Um homem de 71 anos deixou a prisão, nos Estados Unidos, após passar 41 anos no corredor da morte por um homicídio que afirma não ter cometido.
Douglas Stewart Carter foi libertado sob fiança nesta segunda-feira, 28, no Estado de Utah, depois que uma nova análise de DNA não encontrou correspondência entre seu material genético e vestígios recolhidos na cena do crime.
Carter havia sido condenado à morte pelo assassinato de Eva Olesen, ocorrido em 1985. A vítima foi encontrada morta dentro de casa, em Provo, após ser esfaqueada diversas vezes e baleada na parte de trás da cabeça.
Desde a condenação, Carter sustenta ser inocente e afirma que a confissão apresentada contra ele foi obtida sob coerção.
A libertação ocorre enquanto o caso aguarda novo julgamento.
Em 2025, a Suprema Corte de Utah anulou a condenação e determinou que Carter fosse novamente julgado após reconhecer problemas relacionados à atuação dos investigadores responsáveis pelo caso.
Condenação
À época do crime, Carter, natural de Chicago, vivia com a mãe em Utah. A polícia passou a suspeitar que ele teria matado Eva durante um roubo.
Ele deixou o Estado por acreditar que era procurado em outro caso e acabou localizado em Nashville, no Tennessee. Durante o interrogatório, assinou uma confissão que posteriormente afirmou ter sido obtida mediante coerção.
Não havia, segundo os registros judiciais mencionados pela BBC, evidências físicas que o ligassem à cena do crime. A condenação foi sustentada principalmente pela confissão e pelos depoimentos de duas testemunhas, que disseram que Carter havia se vangloriado de ter cometido o assassinato.
Anos depois, porém, esses relatos foram colocados em dúvida.
Em 2011, as duas testemunhas afirmaram que haviam sido orientadas a mentir durante o julgamento. Também disseram ter recebido dinheiro e presentes da polícia e terem sido ameaçadas de deportação caso não testemunhassem contra Carter.
A defesa ainda sustentou que testemunhas teriam visto um homem branco deixando o local do crime e acusou um investigador de ocultar informações que direcionavam suspeitas ao marido da vítima, Orla Olesen, morto em 2009.
DNA
Uma nova peça foi acrescentada ao caso neste mês.
Segundo os promotores, análises de DNA excluíram Carter como possível origem de sangue encontrado em uma maçaneta e de material genético recolhido no cabo da faca localizada perto do corpo da vítima.
A arma de fogo utilizada no homicídio nunca foi encontrada no local.
Diante dos novos resultados e enquanto aguarda outro julgamento, Carter recebeu autorização judicial para deixar a prisão mediante fiança. Ele deverá usar monitoramento por GPS.
A decisão foi contestada pela família de Eva Olesen. Durante a audiência, a nora da vítima, Theresa Olesen, afirmou que os familiares têm "sérias preocupações" com a libertação e defenderam que Carter permanecesse preso até o novo julgamento.
Para a defesa, por outro lado, os novos elementos justificam o encerramento do processo. O advogado Neal Hamilton lembrou que Carter poderia ter sido executado anos antes de serem descobertas as irregularidades que levaram à revisão de sua condenação.
Informações: BBC.