes, rotinas de escritório ou de órgãos públicos e desafios da vida.
Mas isso só acontece se o estudante estiver disposto a enxergar o estágio como uma verdadeira oficina de aprendizado. E não apenas como mais uma etapa a cumprir.
Não é o ambiente que determina a qualidade do estágio. É a forma como você se posiciona dentro dele.
O estagiário protagonista não se limita a cumprir tarefas. Ele quer entender o porquê de cada orientação. Observa o que está por trás de uma petição, tenta compreender a estratégia adotada, pergunta onde pode ajudar. Quando erra, busca corrigir com responsabilidade. Quando tem dúvidas, não esconde. Quando recebe uma tarefa mecânica, procura entender o contexto e o impacto do que está fazendo.
Por outro lado, há quem assuma uma postura passiva. Apenas espera ordens, evita qualquer desafio, cumpre o básico e reclama quando sente que “não está aprendendo nada”. É fácil cair nesse lugar, especialmente quando o ambiente não é receptivo ou o time não oferece o apoio necessário. Mas ainda assim, há margem para escolher uma postura diferente.
O ponto fundamental é o seguinte: não é a faculdade ou o estágio que moldam seu futuro. É você quem transforma essas experiências em algo relevante para a sua formação. E isso pode (e deve) começar agora, mesmo que você ainda esteja nos primeiros semestres ou num estágio mais simples.
Alguns passos práticos ajudam a cultivar essa postura de protagonismo:
- Buscar com atenção e estratégia a melhor oportunidade de estágio disponível.
- Tratar cada tarefa como uma chance de aprender sobre a lógica prática do Direito.
- Conversar com colegas e profissionais mais experientes sobre desenvolvimento profissional.
Registrar os aprendizados do dia a dia, para desenvolver pensamento crítico e consolidar o que está sendo vivido.
Ser protagonista é estar presente de verdade. É se envolver ativamente com a sua formação. É assumir o compromisso diário de construir, com propósito, a sua própria carreira. E isso ninguém pode fazer por você.