MIGALHAS DE PESO

  1. Home >
  2. De Peso >
  3. Migalhas de peso >
  4. Celebrando a PUC/SP

Celebrando a PUC/SP

Aos 80 anos, a PUC-SP revisita seu legado na defesa da democracia e dos direitos humanos e projeta seu papel diante dos desafios tecnológicos e sociais.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Atualizado em 21 de agosto de 2026 16:28

Neste dia 22 de agosto, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo completa 80 anos de fundação, com um legado inafastável na história brasileira e a perspectiva dos enfrentamentos que a realidade contemporânea impõe.

Além da produção acadêmica e da pesquisa em suas inúmeras faculdades e centros de referência, a PUC/SP constituiu um legado especial na resistência à ditadura militar e às tentativas de agressão ao Estado de Direito. De igual forma, na luta pelo respeito aos direitos humanos e à promoção do direito ao desenvolvimento, tornou-se espaço de reflexão na busca do diálogo e da militância pela paz: verdadeira Casa da Cidadania em São Paulo.

Esse agir histórico é com propósito transformador: decorre da própria natureza institucional da PUC/SP como autêntica universidade comunitária. Mantida pela Fundação São Paulo - pessoa jurídica de fins não econômicos, de vocação filantrópica e confessional, vinculada à Mitra Arquidiocesana de São Paulo -, a Universidade assume, em sua própria missão institucional, o compromisso com a liberdade de investigação, de ensino e de manifestação do pensamento, sempre em vista da realização de sua função social. É esse caráter comunitário - plural, permeável às demandas da sociedade civil e orientado ao interesse público, no espírito que viria a inspirar, décadas mais tarde, o marco legal das instituições comunitárias de educação superior (lei 12.881/13) - que explica por que a PUC/SP pôde, em momentos de exceção institucional, oferecer-se como abrigo à livre circulação de ideias, quando as próprias estruturas do Estado falharam nesse papel.

A Universidade Católica tem, no presente, o desafio de construir e difundir o conhecimento do futuro, em face da revolução tecnológica, das mudanças climáticas, da ameaça demográfica e dos atentados à democracia.

Nesse contexto, os impactos do uso da inteligência artificial constituem um vasto campo para o exercício da responsabilidade universitária. Promover o engajamento de estudantes e professores, pesquisadores e cientistas poderá fazer a diferença em escala civilizacional, zelando sempre pelo respeito à sua dignidade profissional.

Celebrar oitenta anos de história é, por isso, também um exercício de projeção.

A melhor forma de honrar, ainda mais, esse relevante legado é romper barreiras - físicas e simbólicas - que ainda distanciam a Universidade da sociedade que a constituiu e a legitima: abrir-se ao diálogo permanente com o poder público, com as organizações da sociedade civil e os movimentos sociais, com as periferias e com as novas gerações, investindo nos seus territórios, e colocar a produção acadêmica a serviço das urgências do tempo presente - verdadeira transição - , sem abrir mão do rigor científico nem do compromisso ético-humanista. Se, no passado, a PUC/SP foi Casa da Cidadania por resistir, no futuro seguirá sendo por antecipar: por transformar seus limites em pontes e sua tradição em bússola para os desafios apontados.

Rubens Naves

Rubens Naves

Advogado, ex-professor de Teoria Geral do Estado da PUC-SP, coordenador do livro Organizações Sociais - A construção do modelo (ed. Quartier Latin), sócio titular do escritório Rubens Naves Santos Jr. Advogados.

Guilherme Amorim Campos da Silva

Guilherme Amorim Campos da Silva

Sócio de Rubens Naves Santos Jr. Amorim Advogados; Doutor em Direito do Estado pela PUC/SP.