Migalhas

Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

ISSN 1983-392X

Gramatigalhas
José Maria da Costa

Aguar

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Recebemos do leitor Conrado de Paulo a seguinte mensagem:

"Prof. José Maria, Qual é o certo? 'Que se apazigúe', ou 'Que se apazígüe' ? Existe regra, sem exceção, para aguar, enxaguar, e verbos do gênero ?"

1) Modernos gramáticos lecionam que este verbo, quanto à pronúncia, deve seguir averiguar, o que, segundo eles, significa que se deva pronunciar: agúo, agúas...

2) Melhor posição, todavia, parece estar com outros – como, por exemplo, Otelo Reis – para os quais aguar, enxaguar e desaguar devem seguir a pronúncia geral do povo: enxáguo, enxáguas..., enxágüe...

3) Seguindo essa última corrente, que parece a mais aceitável, algumas regras podem ser fixadas para a conjugação desses verbos:

I) – o u sempre é pronunciado, como se dá na palavra água;

II) – a sílaba forte, nesses casos de maior dúvida, recai no a;

III) – quando ao u se segue e, usa-se o trema.

4) Essa é a posição de diversos autores clássicos, de bons autores modernos e do próprio Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras.

5) Em termos mais práticos, nos tempos em que há maiores problemas – presente do indicativo e presente do subjuntivo – assim fica sua conjugação: águo, águas, água, aguamos, aguais, águam (presente do indicativo); ágüe, ágües, ágüe, agüemos, agüeis, ágüem (presente do subjuntivo).

6) Em outros tempos verbais, muito mais do que a conjugação verbal, eventuais problemas referem-se ao uso do trema: agüei, aguaste...

7) Reitere-se que por aguar se conjugam desaguar e enxaguar.

José Maria da Costa

José Maria da Costa, é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

-