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O alerta do Novembro Azul

domingo, 8 de novembro de 2026

Atualizado em 6 de novembro de 2026 11:53

O certo e o correto é que todas as pessoas, de forma espontânea, procurem pelos serviços de saúde para a realização de exames preventivos que tenham por finalidade diagnosticar a ocorrência de eventuais doenças graves. É sabido, conforme recomendado pela OMS, que tais práticas possibilitam a detecção precoce de doenças, o planejamento de políticas públicas e, principalmente, a redução da mortalidade.

Assim, homens, mulheres e crianças devem se submeter às recomendações médicas de suas faixas etárias para evitar o agravamento de doenças silenciosas. Prevalece, portanto, a regra de que a pessoa não deve aguardar os sintomas para cuidar da saúde. Tudo aquilo que for realizado de forma preventiva trará, sem dúvida, dividendos de saúde.

Daí que surge a campanha do Novembro Azul, em continuidade com a do Outubro Rosa, para alertar os homens sobre a necessidade do diagnóstico precoce de doenças masculinas, tendo o câncer de próstata, como foco principal, já que este é o segundo tipo de doença mais comum entre eles. Cuidar da própria saúde, mudar a relação com o próprio corpo e adotar hábitos de prevenção traduzem em benefícios infindáveis.

Novembro Azul, enlaçado pela fita azul, vem para alertar os homens da importância do diagnóstico preventivo do câncer de próstata. O nome é relacionado com o dia 17/11, considerado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata. Na Austrália, em 2003, surgiu o movimento Movember, que é a junção da palavra "moustache", que significa bigode, com "november", referente ao mês de novembro, dedicado à saúde do homem. Daí que os símbolos da campanha passaram a ser, no Brasil, o bigode e a fita de cor azul.

O Ministério da Saúde editou o programa da PNAISH - Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem buscando a população masculina na faixa etária dos 20 aos 59 anos de idade, com a finalidade de chamar a atenção e despertar o interesse pela própria saúde, além de propiciar a ele os serviços, preventivos ou não, dos agravos com maiores taxas de ocorrência.

Os estudos indicam alguns riscos que favorecem o diagnóstico de câncer de próstata: o primeiro deles é a própria idade. Quanto mais idoso, maior a chance de se detectar a doença. O segundo é o histórico familiar da ocorrência da doença entre os membros da família. O terceiro é a obesidade, quando o homem apresentar peso corporal mais elevado.

Não se pode, no entanto, obrigar o cidadão a se submeter aos exames de diagnóstico de câncer de próstata. O serviço deve ser oferecido, mas ele, como paciente, no âmbito de sua autonomia da vontade - que é justamente o seu juízo de autodeterminação e decisão – é que irá decidir e se responsabilizar pela escolha feita.

É de se observar que a nota técnica 9/23 do Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional do câncer de próstata e, em seu lugar, descortinou amplo atendimento e discussão sobre os possíveis riscos e benefícios para a tomada de decisão compartilhada com os homens que solicitarem exames de rastreio.

Em contrapartida, recomenda a realização do exame de antígeno prostático específico (PSA) e o toque retal para a avaliação de homens com elevado risco para neoplasia prostática. Assim, em caso de suspeita de câncer, a investigação e o tratamento adequados, devem ser iniciados de forma célere para atingir o resultado desejado.

Também, como medida de inovação, a lei 14.694/23 - que instituiu o Novembrinho Azul - trouxe mudança relevante. Referida Lei tem por objetivo provocar discussão a respeito de medidas de prevenção para meninos de até 15 anos para vislumbrar condições que se apresentem como fatores de risco de doenças adultas, com o oferecimento de serviços e procedimentos da mais avançada tecnologia visando afastar as possíveis doenças futuras.