segunda-feira, 19 de abril de 2021

COLUNAS

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Porandubas nº 421

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

As galochas, padre, as galochas !

Abro a coluna com uma historinha das Minas Gerais. Cuidado. Usem galochas.

Um padre da paróquia de Caratinga procurou, um dia, o renomado médico, dr. Edmundo Lima. Queixava-se de um prosaico, mas renitente resfriado. O médico constatou, de pronto, não se tratar de resfriado. A coriza não era nasal. O padre insistiu alegando haver pisado no chão do banheiro com os pés descalços. O doutor Edmundo, experiente, já havia feito o diagnóstico : uma baita blenorragia. O médico sentiu o drama do sacerdote. Receitou os remédios da época para curar blenorragia, com um conselho :

- Olha, padre, quando o senhor for tomar banho não se esqueça de usar galochas. Elas são de borracha, garantidas, e não deixam passar a friagem que provoca essa coriza que lhe está atormentando. Padre, as galochas, viu ?

- Ah ! Já ia me esquecendo : é bom que o senhor bispo não fique sabendo desse resfriado. Padre, todo cuidado é pouco !

(Historinha do mineiro Zé Abelha).

Governo Dilma

A presidente Dilma estará entre a cruz e a caldeirinha nos próximos tempos. De um lado, será instigada a fazer reformas e a formar um Ministério asséptico e imune aos ataques sociais contra a velha política. De outro, será pressionada a oferecer comida ao apetite dos partidos, abrindo espaços. O ano de 2015 será duro. Cheio de ajustes. A tendência é que sua imagem caia com a desaprovação às medidas governamentais para melhorar os cofres do governo. A conferir.

Os solavancos da imagem

Tem sido assim. O mandatário eleito ou reeleito vive uma lua de mel até a posse. Quando a onça aparece para beber água, as coisas começam a se complicar. Aumentos de preços, reajustes, especulações, partidos insatisfeitos, líderes contrariados formam as nuvens do céu governamental. Vai explodir raio por todos os lados. A imagem da presidente entrará em descenso. O PT será colocado no poço do descrédito. E tentará voltar às origens, atendendo ao discurso de Lula. Vamos ver até onde isso vai dar.

Ministro da Fazenda

Cresce a ansiedade no mercado à espera da indicação do novo ministro da Fazenda para a vaga de Guido Mantega. Três nomes sobressaem : Henrique Meirelles, ex-presidente do BC no governo Lula ; Alexandre Tombini, atual presidente do banco e alinhado com a presidente Dilma. E Nélson Barbosa, ex-secretário executivo do ministério da Fazenda, que saiu após divergência com a equipe econômica. O empresariado torce por um economista ortodoxo para acalmar o mercado e promover a volta dos investimentos, encerrando este ciclo de desconfiança.

Mais lenha

Uma observação que tem condições de se realizar : os depoimentos dos delatores premiados (??) deverão adicionar mais lenha à fogueira. Por isso, é pouco provável que o quadro político de hoje se mantenha harmônico amanhã. Por exemplo, a eleição para presidentes do Senado e da Câmara hoje apresenta a cor azul, amanhã a cor pode ser vermelha para os atuais nomes - de um lado, o senador Renan Calheiros ; de outro, o deputado Eduardo Cunha. E se seus nomes aparecerem com ênfase na boca dos delatores ? Mesmo se apresentarem argumentos sólidos de defesa, permanecerá a dúvida levantada por eventual delação.

Os fundos

Garboso e exuberante, o candidato a prefeito de Jaguaribe/CE não economizou nas promessas. Prometeu construir maternidade, abrir poços artesianos, melhorar as estradas do interior do município, construir mais escolas. Mas não podia deixar de fazer o brinde final à demagogia. Tinha de prometer algo mais :

- Pois é, minhas conterrâneas e conterrâneos, se vocês tiverem em suas casas redes rasgadas, guardem os punhos. Pois quando eu for eleito, darei os fundos.

Pressão do Planalto

Pelo que se enxerga, o Palácio do Planalto não tem objeção ao nome do senador Renan Calheiros para presidir o Senado. Renan tem sido hábil na condução da Câmara Alta. Trata-se de um articulador que sabe agradar as correntes do Senado. Só mesmo uma bomba de alto teor explosivo poderia tirá-lo da jogada presidencial. Quanto ao deputado Eduardo Cunha, tudo vai depender do rolo compressor do Palácio. Quem é dono da flauta, dá o tom. Os palacianos estão com a régua e o compasso. Mas Cunha está conta com a insatisfação de grande parcela dos deputados. Vai ser uma dura queda de braço.

Alckmin pede água

O governador Geraldo Alckmin não é tonto. SP com sede pede água. E se a conta para ter água é gigantesca, que se procure quem tem cofre para bancar. Geraldo foi ao Planalto. Quer 3,5 bilhões para viabilizar a água nas torneiras. Dilma ouviu e quer razões técnicas. Se o governo Federal aprovar o recurso, poderá dizer : sem nossa ajuda, os paulistas ficariam com a boca seca. Um belo argumento para a campanha de 2016.

Serra, Anastasia, Aloysio, Aécio e Jereissatti

Aécio vai ser o chefe. Antônio Anastasia, o chefe da Casa Civil de Aécio. Aloysio Nunes será o ministro da Política. Tasso Jereissatti deverá ser o comandante da arena de guerra. E José Serra será o quê ? O primeiro ministro do sistema parlamentarista que os tucanos querem criar com esse tal de governo paralelo ? Pode ser. Serra não tem vocação para ser comandado. Quer comandar. E lutará para ocupar a posição de primeiro ministro, que dá as cartas no sistema. Vai ser uma luta engraçada na floresta dos tucanos plantada no Senado.

Reforma política

Este consultor tem apostado na hipótese de uma reforma política. Uma reforma que contemple questões pontuais. Não uma reforma por inteiro. Se não ocorrer, o Congresso, já desmoralizado, não terá condições de dialogar com a sociedade, que está quilômetros adiante.

Mudou de nome ?

Mariana, em MG, já foi chamada de Roma brasileira. Terra de fé e de velhas igrejas. E cheia de placas com nomes engraçados nas ruas :

- Cônego Amando

- Armando Pinto

Cônego Amando era conhecido pela verve. Um dia, viajando pelo interior do município, uma de suas acompanhantes caiu do cavalo. Rapidamente ficou em pé. Meio sem graça, perguntou ao Cônego :

- O senhor viu a minha agilidade ?

- Minha filha, respondeu, eu até que vi. O que eu não sabia é que tinha mudado de nome.

(Mais uma de Zé Abelha)

A renovação

A renovação de quase 50% dos representantes na Câmara não significa inovação política. Os novos conservam forte parentesco com os velhos políticos.

Eduardo Paes

O PMDB começa a mapear os seus nomes para abrir os horizontes presidenciais de 2018. O mais afoito pré-candidato desse empreendimento se chama Eduardo Paes, prefeito do RJ. Ele quer pegar carona nas Olimpíadas de 2016 no RJ. O problema : não tem a alma tão peemedebista.

Lula tem dúvidas

Se meio mundo tem dúvidas sobre a possibilidade de mudança de comportamento por parte da presidente Dilma, seu tutor, Lula da Silva, também tem. Dilma precisa dialogar mais, ser mais flexível, ouvir a área política, contemporizar, coisas comuns no dicionário lulista. E se ela se mantiver irredutível ? Esse é imbróglio que aflige o PT.

Cabral, onde está ?

Pezão, o governador do Rio, sorri de um canto a outro da boca. E Sérgio Cabral, o ex-governador, está por onde ? Alguém o viu ?

Regulamentação econômica

Este consultor não tem dúvidas. Virá projeto de regulamentação econômica da mídia. Para evitar monopólios e oligopólios, conforme reza nossa Constituição. O que significa evitar a propriedade cruzada dos meios : jornais, revistas, rádio e TV em um mesmo mercado. Urge incentivar a competitividade. Este consultor é contra os monopólios.

Chinaglia

Arlindo Chinaglia é o candidato mais forte do PT à presidência da Câmara. Conhece o riscado.

Vital

O senador Vital do Rego é um nome de peso. Um senador preparado, articulador, dialoga com todos os lados. E pode ser o nome do PMDB para o TCU. Reúne todas as condições.

Russomano

Celso Russomano, o deputado mais votado de SP, já anuncia sua candidatura à prefeito da capital em 2016. Mas deverá enfrentar problemas sérios de imagem. Vem chumbo grosso por aí.

Reforma tributária

Este consultor também enxerga formidáveis pressões dos exércitos estaduais e municipais sobre o Executivo e o Legislativo. O pires na mão sugere inevitável reforma tributária já em 2015.

Os Gomes

Diz-se que Cid Gomes, um político que tem costados quebrados na frente da imagem pública, não quer ser ministro e sim um representante do Brasil no BID. Para aprimorar seu inglês. E Ciro, o irmão, assumiria um Ministério. Ciro, a metralhadora ambulante, pode ser útil ao governo Dilma ? Ela que o diga.

Marta, a candidata do PT

Marta Suplicy lutará para se candidatar a prefeita de SP. Não conseguiu a empreitada em 2012, quando Lula impôs Haddad, puxando o tapete dela. Agora, saindo do Ministério de Dilma, já atirando contra o governo que a abrigava, habilita-se a fazer política municipal.

Aloysio, o melhor nome

Já se abrem os espaços de especulação de candidaturas a prefeito de SP em 2016. O PSDB abre o leque com Andrea Matarazzo, vereador, e Bruno Covas, eleito deputado Federal. Este consultor enxerga o senador Aloysio Nunes Ferreira como o melhor candidato. Hoje. Tem peso.

Skaf e Chalita

O PMDB também apresentará seu candidato a prefeito em 2016. Paulo Skaf poderia ser o nome. Tem garra e vontade. Mas o partido o vê com certa suspeição : a de ser autossuficiente, não vestindo a camisa da sigla. Se quiser ser candidato, carece refazer a relação com o partido. E há também Gabriel Chalita, que se afastou do partido para continuar a fazer incursões intelectuais. Este tem bom trânsito no partido, mas, segundo se sabe, quer dar um basta na política. O comando da solução se chama Michel Temer. Sem ele, não existe possibilidade. Para um ou outro.

Cruzeiros marítimos sob novo comando

Diante da necessidade de profissionalizar a gestão e contar com um presidente full time, a CLIA Abremar Brasil (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos) terá novo comando a partir de 1º/12. Marco Ferraz, que desde a década de 80 atua no setor de Turismo, foi escolhido para ocupar o cargo. Roberto Fusaro, atual presidente da CLIA Abremar Brasil, passa a presidir o Conselho da Associação. O executivo foi escolhido, segundo Fusaro, por sua grande experiência tanto no setor corporativo quanto no relacionamento com autoridades.

Mais uma de "mineirim"

Grande churrasco abrindo a campanha de Magalhães Pinto, no pátio do Centro Gaúcho, Pampulha, BH. Gabriel Procópio Loures, o Gabi, gerente da Caixa Econômica Estadual em Santos Dumont, pega o microfone para saudar o candidato :

- Minhas senhoras e meus senhores ! Como disse o grande filósofo francês, "Madame, Monsieur"...

Muitas palmas. E comentários gerais : "que homem culto, o homem sabe tudo".

Atualizado em: 12/11/2014 07:18

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