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OAB/ES participa de relatório sobre IA no setor jurídico - Edição 2026

Pesquisa com mais de 1.800 profissionais mostra que a inteligência artificial já integra a rotina jurídica e acelera a busca por capacitação no setor.

30/3/2026
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A rápida transformação tecnológica no setor jurídico tem impulsionado uma mudança na forma como os profissionais do Direito trabalham e se qualificam. É o que revela o Relatório sobre o Impacto da IA no Direito Edição 2026, que aponta que o avanço da IA está ligado à qualificação: 60% dos profissionais que já utilizam a tecnologia passaram por algum tipo de treinamento ou formação na área, e 82% de quem usa frequentemente considera que a capacitação em IA é urgente, além de um fator importante para a competitividade na carreira.

O estudo também mostra que a tecnologia já se consolidou na prática profissional. 77% dos respondentes utilizam inteligência artificial generativa pelo menos uma vez por semana em suas atividades, evidenciando a crescente integração da tecnologia à rotina jurídica.

A amostra reúne profissionais de diferentes áreas do Direito, com predominância do setor privado. Ao todo, 83% atuam na iniciativa privada, sendo que 51% de forma autônoma e 26% em escritórios de advocacia. Já 10% dos respondentes exercem funções no setor público.

A produção de documentos lidera o uso da tecnologia. De acordo com o levantamento, 76% dos profissionais utilizam IA para elaborar peças processuais, tornando essa a aplicação mais comum. Outras atividades também vêm sendo impactadas: 59% utilizam IA para pesquisa jurídica, 58% para redação de pareceres e memorandos e 56% para análise e revisão de contratos. Os dados indicam que a inteligência artificial já avança sobre tarefas estratégicas, indo além de funções operacionais.

O relatório é uma parceria entre: OAB/SP, OAB/PR, OAB/BA, OAB/GO, OAB/PE, OAB/ES, Trybe e ITS Rio.(Imagem: Freepik)

Busca por capacitação se intensifica diante da transformação do setor

O avanço da IA também tem impulsionado uma mobilização por qualificação profissional. Segundo o estudo, 60% dos respondentes já realizaram algum tipo de capacitação na área, refletindo a preocupação em acompanhar a transformação digital do setor. Além disso, 58% classificam o aprendizado em IA como urgente ou importante, e 22% planejam iniciar algum tipo de formação nos próximos três meses, em um movimento para evitar perda de espaço no mercado. A disposição para investir em qualificação também é significativa: 70% afirmam que pretendem investir do próprio bolso em atualização profissional e no uso de ferramentas de IA ao longo de 2026.

Ambiente profissional incentiva adoção da tecnologia

O ambiente corporativo tem desempenhado um papel relevante na disseminação da tecnologia. Cerca de 79% dos profissionais afirmam atuar em organizações que incentivam o uso da tecnologia nas atividades jurídicas. 

A pesquisa foi realizada em parceria entre Jusbrasil, as seccionais da OAB/SP - Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo, OAB/PR, OAB/BA, OAB/GO, OAB/PE, OAB/ES - Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Espírito Santo, além da Trybe e ITS Rio. A iniciativa busca acompanhar a evolução da inteligência artificial no setor jurídico e fomentar um debate qualificado sobre seus benefícios, limites e desafios.

Para Luiz Paulo Pinho, cofundador do Jusbrasil, o avanço da inteligência artificial no setor jurídico também reflete uma mudança estrutural na forma como os profissionais se preparam. "Os dados mostram que o mercado jurídico entrou definitivamente na era da inteligência artificial. Mais do que uma ferramenta de produtividade, a IA passa a ser um diferencial competitivo para advogados e operadores do Direito que querem trabalhar com mais estratégia, profundidade técnica e eficiência", afirma.

Leonardo Sica, presidente da OAB/SP, complementa que hoje, o debate já não é mais sobre se a IA será utilizada, mas sobre como integrá-la de forma estratégica ao trabalho. "Quando usada com critério, a IA permite que o profissional dedique mais tempo ao que realmente faz a diferença: a análise crítica, a estratégia jurídica e a construção de uma relação de confiança com o cliente", completa Sica.

"O profissional do Direito já abraçou a IA, mas os dados mostram um descompasso preocupante: a inovação está acontecendo 'fora do radar' das organizações. É imprescindível e urgente que as lideranças assumam o controle dessa narrativa. O relatório comprova que o resultado real com a IA não acontece por acaso, mas de um ambiente que incentive o uso, garanta governança e invista em qualificação. Capacitar equipes é o alicerce para que o avanço não seja apenas rápido, mas principalmente responsável, produtivo e focado no que o ser humano faz de melhor: a estratégia e o relacionamento com clientes", finaliza Matheus Ganem, CEO da Trybe. 

Metodologia

A pesquisa contou com ampla participação voluntária e reuniu mais de 1.800 respondentes, entre advogados, estudantes e outros operadores do Direito de todas as regiões do país. O volume de respostas confere ao levantamento nível de confiança de 95%, com margem de erro de 2%, permitindo uma leitura representativa do cenário brasileiro em relação ao uso e às perspectivas da IA generativa no setor jurídico. 

Os dados primários foram coletados por meio de um formulário distribuído nos canais digitais das seccionais e das instituições parceiras.

Para conferir a análise, acesse gratuitamente clicando aqui.

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