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A colaboração do TransplantAR na captação de órgãos humanos

domingo, 27 de setembro de 2026

Atualizado em 25 de setembro de 2026 10:19

Dia 27/9 é comemorado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data instituída pela lei 11.584/07. O doador de órgãos, pode-se dizer, em sua essência, é aquele que realiza um ato que transcende a generosidade humana. Descobre-se agora que o corpo humano é um repositório infindável de órgãos, com a possibilidade de doá-los e recebê-los. E, importante, sem conhecer o receptor beneficiado. É um ato de extrema solidariedade, revelador de um sentimento humanitário e merecedor de todo respeito e admiração.

Cabe aqui, nesta oportunidade, além de enaltecer e elogiar todas as famílias doadoras de órgãos e reconhecer a extensa rede que colabora para esta verdadeira missão, desde as equipes multiprofissionais (e-DOT), Centrais Estaduais de Transplantes, equipes de retirada, de captação e vários outros profissionais que participam, de qualquer forma, de tamanha empreitada, até chegar aos médicos transplantadores, fazer referência ao projeto TransplantAR.

O SNT - Sistema Nacional de Transplantes, pela legislação existente, é o órgão responsável para regulamentar, coordenar a doação e a realização dos transplantes de órgãos, tecidos, células e partes do corpo humano, tudo obedecendo rigorosamente à lista única da espera de transplantes. Tem, também, dentre outras, a competência de dispor sobre o fluxo operacional de acionamento das missões da FAB - Força Aérea Brasileira no transporte de órgãos, tecidos, das equipes de retirada ou de transplantes. É o maior programa público de transplante do mundo e totalmente custeado pelo SUS - Sistema Único de Saúde.

No Estado de São Paulo foi criado um programa, endossado pelo Governo, em parceria com o Instituto Brasileiro de Aviação, que leva o nome TransplantAR. Trata-se de uma ação que envolve empresários que, de forma voluntária, assumem uma postura digna de ser seguida. Consiste na doação de horas de voos de aviões e helicópteros para realizar a tarefa de captação de órgãos em vários estados do Brasil, assumindo os custos com o combustível, manutenção e outras despesas operacionais, tudo tendo como parâmetro a biruta da solidariedade. É certo que o Ministério da Saúde mantém uma estrutura de transporte gratuito de órgãos com empresas de aviação civil, mas nem sempre o prazo de isquemia do órgão pode aguardar o horário do voo anteriormente programado.

São ações silenciosas e discretas, mas trazem resultados que mudam para sempre a vida das pessoas que necessitam de um órgão, assim como de seus familiares. Não se trata de uma substituição do dever do Estado e sim de uma inspiração para ser levada adiante em qualquer outra atividade pública que tem no particular um acólito perfeito. E, no caso ora comentado, por se tratar de uma causa nobre, conta também com a adesão popular, pois os resultados são extraordinários.

Basta ver, no quadro abaixo, o expressivo aumento de voos e transplantes realizados com sucesso pelo TransplantAR de 10/10/24 até 19/9/26:

130 voos realizados (último em 19/9/26)

  • 59 voos em helicópteros;
  • 33 voos em aviões turboélice;
  • 38 voos em aviões a jato;

Total de órgãos captados até o momento:

  • 77 corações (15 pediátricos) – (1 descarte in loco);
  • 28 fígados (01 descarte in loco) + 02 pâncreas;
  • 18 pulmões (04 descartes in loco);
  • 20 cidades em São Paulo (de 13 km (Capital) a 556 km (Presidente Prudente);
  • 20 cidades da Região Sul, Sudeste e Centro-Oeste (GO, MS, RJ, ES, SC, PR, BA e TO – 632 a 2.083 km);
  • Total de 53.000 quilômetros voados + conceito multimodal em 80% dos casos de coração;
  • Tempo de isquemia dos corações: menor foi 02:21 horas e mais longo foi 05:54 horas;
  • Corações pediátricos: 14 corações (3 meses até 14 anos);
  • Voos em parceria “complementar” com a FAB (e com PMESP (Águia) + DEIC (Pelicano);
  • 1 fígado (exclusivamente no Estado do Paraná): Maringá – Curitiba / Curitiba – Maringá.

Assim, nesta junção de uma parceria público-privada sui generis, esboçada até com simplicidade, o que importa é o considerável aumento de órgãos para transplantes chegando ao seu destino e ofertando novas oportunidades de vida para os pacientes que há muito tempo aguardam tamanha chance. São voos que, apesar do pouco tempo de experiência, carregam esperança operando na medida do tempo de isquemia de cada órgão.

Fica demonstrado, de forma inequívoca, que a responsabilidade do Estado não impede a participação da sociedade na realização das políticas públicas. As boas intenções podem fazer a diferença na otimização e aperfeiçoamento das propostas públicas e produzem experiências bem-sucedidas.

A solidariedade ainda não desapareceu do dicionário contemporâneo.