terça-feira, 9 de agosto de 2022

COLUNAS

  1. Home >
  2. Colunas >
  3. Porandubas Políticas >
  4. Porandubas nº 260

Porandubas nº 260

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Atualizado às 08:40

Compre um paraquedas

Na Escola Superior de Cinema da PUC de Minas Gerais, o professor Pedro Paulo Santos lecionava a filosofia da arte. Inteligência fulgurante. Dominava os alunos com charme e cultura. Não conseguia, porém, transmitir aos futuros cineastas os seus conhecimentos, muito além da capacidade da turma. Certo dia, Pedro Paulo, absorto, desligado, voava alto nas suas considerações sobre a imagem cinematográfica. De repente, uma interrupção :

- Professor, quando o senhor terminar toda a matéria, nós vamos receber diploma ou brevet ?

Pedro Paulo, com a sua proverbial elegância, apenas murmura :

- Quem não estiver preparado, que compre um paraquedas !

Melhor que a encomenda

Este consultor tem ouvido por aqui e por ali : Dilma está indo bem; está melhor que a encomenda. Pinço as razões : discreta, sem açodamentos, sem o uso (nem abuso) do palanque de Lula; fazendo, até o momento, um gerenciamento eficaz. E as pressões dos partidos, como são administradas ? Via Palocci. O Chefe da Casa Civil tem funcionado como o balcão de procura e oferta, o organizador dos espaços. Quando as pressões são mais contundentes, principalmente por parte dos grandes partidos, como PMDB, o vice-presidente, Michel Temer, entra em cena. Michel tem feito o papel de algodão entre cristais.

Furnessiês

Pois é, o neologismo acima quer dizer : os dossiês de Furnas. O ministro Luiz Sérgio, das Relações Institucionais, recebeu um dossiê apócrifo, de 3 laudas, contendo desvios e impropriedades que teriam sido cometidas por indicados do PMDB. A encomenda foi empacotada para derrubar o atual presidente, Carlos Nadalutti, ligado ao deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ). Foi enviada ao ministro por Jacob Bittar, que é do PT e exerce o cargo de secretário de Habitação da Prefeitura do Rio, cujo prefeito é Eduardo Paes, do PMDB. Cunha, não conformado com o balaço, levantou a questão dos aloprados. Aí a coisa esquentou. A presidente Dilma pediu ao vice Michel e a Palocci que equacionassem a questão. O ministro Lobão, das Minas e Energia, tem a solução "técnica" nas mãos.

Em busca do Eldorado

Na verdade, os partidos - todos - buscam o Eldorado, os espaços recheados de tesouros do governo Dilma. Orçamento de Investimentos nas Estatais : R$ 107,5 bilhões. Grupo Petrobrás, R$ 91,3 bilhões; Grupo Eletrobrás, R$ 8,1 bilhões; Furnas (grupo Eletrobrás), R$ 1,26 bilhão; Chesf, R$ 1,5 bilhão; Eletrosul, R$ 445 milhões; Companhia Docas, R$ 705 milhões; Conab, R$ 2,8 bilhões; DNIT, R$ 15,5 bilhões; DNOCS, R$ 892,8 milhões. Essa é a montanha que os partidos tentam escalar.

Os Capiberibes

Este consultor sempre teve os Capiberibes, do Amapá, em bom conceito. E acredita que eles são vítimas de armação política, coisa sórdida que se espraia no país, na esteira da competitividade eleitoral. Há mais de 4 anos, o casal Janete e João, ela deputada, ele, senador, passam por um corredor polonês armado para corroer sua identidade. João foi eleito senador em 2002 e Janete, eleita deputada em 2006. Processo contra eles : teriam comprado 2 votos de duas empregadas domésticas por R$ 26, cada uma. Foram cassados em 2008. Processo que se revelaria cheio de fantasias. Nas últimas eleições, João foi novamente consagrado nas urnas. Janete, deputada mais votada. Ganharam novo processo. E o TSE os cassou novamente. A cassação de João refere-se a um caso do mandato anterior. E agora ? Os próximos 8 anos são também cassados ? Sei não. Parece emboscada. STF dará palavra final.

Eleitores negam

Suprema Corte deverá examinar melhor as curvas das denúncias. Processo contra João e Janete tem coisas inconsistentes : 6 eleitores que constam como testemunhas negam ter recebido dinheiro para votar no senador e na deputada. Jeito de armação.

Meirelles, o Apo

Henrique Meirelles deverá ser a Autoridade Pública Olímpica. Em termos mais legíveis : o comandante da avalanche de obras para a Copa de 2014 e para a Olimpíada de 2016. De expert em finanças, câmbio e juros, para obreiro mor dos esportes nacionais. Meirelles é um quadro que não poderia ficar dependurado na parede.

Socorro, socorro !

João Botelho, candidato a prefeito de Belém, passou o dia inteiro anunciando um comício, à noite, na praça Brasil. Chegou na praça, não havia ninguém. Será que estou no lugar errado ? pensou. Será que não estou enganado ? Perguntou ao assessor.

- Não houve engano não, deputado, a praça é esta mesma.

Foi ao bar mais perto, pediu dois caixotes de madeira, pôs no centro da praça, subiu e passou a berrar alucinado :

- Socorro, Socooorro, Socoooooooro!

Correu gente de todo lado para ver o que era. Plateia arrumada, Botelho começou o comício :

- Socorro para um candidato...

E fez o comício.

Posse e afastamento

Ontem, tomaram posse os 513 deputados e os 54 senadores da 54ª legislatura. Muitos deputados pedirão imediatamente licença para voltar aos Executivos Estaduais. Constituem uma reserva técnica dos governadores. Reassumirão o cargo no Parlamento sempre que necessário para aprovação/desaprovação de matérias de alta prioridade.

Sarney e a promessa

Registro histórico : Sarney se reelege mais uma vez como presidente do Senado. Promete lutar pela reforma política. E diz que é a última vez como presidente. A conferir.

Maia regimental

Rodrigo Maia adaptou o regimento do DEM para harmonizar a expressão do partido. É o que alega. Mas a tal harmonização teve esta medida : diminuição do poder do Conselho do Partido em detrimento do aumento da força do presidente. Coisa ardilosa. Para coibir quaisquer decisões que pudessem atrapalhar as intenções do presidencialismo partidário.

Janela para Kassab

O prefeito Gilberto Kassab carece de uma janela para fazer a migração partidária entre DEM e PMDB. Sob o prisma de mera migração pessoal - sua saída para o PMDB - diz que tem motivos fortes. E ancorados em pareceres jurídicos. Essa harmonização de linguagem feita pelo presidente Rodrigo Maia, por exemplo, poderia ser mais um argumento para justificar a saída do prefeito. Ocorre que Kassab não quer migrar sozinho. Gostaria de levar um bom conjunto, algo como 20 parlamentares, 50 prefeitos e até um ou outro senador. Por isso, precisaria de uma janela mais segura.

O galo, doutor

Newton Rique era candidato a prefeito de Campina Grande, em 63, contra o deputado Langstine Almeida. Foi fazer comício no bairro de Casa da Pedra. Mandou bala no aumento do custo de vida :

- Imaginem que uma galinha está custando mil cruzeiros. Quem pode comer uma galinha de mil cruzeiros ?

Lá no fundo, um bêbado gritou :

- O galo, doutor !

Acabou o comício.

Projeto Dornelles

A ferramenta mais adequada para abrir a janela tão ansiada por Kassab seria o projeto do voto majoritário, de autoria do senador Dornelles. Esse projeto está entrando na pauta do senado. Acaba com o voto proporcional, consequentemente com as coligações proporcionais, e estabelece o voto majoritário. Os mais votados em cada Estado serão os eleitos, dentro das cotas estaduais. Pois bem, como se trata de matéria constitucional, estaria claramente justificado o argumento para a migração partidária. Abrir-se-ia, por exemplo, a janela de um mês para reajustamento das camadas parlamentares. Novo regime, novas disposições. A janela constaria das medidas transitórias.

Ciro Gomes

Depois de rodar boa quilometragem no espaço das especulações, deverá sobrar para Ciro Tiroteio Gomes a coordenação da Zona de Exportação (ZPE) do porto de Pecém, no Ceará. Estado governado pelo irmão Cid Gomes.

Papel tem pernas

O cidadão chega à repartição e pede para ver seu processo. Ouve :

- "Ah, tem muitos outros na frente. Vai demorar um tempão até ser despachado. Papel, doutor, não tem pernas".

Agastado, o interlocutor reage :

- "E quanto o senhor quer para por duas pernas nesse papel ?"

Tiro e queda. O adjutório fez o papel correr rapidinho.

Movimentos sociais

Os Movimentos Sociais e as Centrais Sindicais estão meio desconfiados da presidente Dilma. Que não tem feito, pelo menos até o presente, encenações demagógicas para atrair a simpatia dos movimentos. A presidente tem sido recatada. Não posou com boné do MST, não fez mesuras para as Centrais, e tem tratado de maneira litúrgica as pressões e demandas de setores organizados. Vamos ver se os Movimentos, tão acariciados por Lula, farão movimentações paredistas.

Marta e Pimentel

Marta, um ano, e José Pimentel, também um ano : esse foi o pacto assumido por Marta Suplicy e José Pimentel no rodízio da vice-presidência do Senado. Trata-se de uma inovação. O PT quer dar vez aos seus representantes na mesa do poder. Marta e Pimentel chegam com muita sede ao pote.

2º escalão

Eis alguns nomes e pleitos do PT : Claudio Vignatti (SC), derrotado ao Senado, disputa a presidência da Eletrosul; Zeca do PT (MS), candidato derrotado ao governo, quer ir para uma diretoria da Itaipu; Rodrigo Soares (PB), candidato a vice derrotado, deseja dirigir a SUDENE; Paulo Rocha (PA), candidato impugnado ao Senado, quer ir para a Eletronorte. Eis alguns nomes e pleitos do PMDB : Geddel Vieira Lima (BA), candidato derrotado ao governo, quer presidir a CHESF, mas também enxerga a BR Distribuidora ou a CBTU; José Maranhão (PB), derrotado ao governo, pode ir para a vice-presidência de loterias da CEF : Orlando Pessuti (PR), ex-governador, gostaria de ir para uma diretoria de Itaipu; Rocha Loures (PR), ex-deputado e candidato derrotado ao cargo de vice-governador, ainda não tem destino.

Prioridades da CNI

A Confederação Nacional da Indústria quer liderar duas frentes : projeto que concede autonomia financeira para as Agências Reguladoras e projeto para Regulamentação do Trabalho Terceirizado.

Fidelidade partidária

Guararé era cabo eleitoral do governador do Maranhão, Sebastião Archer. Convenção do PSD, alguém acusou Guararé de puxa-saco. Guararé puxa o argumento :

- Cada um puxa quem pode. Eu puxo o senhor, governador Archer. O senhor já puxa o senador Vitorino Freire. E o senhor puxa o general Dutra. É a lei da fidelidade partidária.

Tucanos se bicam

Sérgio Guerra se lançou candidato à presidência do PSDB. Mas José Serra quer o mesmo cargo. Porque precisa de visibilidade para se manter na cena política. Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, garante que se Serra desejar, terá seu apoio. Mas os alckmistas não fecham essa corrente. A briga dos tucanos é de quebrar o bico. Aécio Neves, o senador todo poderoso dos tucanos, não quer ver Serra dirigindo o partido. Nem Tasso Jereissati. Ou seja, Serra vai ter de rebolar para subir o serrote do poder.

E Lula, hein ?

Vi uma foto de Lula no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo, onde liderou assembleias de metalúrgicos nos anos 70. Desta feita, Lula assistia à partida entre Corinthians e São Bernardo. O fato é este : na foto, Lula dava uma entrevista. Usando a gesticulação de comício. Mão direita bem ao alto, mão esquerda segurando dois microfones, boné sobre a cabeça e boca muito aberta, na expressão de um grito palanqueiro. Dizia ele, sincero :

- Tenho de desencarnar da presidência.

E tem mesmo. Lula continua circunscrito à ideia do poder central e absoluto.

Conselho aos novos congressistas

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos novos dirigentes. Hoje, volta sua atenção aos novos congressistas :

1. Procurem enxergar as asas do tempo. Que voam rápidas. Vejam que caminhos seguem. Que ares ocupam.

2. A dinâmica social no Brasil é intensa. Novas demandas, novas pressões, sentimentos inovados. Procurem auscultar a alma social.

3. As redes sociais estão multiplicando o estado de atenção no país. Lupas estão sendo focadas para o Parlamento. É hora de ajustar a cabeça para evitar cabeçadas. Pensem com a cabeça e arremetam com o coração. Evitem a síndrome do touro : que faz exatamente o contrário.

____________