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FGV recomenda desindexar sites de nudify para proteger mulheres e crianças

Policy brief apresenta fundamentação jurídica para medidas preventivas contra ferramentas de IA que geram imagens sexuais falsas sem consentimento.

5/3/2026
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Pesquisadores do Programa de Diversidade & Inclusão e do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio desenvolveram o policy brief "Desindexação de Sites de 'Nudify' pelo Google: Proteção de Direitos Humanos e Prevenção de Violência Online contra Mulheres, Crianças e Adolescentes". O estudo combina análise empírica de dados do Google Trends, ferramenta de análise de tendências de busca da Google com fundamentação jurídica para recomendar que a empresa desindexe imediatamente sites que oferecem ferramentas de "nudificação" por IA - aplicativos que transformam fotos de pessoas reais em imagens sexualizadas falsas, sem consentimento.

Crescimento alarmante no Brasil

A pesquisa analisou 265 semanas de dados do Google Trends (fevereiro de 2021 a fevereiro de 2026) e revelou um fenômeno preocupante: um padrão consolidado de buscas com múltiplos picos por ferramentas de nudificação.

O estudo aponta que, em 28/12/25, foi registrado o pico máximo de interesse (índice 100 no Google Trends), momento em que a ferramenta da empresa “X”, de Elon Musk, o Grok passou a produzir esse tipo de imagem em larga escala em todo o mundo. Em relação ao contexto brasileiro, o estudo mostra que a distribuição geográfica é nacional: todas as regiões do Brasil apresentaram índices significativos, com destaque para Roraima, Santa Catarina, Paraná e Ceará, incluindo estados do Norte e do Nordeste frequentemente sub-representados nos debates sobre violência digital.

Foram identificados diversos termos em situação de crescimento súbito que indicam a busca específica por ferramentas que permitem a falsificação de imagem para a finalidade de nudificação. Muitas das buscas, eram por ferramentas gratuitas. Entre os termos, destacam-se, por exemplo, "nudify undress", "free nudify", "telegram nudify", "despir IA" e "nudes IA".

Pesquisa recomenda que Google desindexe sites de "nudify" para proteger mulheres, crianças e adolescentes.(Imagem: Freepik)

"A indexação desses sites pelo Google amplifica exponencialmente o alcance de tecnologias de abuso, facilitando violência de gênero online e abuso infantil em escala industrial. A velocidade de disseminação exige intervenção imediata pela empresa, considerando que medidas similares já foram adotadas para o combate à distribuição de imagens de abuso sexual infantil (CSAM) e terrorismo", afirma a professora da FGV Direito Rio, Yasmin Curzi, que coordenou o estudo.

O estudo argumenta que o mecanismo de busca do Google funciona como principal portal de descoberta para ferramentas de nudificação.

Para Curzi, a indexação tem dois efeitos críticos, “primeiro, legitima cognitivamente os sites, ou seja, usuários os percebem como seguros ou legais por estarem nos resultados de busca. Segundo a professora, a indexação reduz a barreira de entrada, dispensando qualquer conhecimento técnico avançado. Basta uma busca simples em português para encontrar dezenas de ferramentas gratuitas.

O Google já aplica políticas de desindexação para imagens íntimas não consensuais (NCII) e material de abuso sexual infantil (CSAM). A pesquisa recomenda que a mesma lógica preventiva seja aplicada a sites de nudificação, equiparando-os a essas categorias já reconhecidas pela empresa como prejudiciais.

Clique aqui e acesse o relatório completo!

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