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Porandubas nº 101

quarta-feira, 20 de junho de 2007

 

MÍDIA SEM MÉDIA

A mídia desempenha papel importante para o desenlace do Renangate. Não fosse a denúncia do Jornal Nacional - escancarando as notas frias do "gado magro" do presidente do Senado - a esta altura estaria ele rindo e comemorando com os amigos a farsa. Nos últimos dias, a situação do senador complicou-se. Não tem mais condições de presidir o Senado. Já as condições para sobreviver ainda existem, mas são precárias. A cada dia que se passa, aumenta a quilometragem do calvário renancista. De pato manco - que já é - poderá o ex-todo poderoso guardião da Câmara Alta se transformar em boi no corredor do abatedouro.

E SIBÁ, HEIN ?

O senador Sibá Machado (PT-AC) não teve um voto para ocupar o Senado. É suplente da senadora Marina Silva, a ministra do Meio Ambiente. Comanda a farsa para inocentar o presidente do Senado. Não conseguiu, até o momento, um nome para substituir o relator Epitácio Cafeteira, que pediu licença no Conselho de Ética. Mas um senador como Sibá pouco se interessa em defender princípios éticos e morais. Parece mais um filhote da velha política. Não se tem mais senadores como antigamente.

LISTAS FECHADA E ABERTA

Pois é, a Reforma Política está empacada. Quem quer a lista fechada, com nomes pré-determinados, integra o grupo das cúpulas partidárias. Quem quer lista aberta pertence ao grupo que deseja a manutenção do status quo. Daí a força que ganha a tal lista totalflex, que serve a todos. Ora, por que não se parte para o voto distrital misto? Trata-se da modalidade que permite ao eleitor votar em um candidato do distrito ou num candidato em lista aberta, como é hoje. Para o voto distrital, cada partido escolhe um nome para determinado distrito. O distrito pode ser formado a partir de determinado número de eleitores, 150 mil, por exemplo. A vantagem clara: o eleitor escolherá com mais propriedade o candidato do distrito, dentre os que apresentarem as melhores propostas. No sistema aberto, o eleitor escolhe quem quiser. Mas o voto distrital exige mudança constitucional, portanto, uma PEC - Projeto de Emenda Constitucional.

FINANCIAMENTO

O financiamento público de campanha é mais apropriado para um sistema majoritário - do tipo voto distrital - quando os partidos fecham posição em torno de determinados candidatos. O financiamento privado, por seu lado, é mais condizente com a lista aberta. Agora, será uma zorra total se Suas Excelências aprovarem as duas modalidades - dinheiro público e dinheiro privado.

A CORRUPÇÃO SERÁ MENOR ?

Se o financiamento público for aprovado, a corrupção seria menor, defendem alguns analistas. Até pode ser. Mas ela continuará a solapar as instituições. O vírus da corrupção nasceu na Colonização e vem se propagando na lama do patrimonialismo, a mazela que joga a res pública nos cofres privados.

DA SÉRIE "NUNCA NA HISTÓRIA DESTE PAÍS"...

O presidente Luiz Inácio, a cada dia, colabora para banalizar o ditado: "o pau que nasce torto, não tem jeito, morre torto". Recebe cargas de críticas pelo messianismo discursivo, ou seja, as lorotas que espalha a torto e a direito. O presidente não dá bolas. Continua fazendo das suas. Acaba de dizer, mais uma vez, que a situação econômica do Brasil é a melhor "desde que a República foi proclamada". Passa por cima do tempo em que o Brasil crescia a taxas de 7% a 10%. Não se iludam. A história do Brasil foi, é, e será sempre verdadeira, quando descrita por Lula.

LEMBRANDO HITLER

Em "Minha Luta", a obra do ditador nazista, lê-se: "A capacidade de recepção das massas é muito limitada; sua compreensão é escassa. E têm elas grande facilidade para esquecer. Assim, a propaganda deve ser eficaz, limitando-se a poucos pontos, que devem ser apresentados em forma de gritos de combate, até que o último homem possa interpretar o significado de cada um... o êxito de um anúncio, comercial ou político, deve ser a persistência e a assiduidade com que é usado". Alguém pergunta: Lula leu isso ? Lula leu poucas obras, mas o livrinho de Hitler certamente freqüenta sua cabeceira.

O SENADOR DEMÓSTENES

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) começa a ocupar um lugar de destaque na pobre seara oposicionista. Sem agredir, sem bajular, sem maltratar os depoentes, o senador, ex-promotor público, comporta-se com independência no encurvado ambiente da Comissão de Ética do Senado. Vamos acompanhar a trajetória de Torres.

UM BAITA AUMENTO

Um aumento de até 139,75% é coisa para arrebentar a boca do balão. Pois esse é o teto que o governo aprovou para os salários de 21.463 cargos comissionados. A turma dos chamados DAS (Direção e Assessoramento Superior) até pode merecer o baita aumento, que deixará um pequeno buraco nos cofres da União: R$ 277 milhões, este ano, R$ 475,6 milhões, em 2008. Mas algo não combina: esse índice não está inflacionado ? Caindo a ficha: cerca de 80% da "galera" pertencem aos quadros do PT. Os comissionados pagam um tributo mensal ao partido, cuja caixa está meio esvaziada. Qualquer inferência é passível de acerto.

"O SENADO ESTÁ SANGRANDO"

Pois é, o senador Jarbas Vasconcelos, do mesmo PMDB de Renan, sai com esta: "O Senado está sangrando muito mais do que Renan". É possível. Menos, senador Jarbas, do que a sangria em cachoeira que os bois de Renan fizeram nos matadouros de Alagoas. Essa é a leitura objetiva que se extrai da profusão de notas emitidas por açougues de portas fechadas. Uma boiada quase todos os dias.

E OS TUCANOS, HEIN ?

Onde estão os tucanos ? Em que floresta se escondem ? Por que quase não falam sobre o Renangate ? Cadê Tasso Jereissati ? E o Senador Sérgio Guerra, de Pernambuco, tem mesmo condições para comandar o partido ? Por que não escolhem, logo, o guardião do Templo, o ex-presidente FHC para a presidência tucana ? Pensam também no nome de Luiz Paulo Velloso Lucas, ex-prefeito de Vitória, para comandar o PSDB ? A tucanada está mesmo perdida. Bota ordem nisso, governador José Serra.

NUVENS SOBRE O FUTURO

Não é que o professor Mangabeira Unger assumiu mesmo o Ministério do Futuro ? A Secretaria de Planejamento de Longo Prazo implantará o padrão americano de planejamento para o Núcleo de Assuntos Estratégicos e para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que é um dos órgãos inseridos no índice de excelência em matéria de credibilidade. A visão do professor começa a afastar técnicos do setor. O coronel Oswaldo Oliva Neto, chefe do Núcleo, pediu demissão. Vamos acompanhar a trajetória de Unger. E avaliar se o sotaque americano conduzirá o discurso do futuro.

14,4 BILHÕES SEM FISCALIZAÇÃO ?

A grana tem a altura de uma montanha: R$ 14,4 bilhões foram repassados pelo governo federal para municípios e entidades privadas, por meio de 39 mil convênios. Até aí tudo bem. A questão é que esses montanhosos recursos não foram fiscalizados. Ou seja, ninguém sabe, ninguém viu como e onde foram aplicados. Por trás da denúncia, está o Tribunal de Contas da União. E ainda querem saber como são os despenhadeiros da corrupção...

CHEQUE DUPLO E MANCO

O mesmo cheque utilizado em duas contas. Cheques altos, diga-se. Com datas diferentes. Uma farsa inominável. Mas a explicação veio logo: foi um erro. Ora, mas o erro não chegou aos bancos. Ficou apenas nas notas. O senador Renan Calheiros está no mato sem cachorro. Dizem: quem não tem cachorro, caça com gato. E quem não tem gato, caça com pato. É isso, por tabela chega-se à conclusão acima: o senador alagoano virou um pato ... manco, ou, como dizem os norte-americanos, Lame Duck, que designa políticos que perderam força. Pato manco não voa.

ENXERGANDO OUTRO NO COMANDO

Pois é, nos bastidores do Planalto há quem garanta que o presidente Luiz Inácio começa a aceitar a idéia de outro senador na presidência do Senado. O nome "do peito" seria o senador José Sarney, também do PMDB. Contra ele o fato de fazer dobradinha com Renan nas articulações políticas para efeito de nomeações.

ÁGUA NO FEIJÃO

Getúlio recebe o repórter no Palácio do Catete :

- "Presidente, para vencer na política, o que é necessário ?"

- Vargas: "Muita coisa. Por exemplo, boa memória. A política é como água no feijão. O que não presta flutua. O que é bom repousa no fundo".

Tirando a diferença histórica : quem é bom e quem não presta na política brasileira ? Quem flutua na água e quem está no fundo ? Um prêmio para quem acertar a resposta.

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Atualizado em: 20/6/2007 09:13

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