domingo, 11 de abril de 2021

COLUNAS

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Porandubas nº 389

quarta-feira, 12 de março de 2014

Pelo correio, não !

Abro a coluna com uma historinha do alto sertão da PB.

A campanha de 1994 mobilizava todos os políticos. Contra o PMDB velho de guerra, Lúcia Braga, pelo PDT, para governadora. Naquele final de semana, as principais lideranças do partido estavam em Cajazeiras : Antonio Mariz (que ganhou a campanha), José Maranhão, Humberto Lucena e Ronaldo Cunha Lima se movimentavam para definir a eleição a partir no Sertão. Estavam todos na casa de um velho líder político em Cajazeiras, quando chegou um antigo correligionário de Humberto, que lhe fez um relato dramático. Dizia que sua esposa se encontrava operada no Hospital Edson Ramalho, em João Pessoa, e ele não tinha sequer o dinheiro da passagem. Humberto, sensibilizado com a situação, decidiu ajudar. Tirou do bolso uma nota de um R$ 1 e deu ao rapaz. Quando viu o dinheiro, o rapaz balbuciou :

- Senador, eu quero ir pelo menos de ônibus. Pelo correio, não !

A campanha começou

A foto da presidente Dilma com Lula, dando-se as mãos em torno de uma mesa no Palácio da Alvorada, inaugura oficialmente a campanha. Que, segundo o calendário eleitoral, deve ir às ruas apenas em 6/7. Mas, como sabemos, no Brasil, tudo pode ser feito, inclusive o que é proibido. Na foto, o time que vai comandar o pleito, tendo a frente o marqueteiro João Santana e o jornalista Franklin Martins, este designado comandante da comunicação nas redes sociais. O ministro Mercadante, propositalmente, foi escondido pelo fotógrafo. Ficaria feio o chefe da Casa Civil fazendo reunião de campanha.

O menestrel

Lula será o menestrel da campanha. Dará o tom geral. Correrá o país em trajetória própria. Quer duplicar a caravana, Dilma, de um lado, ele, de outro. Meta : fazer o maior número de governadores, 130 deputados Federais, e, ainda, a maior bancada de deputados estaduais. Com esse arsenal, o PT fará uma campanha para arrebentar a boca do balão em 2016 : o maior número de prefeitos e vereadores. À vista, o projeto de eleição de Lula, em 2018, com reeleição em 2022. O projeto do PT é grandioso : até 2030. Grana, dizem, existe. E muita. Daí o interesse em sufocar o PMDB. O PT quer que os partidos sejam todos médios. Só ele, gigantesco. A ele, o filé. Aos outros, o osso.

Barão de Itararé I

"O uísque é uma cachaça metida a besta".

"O que se leva desta vida é a vida que a gente leva".

"A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer".

"Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes".

"Dize-me com quem andas e eu te direi se vou contigo".

Campos azeda a língua

Eduardo Campos azedou a língua. Jamais havia se referido de maneira negativa à presidente Dilma. Agora, proclama : o país não aguenta quatro anos mais de Dilma. Ou seja, definiu o território. O leão, ele, a leoa, ela, estão com os espaços definidos. Lula, que é amigo de Eduardo Campos, deve se achar liberado para mandar brasa no verbo. Vamos esperar o que pode ocorrer. Os bilhões - uns 50 - injetados em PE, para alavancagem do Estado, vieram lá de cima. Lula e Dilma deverão dizer isso quando percorrerem as pernambucanas terras.

PMDB x PT

Se o PT tem 19 ministérios, quantos ministérios deveria ter o PMDB ? Pelos cálculos de analistas políticos, entre 12 e 15. Afinal, o partido tem a maior bancada de senadores, a maior bancada de deputados estaduais, as maiores bancadas de prefeitos e de vereadores. Só perde para a maior bancada de deputados Federais, que é do PT. Petistas podem dizer : mas o governo é do PT. E o que é o tal presidencialismo de coalizão ? Brincadeira ? Ficção ? Rótulo para inglês zombar dele ? Ou será que o projeto hegemônico do PT despreza esse tal presidencialismo de coalizão ?

A Geni da República

O fato é que o PMDB, que age como uma confederação de partidos regionais, ganhou fama de fisiológico. Qualquer coisa que fizer acaba levando a pecha de partido que quer abocanhar fatias do poder. Veja-se a crise do momento. A questão é menos de espaço na Esplanada dos Ministérios e mais na frente das parcerias regionais. O PT só pensa em eleger o maior número de governadores. Não quer abrir espaços ao PMDB. Ora, os deputados, ante a percepção de que serão sufocados, agem em defesa de sua sobrevivência. Só em dois ou três Estados, o PT tende a apoiar candidatos do PMDB. E João Santana, de olho nas pesquisas, cochicha no ouvido da presidente : não dê trégua ao PMDB, mande brasa, o povão gosta disso, faça a faxina ética. Puro jogo de cena. Ou seja, o partido virou a Geni da República.

Barão de Itararé II

"A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda".

"Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância".

"Não é triste mudar de ideias, triste é não ter ideias para mudar".

"Mantenha a cabeça fria, se quiser ideias frescas".

"O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro".

Lata d'água na cabeça

A imagem da lata d'água na cabeça é bem nordestina. E ecoa os cantos da seca. Pois bem, a falta de água em SP poderá bater na cabeça de Geraldo Alckmin. Que teria deixado de investir em reservatórios. Que não priorizou o abastecimento de água. E que carece da boa vontade de São Pedro para que o sistema Cantareira possa sair dos seus atuais 15,8% de reservas para uns 25% a 30%. A massa tende a jogar no colo dos governantes parcelas de suas agruras e aflições.

Luz para ver a novela

Se faltar luz para que as galeras possam ver as novelas de sua predileção, nos horários nobres, é possível que o choque das tomadas chegue aos braços de dona Dilma Rousseff. Apagão dá rima em televisão. Temos, ainda, uma Copa do Mundo. Deus nos livre de falta de luz em estádios, em casos de jogos noturnos. Mas isso é especulação. Façamos uma oração a São Francisco. Com a ajuda do papa Francisco. Mesmo que ele venha a torcer por sua querida Argentina.

Poder público na berlinda

Todos conhecem a historinha : há quatro tipos de sociedade no mundo. A primeira é a inglesa, libertária, onde tudo é permitido, salvo o que for proibido ; a segunda é a alemã, autoritária, onde tudo é proibido, salvo o que for permitido ; a terceira é a fascista/nazista, ditatorial, onde tudo é proibido, mesmo o que for permitido ; e a quarta é a brasileira, onde tudo é permitido, mesmo o que for proibido. Ora, o próprio Poder Público é quem abre o terreno das proibições e das coisas erráticas. Veja este caso : há semanas, viu-se uma mancha no mar de Búzios, com ocorrência de intoxicação de pessoas. A balbúrdia se instalou. Sem laudos técnicos, sem comprovação, o poder público trombeteou : foram os transatlânticos que jogaram seu lixo no mar. E haja verbos duros contra os navios. TVs, jornais e revistas foram inundados de matérias sensacionalistas.

A imagem suja

É assim que a imagem de um setor entra, de repente, no buraco sujo. Pouco adianta dizer que os descartes de lixos de navios com a mais alta tecnologia e segurança são feitos em terra ; pouco adianta dizer que os produtos encontrados nas águas de Búzios não são usados pelos transatlânticos ; pouco adianta insistir : apurem o caso com responsabilidade. Autoridades municipais e estaduais abrem uma locução popularesca. Afinal de contas, estamos em ano eleitoral e políticos precisam de "bodes expiatórios". Na ausência de um, mandam balas nos navios. Até o momento, os laudos ainda não conclusivos mostram que a contaminação não foi provocada por lixo de navios de cruzeiros. Mas, quem vai limpar a tinta suja jogada sobre eles ? Por falta de argumento sólido, as autoridades ficam na moita. Escondem-se. Deram um fora e procuram, agora, o esconderijo do silêncio. Esse é o Brasil, onde até o Poder Público é iconoclasta, destruidor de imagens. Brasil dos velhos vícios. Brasil da demagogia !

Barão de Itararé III

"Genro é um homem casado com uma mulher, cuja mãe se mete em tudo".

"Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado".

"De onde menos se espera, daí é que não sai nada".

"Quem dá aos pobres ou empresta, adeus".

"Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos".

Biondi e Duda

Nelson Biondi vai cuidar do marketing televisivo de Geraldo Alckmin. Um profissional sério e experiente. Não é dado a espetacularização. Por isso, não se espere uma campanha agressiva. Duda Mendonça vai cuidar da campanha televisiva de Paulo Skaf. Trata-se de um ás do marketing político. Muito criativo. Ambos, Biondi e Duda, foram companheiros em célebres campanhas em SP, como a de Paulo Maluf. Uma boa dupla em campos opostos.

Eunício e Tasso

Não está fechada a hipótese de parceria entre PSDB, de Tasso Jereissatti, e PMDB, de Eunício Oliveira, no CE. Tasso poderá voltar ao Senado e Eunício deixar o Senado para ser governador.

PSB/Rede

Este consultor não tem dúvida : qual seja o resultado do pleito de outubro, quem ganhará de qualquer jeito é o PSB/Rede de Eduardo Campos e Marina. Perdendo, ele eleva seu nome no ranking da política nacional, abrindo caminhos para a luta de 2018. Já será conhecido. E Marina, com sua Rede consolidada, poderá, amanhã, firmar posição, sozinha ou ainda acompanhada de Campos.

Barão de Itararé IV

"O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente, se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro".

"Tudo seria fácil, se não fossem as dificuldades".

"A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana".

"Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato".

"Precisa-se de uma boa datilógrafa. Se for boa mesmo, não precisa ser datilógrafa".

"O fígado faz muito mal à bebida".

Conselho aos assessores e marqueteiros

Esta coluna dedica sua última nota a pequenos conselhos a políticos, governantes, membros dos Poderes e líderes nacionais. Na última coluna, o espaço foi destinado aos pré-candidatos. Hoje, dedica sua atenção aos assessores e marqueteiros.

1. Ocorre significativa mudança na feição social. As ruas estão movimentadas e as mobilizações se multiplicam na esteira da organicidade social mais intensa. Significa desejo de participação mais ativa de grupos e contingentes no processo político.

2. Mudanças nos sistemas de cognição/percepção dos eleitores sinalizam maior preocupação e atenção para os conteúdos e propostas. Promessas mirabolantes e firulas visuais de efeito pictórico não terão, nesta campanha, tanto impacto como os fura-filas do passado. Há de se ter cuidado com mirabolâncias.

3. Os eleitores querem sentir o candidato, apurar sua verdade, olho no olho, e avaliar se suas propostas são críveis e factíveis. Esse será um dos diferenciais nos pacotes mercadológicos desse ano.

Atualizado em: 12/3/2014 07:21

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