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Com juristas entre imortais, Academia Brasileira de Letras completa 129 anos

ABL nasceu com a missão de preservar a unidade literária e cultivar a língua e a literatura nacionais.

20/7/2026
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Em 20 de julho de 1897, dezesseis acadêmicos reuniram-se em uma sala do museu Pedagogium, na Rua do Passeio, no Rio de Janeiro, para inaugurar a Academia Brasileira de Letras. Presidida por Machado de Assis, a instituição nascia com o propósito de cultivar a língua portuguesa e a literatura nacional.

Desde sua formação, a ABL também contou com nomes ligados ao Direito. Entre os fundadores estavam Rui Barbosa e Clóvis Beviláqua, juristas que ajudaram a aproximar o universo jurídico da história da instituição.

A sessão inaugural marcou a conclusão de um processo iniciado no fim do século XIX, quando intelectuais passaram a defender a criação de uma academia literária brasileira inspirada na Academia Francesa.

Inspirado na Academia Francesa, o tradicional fardão é um dos principais símbolos da Academia Brasileira de Letras.(Imagem: Arte Migalhas)

Juristas entre os imortais

O Direito está presente na Academia Brasileira de Letras desde sua formação. Entre os fundadores estavam Rui Barbosa e Clóvis Beviláqua, dois dos principais nomes do pensamento jurídico brasileiro.

Essa ligação se manteve ao longo da história da instituição.

Atualmente, integram a Academia Joaquim Falcão, ocupante da cadeira 3; Celso Lafer, da cadeira 14; Alberto Venancio Filho, da cadeira 25; José Roberto de Castro Neves, da cadeira 26; José Sarney, da cadeira 38; e José Paulo Cavalcanti, da cadeira 39.

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Ao todo, a relação de advogados e juristas ligados à ABL reúne 70 nomes, entre patronos, fundadores, antigos ocupantes e integrantes atuais. A seguir, confira a lista organizada por cadeira.

Um pouco de história

A criação da Academia Brasileira de Letras não ocorreu de forma repentina. A ideia começou a ganhar corpo ainda no Império e atravessou diferentes iniciativas até reunir, no fim do século XIX, um grupo de escritores disposto a dar forma a uma instituição dedicada à língua e à literatura nacionais.

Ainda durante o Império, o professor e político Afonso Celso Júnior manifestou-se favoravelmente à criação de uma academia literária nacional. Já na República, o jornalista Medeiros e Albuquerque retomou a proposta.

Ao mesmo tempo, o êxito social e cultural da Revista Brasileira, dirigida por José Veríssimo, reuniu escritores em torno do projeto e deu maior consistência à iniciativa.

Lúcio de Mendonça propôs inicialmente que a Academia fosse criada sob a proteção do Estado. As primeiras notícias sobre o projeto foram publicadas em 10 de novembro de 1896 pela Gazeta de Notícias.

Na ocasião, o jornal informava que a instituição seria criada "nos primeiros dias da República" e reuniria "os homens que tenham já dado as suas provas de amor pela arte da palavra escrita". O plano previa que a Academia fosse instituída por decreto do governo e que seus primeiros integrantes fossem nomeados pelo Poder Público.

A reportagem também destacava a intenção de formar uma instituição “sem distinção de credo político”, capaz de reunir intelectuais de diferentes correntes e deixar "as paixões políticas" fora da nova Academia.

A proposta, porém, não prosperou nesses moldes. Sem o apoio estatal, a Academia Brasileira de Letras foi constituída como instituição privada e independente, por iniciativa de Lúcio de Mendonça e do grupo de escritores reunidos em torno da Revista Brasileira.

A primeira sessão preparatória ocorreu às 15h de 15/12 daquele ano, na sala de redação da Revista Brasileira, situada na Travessa do Ouvidor, nº 31. Na ocasião, Machado de Assis foi aclamado presidente.

A sétima e última reunião preparatória foi realizada em 28/01/1897. Compareceram e instituíram a Academia Araripe Júnior, Artur Azevedo, Graça Aranha, Guimarães Passos, Inglês de Sousa, Joaquim Nabuco, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, Machado de Assis, Medeiros e Albuquerque, Olavo Bilac, Pedro Rabelo, Rodrigo Otávio, Silva Ramos, Teixeira de Melo e Visconde de Taunay.

Também integraram a formação inicial Coelho Neto, Filinto de Almeida, José do Patrocínio, Luís Murat, Valentim Magalhães, Afonso Celso Júnior, Alberto de Oliveira, Alcindo Guanabara, Carlos de Laet, Garcia Redondo, Pereira da Silva, Rui Barbosa, Sílvio Romero e Urbano Duarte.

O grupo reunia inicialmente 30 integrantes. Para alcançar os 40 membros previstos segundo o modelo francês, foram eleitos Aluísio Azevedo, Barão de Loreto, Clóvis Beviláqua, Domício da Gama, Eduardo Prado, Luís Guimarães Júnior, Magalhães de Azeredo, Oliveira Lima, Raimundo Correia e Salvador de Mendonça.

Os estatutos foram assinados por Machado de Assis, presidente; Joaquim Nabuco, secretário-geral; Rodrigo Otávio, 1º secretário; Silva Ramos, 2º secretário; e Inglês de Sousa, tesoureiro.

"Unidade literária"

Na sessão inaugural de 20 de julho, Machado de Assis fez uma alocução preliminar. Em seguida, Rodrigo Otávio leu a memória histórica dos atos preparatórios e Joaquim Nabuco pronunciou o discurso inaugural.

Ao assumir a presidência, Machado afirmou que a Academia nascia "com a alma nova, naturalmente ambiciosa" e indicou como objetivo da instituição conservar, em meio à federação política, a unidade literária do país.

"O vosso desejo é conservar, no meio da federação política, a unidade literária. Tal obra exige, não só a compreensão pública, mas ainda e principalmente a vossa constância."

Machado também destacou que a Academia pretendia conciliar tradição, estabilidade e progresso. A escolha de nomes da literatura nacional para batizar as cadeiras, segundo ele, já demonstrava o compromisso da instituição com a preservação da memória literária.

"Passai aos vossos sucessores o pensamento e a vontade iniciais, para que eles o transmitam aos seus, e a vossa obra seja contada entre as sólidas e brilhantes páginas da nossa vida brasileira."

Ao fim da fala, o escritor declarou aberta a primeira sessão da Academia.

Da sede própria à primeira acadêmica

A consolidação da Academia Brasileira de Letras também passou pela formação de um patrimônio próprio e pela criação de uma sede permanente.

Um passo importante ocorreu quando a instituição se tornou herdeira universal do livreiro-editor Francisco Alves de Oliveira, que lhe deixou toda a sua fortuna. Em testamento, ele determinou que a Academia promovesse concursos para premiar monografias com contribuições originais ao desenvolvimento do ensino e da língua portuguesa no país.

Anos depois, a ABL recebeu do governo francês uma réplica do Petit Trianon de Versalhes. Construído para abrigar o pavilhão da França na Exposição Internacional do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, o prédio tornou-se a primeira sede própria da instituição.

Até hoje, o Petit Trianon abriga reuniões regulares dos acadêmicos, sessões solenes e cerimônias de posse.

Décadas depois, a Academia viveu outro marco de sua história com a eleição de Rachel de Queiroz, primeira mulher a integrar a instituição. A eleição rompeu uma barreira e abriu caminho para a presença feminina entre os imortais.

Fica o desejo para que os próximos capítulos da Academia sejam escritos por um número cada vez maior de mulheres.

Primeira acadêmica da ABL, Rachel de Queiroz rompeu uma tradição centenária ao ingressar na instituição em 1977.(Imagem: Reprodução/ Folha de S.Paulo)
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