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Quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

ISSN 1983-392X

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Luciana Carvalho Fonseca

O poder das preposições no inglês jurídico: agree e charge

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008


O poder das preposições no inglês jurídico: agree e charge

De que as preposições são um grande desafio para o falante de língua estrangeira, ninguém duvida. Que o desafio é ainda maior na linguagem de especialidade, é o que pretendemos ilustrar na coluna de hoje.

Algumas das preposições mais comuns em inglês são: about, above, over, across, along, around, before, below, under, beside, between, by, with, from, during, in, for, at, down, of, off, into, onto, of, behind, beyond, against, by, despite, till, to, within. O rol é extenso e o papel delas, enorme.

As preposições são poderosas. São capazes de mudar a acepção de um verbo ou de um substantivo.

É o que acontece com o verbo agree. Se agree vier seguido da preposição with, terá a acepção de 'ter a mesma opinião que alguém'. Se seguido de to, a acepção é 'obrigar-se a'.

Exemplos:

a) agree with – If Licensee does not respond or make an effort to agree with Board on the disposition of rights in the subject invention, then Board may file an application at its own expense.

b) agree toYou agree to comply strictly with all such laws and regulations and acknowledge that you have the responsibility to obtain such licenses to export.

O mesmo ocorre mais intensamente com charge. Se seguido de for, corresponde a 'cobrar algo'. Seguido de at, 'cobrar por [hora]'. Seguido de to, 'cobrar de alguém'. Se seguido de with, é 'acusar alguém de algo'.

Exemplos:

a) charge for…in the event of them not being removed the Landlord shall be entitled to remove the same at the sole risk of The Tenant and to charge the Tenant for the cost of removal and storage…

b) carge at… the time of each [law professional] will be charged at his or her hourly rate.

c) charge toIf, while this agreement is in effect, Law Firm increases the hourly rates being charged to clients generally for attorney's fees, that increase may be applied to fees incurred under this agreement…

d) charge withThe mayor of Birmingham was arrested by federal agents and charged with taking bribes in exchange for doling out county financial business.

Em relação a charge, abordamos acima apenas algumas das preposições da regência verbal do lexema. No caso do substantivo charge, as preposições que o regem são outras como, por exemplo, upon e against. No primeiro caso, a acepção é a de 'ônus sobre um determinado bem'. No segundo, 'acusação contra alguém'.

Exemplos:

a) charge upon[ the party ] shall pay all claims for labor, materials or supplies which if unpaid might by law become a lien or charge upon any property of the Guarantor or any of its Subsidiaries.

b) charge against…there is no charge or complaint against the Company or any Company Subsidiary by the National Labor Relations Board.

O fenômeno da multiplicação das acepções de um mesmo lexema em virtude da preposição que o segue é mais evidente nos famosos e temidos verbos frasais (phrasal verbs) (e.g.).

E como lidar com tanta diversidade? Há alguma regra?

Infelizmente, regras não há, pois o emprego das preposições faz parte da idiomaticidade e convencionalidade da língua, ou seja, do 'jeito que a gente diz' (Tagnin, 2006).

Para não cair nas armadilhas das preposições, ao buscar a acepção de uma palavra, verificar se a definição ou tradução apresentada na obra de referência (e.g. dicionário, glossário, vocabulário) ou fonte de consulta (e.g. corpus eletrônico, manuais de tradução) vem abonada (i.e. com exemplos), e se dessas abonações constam as respectivas preposições.

Em se tratando de preposições, todo cuidado é pouco, pois o emprego incorreto é capaz de transformar o sentido pretendido.

Referência:

a) TAGNIN, S.E.O. (2005) O jeito que a gente diz: expressões convencionais e idiomáticas. São Paulo: Disal.

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Mensagem de fim de ano: A colunista gozará de breves férias a partir da próxima semana e estará de volta em janeiro. Gostaria de agradecer aos leitores pelas valiosas contribuições à MigaLaw English. Feliz 2009!

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Luciana Carvalho Fonseca

Luciana Carvalho Fonseca, é professora doutora do Departamento de Letras Modernas (DLM) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) e da pós-graduação em Tradução (TRADUSP). Fundadora da TradJuris - Law, Language and Culture e autora dos livros "Inglês Jurídico: Tradução e Terminologia" (2014) e "Eu não quero outra cesárea" (2016).

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