Noventa anos, distribuindo amor.
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Atualizado em 11 de agosto de 2026 10:05
Há trinta, quarenta anos, não se falava em comemoração pelos noventa anos de ninguém. Poucos viviam por dez décadas. E quem conseguia a façanha, em regra, não vivia, aguardava a passagem.
Hoje, o avanço etário é uma realidade, as pesquisas nos provam.
Estamos vivendo mais. O velho de ontem era mais velho do que o velho de hoje.
Isso também porque homens e mulheres mantem-se mais jovens, pois o seu entusiasmo pela vida ultrapassa as barreiras impostas pela idade.
No passado, com cinquenta anos calçava-se chinelos. Eles representam um símbolo de desistência. Chinelos nos pés, preguiça no corpo e letargia no espírito. “Deixa a vida me levar”, sem dela participar.
Os eventos que se apresentam em nossa vida são aproveitados e vividos pelos idosos que não calçaram chinelos. Os outros cobriram os seus pés e se afastaram da maravilhosa experiência de viver.
Felizmente, os “pés descalços” possuem vigor e coragem para caminhar, ferir os pés, e continuar caminhando pelos caminhos que escolheram.
Assim, está acontecendo com o imortal das Academias Brasileira e Paulista de Letras, Ignácio de Loyola Brandão.
Orgulho-me em ser seu amigo. Para mim essa sua amizade é um galardão. Talvez não o mereça. Mas como ele me aceitou, sua amizade tornou-se uma condecoração.
Ig, como eu o chamo, fez noventa anos. Hoje, muitos o fizeram, espero que eu também faça. Mas, no seu caso o realce a ser feito diz respeito ao afeto, ao carinho que as pessoas dedicam a ele.
Eu dou o meu testemunho desse amor de todos nós por ele. Estive nas suas comemorações dos seus noventa.
Lá estava uma diversidade de pessoas que bem traduz o seu universo humano, representado por jornalistas e literatos. Jornalismo e literatura, que traduzem suas extraordinárias vocações, que ele transformou nas razões do seu viver.
Uma outra sua vocação, essa não profissional, é a de cultivar e manter amigos e amigas. Todos se fizeram, representar por um enorme contingente de parentes, amigos e admiradores.
Pode-se pensar que todos eram da imprensa ou da literatura. Grande engano. Havia representantes de vários setores da cultura, das artes, das profissões liberais, do magistério, da sua amada Araraquara.
Estavam o aplaudindo Márcia, sua adorável companheira, Bia, simpática mãe de seus filhos André, Daniel, seus netos, dentre os quais a minha amiga Antônia filha de Rita, demais parentes e uma alegre embaixada de senhoras originárias de Araraquara, amigas de Márcia. Advogados, médicos, homens do mercado, publicitários, enfim o universo Ignaciano, amplo, diria infinito.
Pode-se perguntar por que um leque tão amplo? Eu respondo, porque Ig é um ser que acolhe o seu semelhante e quem acolhe ama Noventa anos de acolhimento indiscriminado. Noventa anos distribuindo afeto, solidariedade, compreensão humana. Enfim, nove décadas de amor ao próximo.