Sexta-feira, 20 de setembro de 2019

ISSN 1983-392X

Brasil: acreditar e investir (Parte I)

Luiz Flávio Gomes

Euforia coletiva. Há muito tempo não se via, coletivamente, um clima de tanta (e contagiante) euforia: Brasil 2014 (Copa do Mundo), Rio 2016 (Olimpíadas), Brasil 2020 (Pré-sal), participação reverenciada no G20 (Grupo de 20 países com destaque), baixo risco para investir no nosso país, recomendação do Brasil como país de alto grau de segurança para investimentos (Rating Baa3 dado pela Moody's), rápida saída da crise mundial (da “marolinha”, dir-se-ia), relevância do nosso país na mídia internacional, empréstimo de 10 bilhões de dólares ao FMI, nona potência econômica no mundo, grandes reservas de petróleo, fonte extraordinária de energias alternativas, metade da economia latino-americana etc.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009


Brasil: acreditar e investir (Parte I)

Apesar dos pesares

Luiz Flávio Gomes*

Euforia coletiva. Há muito tempo não se via, coletivamente, um clima de tanta (e contagiante) euforia: Brasil 2014 (Copa do Mundo), Rio 2016 (Olimpíadas), Brasil 2020 (Pré-sal), participação reverenciada no G20 (Grupo de 20 países com destaque), baixo risco para investir no nosso país, recomendação do Brasil como país de alto grau de segurança para investimentos (Rating Baa3 dado pela Moody's), rápida saída da crise mundial (da "marolinha", dir-se-ia), relevância do nosso país na mídia internacional, empréstimo de 10 bilhões de dólares ao FMI, nona potência econômica no mundo, grandes reservas de petróleo, fonte extraordinária de energias alternativas, metade da economia latino-americana etc.

O Brasil cansou de ser um país terceiromundista? Cansou de ser um país de segunda classe? (perguntou Joaquín Estefânia em El País de 5/10/09, p. 17).

A escolha do Brasil como sede dos jogos olímpicos (em 2016) deveu-se a vários fatores:

(a) qualidade do projeto que foi apresentado;

(b) posição geopolítica do Brasil (que estaria representando a América Latina) etc.

Mas o que pesou muito, claro, foi sua (atual) pujança (e positiva perspectiva) econômica. De acordo com vários analistas internacionais o Brasil estaria deixando a qualidade de terceiromundista para assumir a condição de país emergente.

O BRIC tem força: A força econômica, cultural, militar e informacional, nas últimas décadas, era ostentada (hegemonicamente) pelos EUA, Europa e Japão. Tudo o mais era (mais ou menos) periférico. A crise econômico-financeira de 2008 (crime imobiliária norte-americana que se espalhou pelo mundo todo) está sendo considerada um divisor de águas em favor das novas realidades emergentes, destacando-se o famoso bloco batizado como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), por Jim O’Oneill, do banco de investimentos Goldman Sachs. Uma prova contundente dessa movimentação pró emergentes é a seguinte: o anterior G8 (oito países mais ricos que procuravam gerir os destinos econômico-financeiros do mundo) está sendo substituído pelo G20, do qual fazem parte todos os países emergentes (destacando-se, claro, o BRIC).

E por que o BRIC (que inclui o Brasil) vem ganhando força internacional? Porque ele conta com quase metade da população mundial (que hoje, no total, gira em torno de 6,3 bilhões de pessoas). Outro detalhe importante (do ponto de vista econômico): são países com alta ou considerável taxa de natalidade. Há muita gente para comer, gente para comprar carro, comprar casa, consumir bens, gente para estudar, trabalhar etc. O BRIC, ademais, detém um quarto (1/4) do PIB mundial (de toda receita bruta mundial), 40% do planeta, 65% do crescimento dos últimos anos etc. O que ele está pretendendo? Novo regramento financeiro mundial, mais interferência no Conselho de Segurança da ONU, o fim do dólar como moeda de reserva mundial etc.

Exaltação lulista ("Eu te amo meu Brasil"): Lula, não faz tempo, disse: "Estamos cansados de ser um país emergente, de ser um país de segunda classe". Se o Presidente está imaginando o Brasil como um país já desenvolvido só nos restaria dizer que isso não passa de um excesso de euforia. É certo que alguns indicadores socioeconômicos melhoraram no Brasil (a pobreza se reduziu de 35% em 2001 para 24,1% em 2008, quatro milhões de brasileiros deixaram de ser pobres para assumirem a classe média, mais de 50% da população é classe "C" –média- etc.). Mas ainda estamos longe de ser um país desenvolvido.

Sem ufanismo (colocando a bola no chão): Devemos acreditar e investir no Brasil, mas ainda são muitos os nossos entraves terceiromundistas (nossas sombras): desigualdade social, pobreza, poluição, corrupção, impunidade, insegurança, morosidade da justiça, deplorável representação política, visão patrimonialista do administrador público, infraestrutura insuficiente etc. Quando comparamos o desempenho dos alunos brasileiros com os países desenvolvidos vemos o quando temos que fazer nessa área (da educação). Na saúde não é diferente (metade da população ainda não tem acesso a rede de esgoto). Mais de 6 milhões de brasileiros vivem em favelas. Ainda temos mais de 10 milhões de analfabetos etc.

Educação e infraestrutura: a prosperidade futura. A prosperidade futura do Brasil depende de muitos fatores. Dentre eles destacam-se, sem sombra de dúvida, a educação e a infraestrutura. Se o Brasil avançar apenas no capital físico, sem o capital humano, sua produtividade não vai deslanchar. Como bem sublinhou José Márcio Camargo (O Estado de S. Paulo de 24.08.09, p. B2): "O pouco que sabemos sobre desenvolvimento mostra que, sem investimento em educação, o acúmulo de capital físico gera ganhos de produtividade cada vez menores e, portanto, taxas de crescimento do produto cada vez menores".

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*Diretor Presidente da Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes







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