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Ataque hacker à Binance: Advogado analisa roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas

Especialista em criptoativos, Flávio Filizzola D’Urso explica como o bloqueio de moedas digitais pode ajudar a conter prejuízos e alerta para a necessidade de investimentos em cibersegurança.

1/11/2026
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O ataque hacker que provocou o roubo de US$ 6,3 bilhões da Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, reacendeu o debate sobre os riscos de segurança no mercado de ativos digitais.

Para o advogado Flávio Filizzola D’Urso (D’Urso e Borges Advogados Associados), especialista em criptoativos e presidente do Inecripto - Instituto Nacional de Estudos sobre Criptoativos, o episódio evidencia a necessidade de ampliar os investimentos em cibersegurança, especialmente no ambiente empresarial.

O crime ocorreu na quinta-feira, 29, quando invasores conseguiram desviar bilhões de dólares em criptomoedas, incluindo Bitcoin, Ether e stablecoins, em aproximadamente 20 minutos. Considerado o maior roubo da história do setor, o ataque levou a Binance a suspender temporariamente os saques e iniciar uma operação para rastrear os valores desviados.

Em vídeo enviado ao Migalhas, D’Urso analisa as circunstâncias da invasão, explica as dificuldades para bloquear determinadas criptomoedas e alerta para os desafios impostos pelo avanço das tecnologias utilizadas em ataques cibernéticos.

Assista:

Segundo o especialista, as investigações preliminares apontam que o ataque pode ter explorado uma vulnerabilidade no computador de um engenheiro da própria Binance. Entretanto, outras possíveis falhas de segurança ainda estão sendo apuradas.

"Este novo incidente, desta vez contra a maior corretora de criptomoedas do mundo, reforça os riscos inerentes ao ambiente virtual, especialmente para as empresas."

Bloqueio de criptomoedas

Uma das particularidades do episódio, segundo D’Urso, está na possibilidade de bloquear parte dos ativos desviados, dependendo das características de cada criptomoeda.

Após o ataque, aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos digitais foram congelados com a colaboração de empresas do setor. O bloqueio, entretanto, não significa que os recursos tenham sido efetivamente recuperados.

O advogado explica que stablecoins como USDT e USDC, desenvolvidas para manter valor estável em relação a moedas tradicionais, possuem entidades emissoras capazes de impedir determinadas movimentações.

"No caso das stablecoins, como há uma empresa emissora responsável, existe a possibilidade de se congelar valores."

A situação é diferente com criptomoedas descentralizadas, como Bitcoin e Ether, que não possuem uma entidade central com poder para interromper unilateralmente as transferências.

Nesses casos, explica o especialista, é possível acompanhar a movimentação dos ativos por meio da blockchain, tecnologia que registra publicamente as transações realizadas na rede, mas não bloquear diretamente os valores.

Binance promete cobrir prejuízos

Apesar da dimensão do ataque, a Binance afirmou que os clientes não sofrerão perdas financeiras decorrentes do incidente.

Em comunicado divulgado no sábado, 31, a corretora informou que já havia recomposto 90% dos ativos afetados e que continuará adquirindo as criptomoedas restantes até alcançar a cobertura integral dos valores desviados.

Para isso, a empresa utiliza recursos próprios, parte de seu fundo emergencial de proteção aos usuários, conhecido como SAFU, e reservas de um fundo de seguro destinado a operações com criptomoedas.

A plataforma também informou que pretende retomar os saques neste domingo, 1º, após a suspensão temporária adotada como medida de segurança.

Alerta para a cibersegurança

Para D’Urso, o episódio não deve ser analisado apenas pela dimensão financeira do prejuízo, mas também como um alerta sobre a vulnerabilidade de sistemas digitais e a necessidade de prevenção.

O advogado chama atenção, ainda, para os desafios associados ao desenvolvimento da inteligência artificial e à possibilidade de utilização dessas ferramentas na identificação e exploração de falhas de segurança.

"Estamos em um momento desafiador e bastante complexo para a cibersegurança, especialmente com a evolução da IA e seu crescente uso em ataques cibernéticos."

Na avaliação do especialista, o avanço tecnológico exige que empresas revisem continuamente suas estruturas de proteção e adotem medidas capazes de reduzir a exposição a invasões.

"Essa nova realidade demanda uma maior atenção e muito cuidado, em especial por parte das empresas, para mitigar, o quanto possível, o risco de serem vítimas de crimes virtuais."

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