Amor e devastação: O dia em que o futebol deixou de ser importante
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Atualizado em 28 de outubro de 2026 11:43
Abri o UOL na noite de segunda-feira, 26/10, e fui devastado com o título de texto do jornalista, ou melhor, do amigo Juca Kfouri: "A dor devastadora da perda de Camila".
Camila é – e sempre será – filha de Juca e Leda Kfouri. Foi-se, prematuramente, com apenas 48 anos.
Sobre ela, nada posso falar, pois não a conheci pessoalmente. Mas conheço os pais e testemunho o amor que lhe devotam.
Juca protesta contra a agressão ao ciclo natural da vida. Um protesto que transborda de seu coração e avança, devastadoramente, sobre os corações de seus amigos e amigas.
Camila foi, como ele afirma, uma de suas paixões. E pela forma como ele se relaciona com outras paixões públicas (e, pela natureza, menores), como o seu Corinthians, pode-se imaginar (ou não se pode) a devastação da perda de paixão incomparavelmente maior.
Quando perdi meu pai, Juca Kfouri publicou, na Folha, um texto sobre o meu velho. Ainda me emociono com a homenagem. Lembro disso porque, se no plano material ele se foi, no espiritual, paradoxalmente, passou a ser mais presente.
Mas a situação não é a mesma; é injustamente diferente. Um filho (ou filha) imagina que verá o pai partir; um pai reza, mesmo que seja ateu, para não se despedir do filho. E ainda mais da filha. Mesmo que, espiritualmente, a presença se intensifique e se torne permanente.
Sim, como o próprio Juca diz, ele a levará consigo até o fim; e até o fim Camila estará, sob outra forma, com ele – e com Leda.
Meu amor pela família Kfouri me impede de continuar. As palavras não mais se revelam ou se conectam. Perdem-se na falta de significado.