Terça-feira, 20 de agosto de 2019

ISSN 1983-392X

Avião cai, consultor sobe e psicanalista relaxa

Francisco Petros

Parece-me que para nós brasileiros, o 11 de setembro é às avessas. Pelos lados yankee, a Nação sofreu um inesperado ataque terrorista. Por aqui, o terrorismo parece grassar nas veias do Estado. Pouco importa as causas do acidente terrível que assistimos pela TV. Caso tenha sobrado, eventualmente, erro humano naquela cabine da aeronave terá sido exceção.

quarta-feira, 18 de julho de 2007


Avião cai, consultor sobe e psicanalista relaxa

Francisco Petros*

Parece-me que para nós brasileiros, o 11 de setembro é às avessas. Pelos lados yankee, a Nação sofreu um inesperado ataque terrorista. Por aqui, o terrorismo parece grassar nas veias do Estado.

Pouco importa as causas do acidente terrível a que assistimos pela TV. Caso tenha sobrado, eventualmente, erro humano naquela cabine da aeronave, terá sido exceção. Em terra e no ar, sobra incompetência do Estado na gestão da coisa pública.

Senhores e senhoras, passageiros cidadãos estamos diante de uma calamidade pública imensa e inesgotável!

A coisa vai mal, muito mal. Haverá uma série considerável de artigos sobre esta tragédia. Para este valente Migalhas, gostaria de reter duas menções "honrosas" neste momento. São menções catadas sem grande elaboração neste momento de dor, mas que dão uma dimensão inusitada a este acidente (?) aéreo. Gostaria de citar dois personagens do petismo mais luminar que poderia uma sociedade encontrar.

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O primeiro é José Dirceu. Vejam só : o ex-guerrilheiro fugitivo foi brindado pela Revista Joyce Pascowitch (julho 2007- número 10) com uma reportagem de quatro páginas. No texto parece que fica claro que o personagem é especial. Mora em Vinhedo, cidade circunvizinha de São Paulo, tem um blog no qual palpita e opina sobre os acontecimentos da República, da sociedade, do Estado, do Governo, etc. e tal. Diz a reportagem que vive de lupas na mão, revirando a imprensa e muito atento a necessidade de processar quem lhe ofende. Ora, ora... Por fim, nas linhas temos uma chance espetacular: descobrimos (será ?) que José Dirceu é "consultor". Vejam bem : o ex-guerrilheiro virou consultor! E de onde viriam as maiores consultorias de Dirceu ? Mais surpresa! Da área de aviação! Não poderia ser mais significativa esta informação. Onde há progresso, há consultoria, não é mesmo ? No seu blog teria afirmado que "o problema principal dos controladores de vôo é que querem parar o país e colocar a culpa no governo..." Obviamente, José Dirceu não vê "o caos aéreo" que ele atribui a uma "criação da imprensa". Consta, ao final da referida reportagem que "José Dirceu teria indicado Denise Abreu para uma das diretorias da ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil". De minha parte, não conheço esta senhora e nada posso dizer. De outro lado, todos nós conhecemos o trabalho da ANAC. Neste momento de luto, senhores e senhoras, nada melhor que saber das atividades de José Dirceu por uma revista de socialites. É perfeito para um esquerdista, recluso de Vinhedo, lugar onde sabidamente não cai avião. Cuidado para não encontrá-lo por estes dias "sorvendo vinhos cujo valor orna os cheques com coleções de zeros". Eis José Dirceu, o "consultor".

A outra pérola que gostaria de recordar nesta hora é a de Marta Suplicy. Sim, sim... Aquela senhora que diante do "caos aéreo" criado pela imprensa recomendou freudianamente que nós, distintos cidadãos, "relaxássemos e gozássemos". Acho até que a frase é junguinana, afinal provém uma esperança encontrada em muita pouca escala (sem trocadilhos) no colega Sigmund. Pois bem: como a Ministra do Turismo (vejam só!) poderia nos ilustrar aquele acontecimento nos arredores do aeroporto de Congonhas. Parece algo orgástico ? Parece algo relaxante ? Como disse acima, é possível que o acidente (?) tenha sido provocado pela mão do homem. Todavia, não gostaria de me esquivar em mostrar o que sai da boca desta senhora. Trata-se da máxima vanguarda turística-sexual-aérea que poderíamos encontrar. E que pode ser muito bem aproveitado pelo Brigadeiro Saito nas suas coletivas de imprensa para falar e elaborar idéias sobre o que acontece nos ares.

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Prezados leitores, prefiro não escrever mais nada. Este artigo não quer explicar nada. Apenas quer reproduzir aquilo que denominamos "verdades factuais" neste momento de choro. Fico pensando nos angustiados que correm aos aeroportos para viajar e nas famílias órfãs dos passageiros e dos que estavam naquele prédio. Que tristeza.

José Dirceu e Marta Suplicy estão aí para nos mostrar o quão dura é a realidade. Leiam!

Por fim, o acidente ocorreu (ironicamente) na avenida Washington Luís, no nome de Presidente da República, cujo lema era "Governar é abrir estradas". É melhor pegar uma estrada que um avião nestes tempos modernos de nosso querido país...

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*Economista




 







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