dr. Pintassilgo

Piracicaba

Foi no ciclo heróico das entradas e bandeiras que o rio Piracicaba começou a ser percorrido e devassado.

A primeira notícia que se tem a respeito, contudo, é a da tentativa de penetração

 que se verificou em 1693, com o pedido de uma sesmaria, feito por Pedro de Morais Cavalcanti. Dessa tentativa, porém, não resultou povoamento. Após a descoberta das minas de ouro de Cuiabá, em 1718, tratou-se de fazer uma estrada, de São Paulo àquela região, a fim de facilitar o transporte de gado e tropas e para evitar os perigos da navegação pelos rios Tietê, Paraná e outros. Essa estrada, construída em 1725 por Luís Pedroso de Barros, passava pela região que mais tarde veio a constituir a sede do município de Piracicaba, datando de então o povoamento.

Antes, o Salto de Piracicaba havia sido ligado a Itu. Em 1723, por ter aberto um “picadão” de Itu ao Salto do rio Piracicaba, obteve Felipe Cardoso uma sesmaria de terras que circundavam o Porto do rio, situado nas proximidades do salto, cerca de um quilômetro rio abaixo. Daí em diante começaram a se congregar em torno do Salto de Piracicaba muitos sertanejos, posseiros e possuidores de cartas de sesmaria.

A estrada de Cuiabá, contudo, não deu os resultados esperados, tendo sido por Carta Régia de 1730, votada ao abandono.

Em 1766, o Capitão-General D. Luis Antonio de Souza Botelho Mourão, Morgado de Mateus, encarregou Antônio Corrêa Barbosa de fundar uma povoação na foz do rio Piracicaba, no Tietê, a fim de facilitar o transporte de víveres e munições para as tropas da vila militar de Iguatemi, recém-instalada nas fronteiras do Paraguai e encarregada do policiamento e defesa das zonas divisórias do país. Mas a povoação se formou nas imediações do Salto do rio Piracicaba, à margem direita, 90 quilômetros distante da foz, por ser lugar mais apropriado, onde já estavam estabelecidos muitos sertanejos.

A fundação oficial se deu em 1º de agosto de 1767. Havia ordem expressa para que o povoador tratasse os moradores – “gente afamilhada” como eram denominados – “com toda a brandura e sem vexação”. É que, além dos aventureiros ali refugiados, havia outras pessoas que, tendo caído no desagrado de Capitães–mores, estabeleceram na região suas culturas, cujos produtos encontravam saída franca para Iguatemi.

Antes de findar o ano de 1770 já estava aberta a estrada até o Salto do Avanhandava, tendo sido os trabalhadores dirigidos por Antônio Corrêa Barbosa, que encontrava o traçado da antiga estrada. Teve a ajuda de Luíz Vaz de Toledo Piza, que mais tarde foi companheiro de Tiradentes e degredado para as costas da África.

Em 11 de dezembro de 1771, Corrêa Barbosa - o Povoador – era nomeado Capitão, enquanto o Sargento-mor Toledo Piza ia para o comando da colônia de Iguatemi. A 21 de junho de 1774, com a posse do seu primeiro pároco - padre João Manoel da Silva – a povoação foi elevada à categoria de Freguesia.

Um levantamento realizado pouco depois acusou para Piracicaba 231 moradores e 45 fogos (domicílios). Dos moradores, 63 eram crianças de menos de 7 anos, 38 eram de 7 a 15 anos e 130 tinham mais de 15 anos.

Em 1775, Martim Lopes Lobo Saldanha, no governo de São Paulo, relegou ao abandono a colônia de Iguatemi, fato que afetou a lavoura de Piracicaba, verdadeiro celeiro daquela colônia.

Deliberando transportar a povoação para a margem esquerda do rio, onde o terreno se mostrava mais favorável, por ser “alto, plano, e não distante das águas”, os moradores dirigiram ao Capital-General uma representação nesse sentido, em 6 de junho de 1784, e obtiveram a aquiescência do governador.

No dia 31 de julho realizou-se a mudança. E a 23 de maio tomou conta da Igreja o novo pároco, Frei Tomé de Jesus, religioso franciscano.

Em 1816 os moradores da freguesia reclamavam sua elevação à Vila, alegando que “tendo a felicidade de ocuparem o terreno mais fértil conhecido” de já existirem “levantados 18 engenhos de cana-de-açucar e mais 12 em disposição de se levantarem”, bem como “22 fazendas de criar”, mereciam Disciplina e Justiça, que não existiriam enquanto não fosse a Freguesia erigida em Vila, o que ocorreu a 31 de outubro de 1821, em vista do rápido e crescente progresso da Freguesia, que tomou a denominação de Vila Nova da Constituição, “em atenção e para perpetuar a memória da Constituição Portuguesa, promulgada nesse ano”. O ato da ereção verificou-se a 10 de agosto do ano seguinte. Três dias depois reuniam-se pela primeira vez os vereadores eleitos que em companhia do ouvidor de Itu, João de Medeiros Gomes, demarcaram o Rócio da Vila.

A partir de 1836, houve um importante período de expansão. Não havia lote de terra desocupado e predominavam as pequenas propriedades. Além da cultura do café, os campos eram cobertos pelas plantações de arroz, feijão e milho, de algodão e fumo, mais pastagens para criação de gado. Piracicaba era um respeitado centro abastecedor.

Pela lei provincial de 24 de abril de 1856, "Vila Nova da Constituição" foi elevada à categoria de cidade, ainda com o nome de "Constituição", que conservou até 19 de abril de 1877, quando, pela lei nº 21, da Assembléia Provincial, passou a ter o nome de Piracicaba, nome “antigo, popular e acertado”, como dizia petição da Câmara Municipal, por indicação do vereador Prudente de Moraes, mais tarde primeiro Presidente Civil da República.

Cabe aqui referir que os elementos de composição da palavra Piracicaba, de origem tupi-guarani, se referem a aspectos do Salto, à sua conformação ou efeito na fauna píscea, tão abundante e variada no rio. Seguindo a maioria dos filólogos, a expressão tem o significado de “lugar onde ajunta peixe” ou “lugar em que o peixe pára”.

Em fevereiro de 1887 foi iniciado o tráfego no ramal da Estrada de Ferro que ligou Piracicaba a Itu, para a construção do qual o município concorreu com 600 contos de réis.

A estrada de ferro, a navegação fluvial a vapor, a visão de alguns de seus moradores, as escolas criadas o trato da terra, os engenhos, a policultura agrícola, a introdução do trabalho livre e, como sua conseqüência, a formação de pequenas propriedades, tudo isso influiu sobremodo para que Piracicaba, ao inaugurar-se no século XX, pudesse iniciar um período de grande progresso.

  • Personagens

Prudente de Moraes

Estadista brasileiro, terceiro presidente do Brasil. Nasceu em Itu/SP, no dia 4 de abril de 1841, e morreu em Piracicaba no dia 3 de dezembro de 1902. Diplomou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo. Foi administrador da Cidade de Piracicaba, eleito deputado em 1866. Aderiu ao Movimento Republicano, pelo qual conseguiu eleger-se deputado em seguidas candidaturas. Foi convidado pelo Marechal Deodoro para Governador de São Paulo. Foi eleito no mesmo ano Senador de São Paulo; tornou-se vice-presidente do Senado em 1891. Finalmente em primeiro de março de 1894, foi eleito Presidente da República, tomando posse em 15 de novembro do mesmo ano; substituindo Floriano Peixoto. O País se encontrava tumultuado por dissinções políticas; a primeira preocupação do Presidente foi pacificar essa situação e conseguir equilibrar as finanças. Travam-se combates entre as forças do antigo governo com as da nova República. Prudente de Morais conseguiu apaziguar os ânimos; traça e realiza uma inteligente política econômica. Firmou definitivamente a República. Reatou as relações diplomáticas com Portugal. Cumprindo o seu período presidencial voltou a sua cidade, depois de haver realizado uma administração pródiga de realizações. E a questão entre brasileiros e ingleses por causa da Ilha da Trindade, findou-se com êxito para o Brasil. Seu nome completo é Prudente José de Morais Barros.

Luiz Vicente de Souza Queiroz

Ninguém doa nada que não lhe tenha sido dado para doar”. Filho de Vicente de Souza Queiroz e de Francisca de Paula Souza, sua prima. São avós paternos Genebra Pais de Barros Leite e o Brigadeiro Luiz Antônio de Souza, um dos maiores latifundiários do Estado de São Paulo. São avós maternos o Senador e Conselheiro do Império Francisco de Paula Souza e Mello e Maria de Barros Leite. A efeméride é registrada na capa da bíblia pertencente à família, que é profundamente religiosa. Quando jovem, cursara as Escolas de Agricultura de Grignon, na França, e a de Zurique, na Suíça Alemã. Por morte do Barão de Limeira, em 5 de setembro de 1872, coube a Luiz de Queiroz, entre outros bens, a Fazenda Engenho d’Água, localizada na então cidade de Constituição, hoje Piracicaba. Possuidor de uma bela cultura, adquirida graças aos seus aprimorados cursos na Europa, e às experiências que as viagens por cidades do continente europeu lhe proporcionaram, foi Luiz de Queiroz, depois de um ano, tomar posse de sua nova propriedade. Contava então 24 anos de idade. Em Piracicaba, instalou uma fábrica de tecidos aproveitando parte das águas do salto do rio Piracicaba como potencial hidráulico para mover suas máquinas. Na perseguição de seus sonhos, Luiz de Queiroz pediu ao Governo do Estado uma subvenção para a construção da sua escola, a qual foi negada. Em vista da recusa, pediu pelo menos que lhe fosse concedido frete gratuito para os materiais destinados à construção do estabelecimento. Recebeu nova recusa. Nessa mesma ocasião, a Câmara dos Deputados resolveu promulgar a Lei nº 26, em 11 de maio de 1892, pela qual ficava o Executivo autorizado a fundar uma Escola Superior de Agricultura e uma de Engenharia, e a estabelecer, nos lugares julgados apropriados, dez estações agronômicas com seus respectivos campos experimentais. Diante desse revoltante contraste, Luiz de Queiroz recorreu a um estratagema : resolveu doar ao governo sua querida Fazenda São João da Montanha com todas as benfeitorias existentes na ocasião, com a condição de que, dentro do longo prazo de dez anos, fosse concluída e inaugurada sua sonhada Escola. Pelo Decreto nº 130, de 17 de novembro de 1892, o então Presidente do Estado, Bernardino de Campos, aceitou a doação da fazenda com todas as suas benfeitorias, “para nela ser levada a efeito a idéia do estabelecimento de uma escola agrícola ou instituto para educação profissional dos que se dedicam à lavoura”.

Francisco Antônio de Almeida Morato

Nasceu em Piracicaba em 17 de outubro de 1868. Estudou Humanidades no Colégio Moretzsohn, prestando exames preparatórios no Curso Anexo da Faculdade de Direito de São Paulo, na qual matriculou-se em 1884, recebendo o grau de bacharel em 1888. Em sua terra natal exerceu a profissão de advogado, ocupando também os cargos de promotor público, vereador, inspetor escolar e provedor da Santa Casa de Misericórdia. Transferindo-se para São Paulo, foi um dos fundadores da Ordem dos Advogados de São Paulo, tendo sido eleito seu primeiro presidente, função que ocupou de 1916 a 1922 e de 1925 a 1927. Aprovado em concurso, foi nomeado professor substituto da sétima seção da Faculdade de Direito de São Paulo, em 1917. Em novembro de 1918, tomou posse da cadeira e recebeu o grau de doutor. Em outubro de 1922, assumiu a cátedra de Prática do Processo Civil e Comercial. Na órbita política, foi fundador do Partido Democrático, eleito deputado federal em 1927, tendo sido um dos organizadores da Frente Única de 1932, com destacado papel no Movimento Constitucionalista. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e presidente do Tribunal de Ética Profissional. Jubilado na cadeira de Direito Judiciário Civil, foi-lhe conferido o título de professor emérito. Após a Revolução, no período de 1932-1933 esteve exilado na França e em Portugal. No período de 1935 a 1938, foi diretor da Faculdade de Direito de São Paulo. Recusou a presidência do Estado, aceitando, porém, o cargo de secretário da Justiça e Negócios do Interior na interventoria Macedo Soares. Faleceu em 21 de maio de 1948.

José de Alcântara Machado de Oliveira

Nasceu em Piracicaba, no interior do Estado de São Paulo, a 19 de outubro de 1875 e faleceu na capital paulista em 1º de abril de 1941. Era filho do escritor e ensaísta Brasílio Machado. Membro da Academia Brasileira de Letras, foi eleito em 23 de abril de 1931 e empossado no dia 4 de outubro de 1933. Cursou a Faculdade de Direito de São Paulo da qual viria a ser professor de Medicina Legal. A advocacia e a política o absorveram desde os bancos acadêmicos. Escapou de ser exilado em 1932, em conseqüência da derrota da Evolução Constitucionalista, em outubro do referido ano. Foi vereador em São Paulo, onde militou nas fileiras do tradicional Partido Republicano Paulista, o mais poderoso do Estado. Integrou a Chapa Única, na qualidade de deputado federal, na eleição de 3 de maio de 1933, que convocou o Congresso Constituinte do qual resultaria a promulgação da Constituição de 16 de julho de 1934, de vida efêmera, revogada pelo golpe de Estado de 10 de novembro de 1937, que instituiu o denominado Estado Novo. Líder da bancada paulista na Câmara dos Deputados foi eleito senador, sem concluir, contudo, o mandato, em virtude da dissolução do Congresso na data acima referida. Em 1938 Alcântara Machado foi convidado para elaborar o anteprojeto do Código Criminal, tarefa que concluiu em março desse ano. O autor do trabalho manifestou de pronto seu desagrado pela revisão do texto que apresentara na qual ocorreram substituições de palavras e até mesmo inversão de frases. O Código Penal, uma vez concluído, foi decretado, com ligeiras modificações. No seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, onde ingressara em 1931, como substituto do acadêmico pernambucano Silva Ramos, introduziu Alcântara Machado a famosa declaração: "Paulista sou, há quatrocentos anos". A bibliografia de Alcântara Machado inclui as seguintes obras: "A embriaguez e a responsabilidade criminal", 1894. "O exame pericial no Direito Romano", 1930. "O Hipnotismo", 1985. "Vida e morte do bandeirante", 1929. "Brasílio Machado", 1938. "Projeto do Código Penal", 1938. Acrescentaria, ainda, o autor da "Vida e morte do bandeirante": "Sua obra reflete a conexão com Portugal e o seu lusitanismo com a ausência que se completa em sua obra, da natureza e do homem brasileiro".

Adhemar de Barros

Político populista, Adhemar de Barros exerceu grande influência no estado de São Paulo em meados do século XX. Adhemar Pereira de Barros nasceu em Piracicaba, em 22 de abril de 1901. Formado em medicina pela Universidade do Brasil em 1923, fez pós-graduação durante quatro anos na Universidade Popular de Berlim. De volta ao Brasil, trabalhou no Instituto Osvaldo Cruz, até 1932, quando se engajou nas fileiras da revolução constitucionalista. Com a derrota do movimento, asilou-se no Paraguai e na Argentina. Em 1934, elegeu-se deputado pelo Partido Republicano Paulista. Mais tarde fundou o Partido Republicano Progressista, que se transformaria no Partido Social Progressista (PSP). Interventor em São Paulo durante o Estado Novo, em 1947 elegeu-se governador, com o apoio dos comunistas. Candidatou-se em 1955 à presidência da república pelo PSP, mas foi derrotado. Elegeu-se em 1957 prefeito da capital paulista; no ano seguinte candidatou-se ao governo do estado e em 1960 novamente à presidência, sendo derrotado nas duas ocasiões. Foi eleito governador de São Paulo pela segunda vez em 1962, depois de haver apoiado no ano anterior o movimento em favor da investidura de João Goulart na presidência, após a renúncia de Jânio Quadros. Participou, entretanto, da conspiração que resultou no movimento militar de 31 de março de 1964, o que não impediu que fosse afastado do cargo pelo presidente Castelo Branco e tivesse os direitos políticos cassados por dez anos, sob a acusação de corrupção. Adhemar de Barros morreu em 17 de março de 1969 em Paris, onde passara a residir.

Cincinato César da Silva Braga

O brilhante parlamentar paulista, Cincinato César da Silva Braga, nasceu em Piracicaba, em 7 de julho de 1864. Fez os primeiros estudos em Descalvado e depois em Campinas. Formado em 1886 pela Faculdade de Direito de São Paulo, exerceu o cargo de promotor público na comarca de São Carlos, onde manteve também renomado escritório de advocacia. Ingressou na política, foi deputado estadual e deputado federal em sucessivas legislaturas. No governo de Arthur Bernardes exerceu a presidência do Banco do Brasil. Profundo conhecedor dos assuntos econômicos, seus pareceres sobre a matéria na Câmara Federal eram acolhidos com enorme interesse e publicados em páginas inteiras dos jornais. Lutou pela siderúrgica nacional pelos aperfeiçoamentos da pecuária, pela irrigação no Nordeste e pela implantação em larga escala de ferrovias e rodovias. Como seu nome tinha larga projeção dentro e fora do país, foi designado para a representação brasileira na Sociedade das Nações e na Conferência Internacional do Trabalho. Publicou dezenas de livros, de imensa substância nutritiva, escreveu um crítico, destacando-se: "Magnos problemas econômicos de São Paulo", "Intensificação Econômica do Brasil" e "O Brasil de Ontem, de Hoje e de Amanhã". Faleceu no Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1953.

Carta de Dr. Cincinato César da Silva Braga à Dona Maria Cecília Botelho Procópio Ferraz, para elucidar mais uma vez sobre o real fundador da cidade de São Carlos do Pinhal

"Rio de Janeiro, 9 de setembro de 1952

Prezada D. Maria Cecília Botelho Procópio Ferrraz,

Atenciosas saudações.

Em boa hora, há quase sessenta anos, escrevi a História de São Carlos do Pinhal. Este meu trabalho eu o fiz com todo o coração. Nessa abençoada Terra, passei a minha mocidade e aí, convivendo com os fundadores da Vila de São Carlos do Pinhal, pude dos mesmos e dos que assistiram ao memorável feito, ouvir detalhes da fundação da que é hoje uma das cidades orgulho de São Paulo. Posso, portanto, afirmar sem receio de contestação, que São Carlos do Pinhal foi fundada pelo então Tenente-Coronel Antonio Carlos de Arruda Botelho, mais tarde Conde do Pinhal, e seus irmãos. Ao escrever o meu trabalho ainda eram vivas as testemunhas da fundação, e todas elas, sem discrepância, concordaram e nem podia ser de outra forma, que meu relato era a expressão da verdade. Naturalmente o Conde do Pinhal e seus irmãos tiveram colaboradores entre os quais Jesuíno Soares de Arruda ( sobrenome este, Arruda, adotado de sua esposa), mas deles foi a iniciativa de converter em realidade a fundação da Vila. Isso, em 1894 eu disse e agora posso repetir, pois faço apenas justiça. Devo acentuar, para mostrar minha isenção de animo, que meu saudoso pai era membro do Partido Conservador e, portanto, adversário político do Tenente-Coronel Antonio Carlos de Arruda Botelho, Chefe do Partido Liberal. Mais tarde eu mesmo era do Partido Republicano Paulista, e o Conde do Pinhal conservou-se Monarquista até o seu falecimento. Si julgar útil, autorizo-a a fazer desta o uso que melhor julgar conveniente e, bem assim, a publicar em separata a História de São Carlos do Pinhal que escrevi em 1894. Fico ao seu dispor para outros esclarecimentos que desejar e, com toda consideração e estima, subscrevo-me seu patrício e admirador.

Cincinato César da Silva Braga

(Firma reconhecida no 10º Tabelionato de Notas - Aladino Neves a 9 de setembro de 1952, Rio de Janeiro)"

Sud Mennucci

Sud Mennucci nasceu em Piracicaba no dia 20 de Janeiro de 1892. Fez os estudos primários no Grupo Escolar Morais de Barros, ingressando na antiga Escola Complementar da cidade. Diplomou-se em 1908, aos 16 anos, professor primário. Dois anos depois, iniciou o magistério, como professor público nas cidades paulistas de Cravinhos, Piracicaba e Dourado. Entre 1913 e 1914, participou da Missão Paulista, que reorganizou a Escola de Aprendizes Marinheiros de Belém/PA. Fundou o Ginásio Paulistano de São Paulo (Capital). Entre outras atividades, chefiou o recenseamento escolar do Estado de São Paulo (1920); ocupou o cargo de Delegado Regional de Ensino em Campinas (SP), em 1920 e 1921; organizou e realizou o recenseamento escolar do antigo Distrito Federal (1927); foi nomeado diretor da Imprensa Oficial do Estado (1931). Depois de 1930, ocupou duas vezes o cargo de diretor do Departamento de Educação de São Paulo. Colaborou em jornais e revistas de São Paulo. Foi redator e crítico literário de O Estado de S. Paulo, de 1925 a 1931. Fundou o Jornal do Estado e a revista Arlequim. Dirigiu a Revista do Professor, órgão do Centro do Professorado Paulista. Fez parte da redação do Correio Paulistano, de 1941 a 1945. Colaborou nas revistas Fon-Fon e Careta, do Rio de Janeiro, e Vida Moderna e A Cigarra, de São Paulo. Foi membro da Academia Paulista de Letras, na cadeira nº 15. Em 1940, chefiou em São Paulo o recenseamento geral da República. Participou de vários congressos de Educação no País. Menucci faleceu no dia 23 de julho de 1948, na Capital.

José Ferraz de Almeida Júnior

Nasceu na comarca de Itu, a 8 de maio de 1850. Aos dezenove anos ingressou na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde foi aluno de Jules Le Chevrel, Victor Meirelles e Pedro Américo. Em 1876 recebeu bolsa de estudo do Imperador D. Pedro II e seguiu para a capital artística da Europa. Em Paris aprimorou-se no atelier de Alexandre Cabanel. Após dois anos de preparação matriculou-se na Ecole Nationale et Speciale des Beaux-Arts, onde foi aluno do próprio Cabanel e de Lequien Fils. Na Ecole estudou por três anos, aperfeiçoou-se tecnicamente e obteve prêmios nos concursos de anatomia e de desenho de ornamentos. Participou da mais valorizada exposição oficial de arte do período, o Salon Officiel des Artis-tes Français, durante quatro anos consecutivos (de 1879 a 1882), fato significativo levando-se em conta que era estrangeiro. Retornando ao Brasil, em 1882, recebeu sua primeira aprovação pública. A Academia Imperial adquiriu três das seis obras enviadas à Exposição Artística daquele ano, iniciando um período de grande prestígio e premiações. No ano seguinte instalou seu ateliê em São Paulo, na Rua da Glória, onde residiu até 13 de novembro de 1899, data em que foi vítima de crime passional. Morreu apunhalado defronte ao Hotel Central, em Piracicaba. Almeida Júnior legou à cultura brasileira cerca de trezentas obras, sendo sua maior contribuição à pintura regionalista (série de caipiras) que o singularizou face à época.

  • Locais históricos

Estação de Barão de Rezende

 

A estação foi inaugurada em novembro de 1913, dando origem ao bairro de Vila Resende. "Autorizada pelo Sr. Secretário da Agricultura do Estado de S. Paulo, a Sorocabana vai abrir ao tráfego público a estação 'Barão de Rezende', situada na Seção Ituana, kilometro 246, a contar de São Paulo, via Mayrink. Foram também aprovadas as tabelas de distância e de preços de passagens correspondentes à mesma estação" (*Revista Brazil Ferro-Carril, 30/11/1913). A sua construção foi anunciada em maio de 1912, juntamente com a construção do Matadouro Modelo de Piracicaba. Pela estação passava um ramal de bitola métrica, pertencente ao Engenho Central, para o transporte de cana e derivados, e que se estendia desde a sede do Engenho Central, a oeste da ponte ferroviária e na margem direita do rio Piracicaba, margeando a linha da Sorocabana a leste desta, passando pela estação e continuando paralela à linha principal até a estação de Chave (Montana), onde fazia uma curva para a direita, para terminar mais à frente em terras ainda do Engenho Central.


Houve duas grandes reformas no prédio: uma em 1938, a outra em 1952. A estação de Barão de Resende foi finalmente desativada em 1966, com o fim das operações do trecho Piracicaba - São Pedro. Infelizmente foi demolida e hoje não existem nem resquícios, nem fotos, do que um dia foi a estação.

Ela ficava exatamente na avenida Conceição, em frente à rua Conde do Pinhal. Depois de demolida, a Dedini, que havia adquirido o que foi um dia a Sucrerie, passou a utilizar o terreno da estação para operações.

Catedral de Santo Antônio



A atual Catedral de Santo Antonio é a quinta igreja a ocupar o mesmo terreno na Praça José Bonifácio. Em 17 de janeiro de 1939, a quarta Igreja Matriz construída no local e primeira Catedral, se incendiou por causa de um monte de palhas secas amontoadas numa tribuna. As paredes resistiram, mas o interior foi destruído. A Diocese de Piracicaba foi criada em 1944, com a igreja em ruínas.

Dois anos após, em 1946, as ruínas foram totalmente demolidas em empreitada por Paulo Pecorari, para a construção de uma igreja maior, que pudesse sediar a nova Diocese. Pecorari instalou a cúpula da torre na Capela de Santa Clara anexa ao Lar Franciscano de Menores e o relógio foi transferido para a torre da Igreja São Benedito. A nova Catedral foi projetada no estilo neo-românico pelo arquiteto Benedito Calixto de Jesus Neto. O início de suas obras ocorreu em 1946 com o engenheiro Antonio Habechian e como construtor responsável Antonio Borja Medina, auxiliado por Eugênio Nardin.

Em setembro de 1947, numa tentativa de fazer os fiéis acompanharem as obras e verem nela o fruto de suas doações, a Catedral passou a ser aberta para visitação aos domingos. A planta elaborada por Calixto era maior em 13 metros de largura que a antiga construção, causando problemas com respeito à aprovação das obras na Prefeitura, o que paralisou momentaneamente as obras. Depois da intervenção do Dr. Samuel de Castro Neves e do advogado João Batista Viziolli, o prefeito Bento Luiz Gonzaga Franco autorizou a aprovação da planta, em favor da Catedral. Em 28 de dezembro de 1950, ainda inacabada, a Catedral foi oficialmente inaugurada pelo Governador Ademar de Barros, nas comemorações do jubileu sacerdotal do Monsenhor Rosa.

Dada a importância que a obra adquirira para a cidade, oito anos após em 14 de março de 1958, o governador Jânio Quadros e o presidente Juscelino Kubitschek assistiram a bênção das torres, no entanto a obra somente foi concluída no final de 1961.


Colégio Sud Mennucci


O Colégio "Sud Mennucci" foi, antes, a Escola normal de Piracicaba. A planta arquitetônica do local foi assinada por Arthur Castagnoli. Em 1900, deu-se a formatura da primeira turma da Escola Complementar, que viria a ser a centenária "Sud Mennucci". A primeira turma de professores formou-se no dia 30 de novembro de 1900. Entre eles, Olívia Bianco, Carolina de Souza Costa, Anna Joaquim Bueno, Antonia de Azevedo, Eugênia da Silva, Ana Cândido Coutoi Domitila de Menezes, Avelina Ferreira da Cunha, Cândida Borges da Cunha, Maria Isabel da Silva, Joaquim da Silva Nunes, Joaquim Diniz, José Henrique de Menezes, José Martins de Toledo, e Querubim Sampaio. Houve ainda outros que cursaram até o último ano, mas que se formaram em São Paulo: Filinto de Brito, Dario Brasil, Dario Castanho, Adolfo Carvalho e Sebastião Fischer.




Museu Prudente de Moraes


Antiga residência que pertenceu ao Presidente Prudente José de Moraes Barros, onde atualmente funciona o Museu Histórico e Pedagógico, do qual é patrono. Em 9 de novembro de 1869, o Dr. Prudente, a adquiriu e nela viveu por 32 anos, de 1870 a 1902, até falecer. Neste período, além de ter sido a casa do primeiro presidente civil brasileiro, serviu para encontros políticos do período histórico da Proclamação da República. A sede do Museu Histórico e Pedagógico 'Prudente de Moraes' é uma construção típica das casas térreas urbanas da segunda metade do século XIX no Brasil. Anexo ao imóvel há um chalet onde o Dr. Prudente advogava. Anteriormente ao museu, a casa foi sede da antiga Faculdade de Odontologia 'Washington Luiz', em 1919, mudando de nome, em 1932, para 'Prudente de Moraes', e encerrando suas atividades em 1935. Em 1940, o imóvel passou à Prefeitura de Piracicaba. Fundado em 1956, o Museu Histórico e Pedagógico 'Prudente de Moraes' é um dos mais antigos do tipo em São Paulo, e reúne peças que pertenceram ao ex-presidente, retratando a época da formação da República, além de muitas outras peças de acervo que fornecem subsídios para compreensão da história de Piracicaba e do Brasil.


Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"


É a mais antiga Escola de Agronomia do País. Foi idealizada por Luiz Vicente de Souza Queiroz que, em 1895, doou ao Estado a fazenda São João da Montanha, para que ali a escola fosse construída. Em 1901, seu sonho foi realizado. O Parque Esalq foi projetado pelo paisagista belga Arsenio Putterman, ocupa uma área de 56 hectares e data de 1907. A ESALQ, estruturada inicialmente como estabelecimento de ensino médio, passou a ser escola de ensino superior em 1925. Com a fundação da Universidade de São Paulo em 1934 a ESALQ foi integrada à USP. Em 1945, o Edifício Central passou por uma grande reforma. O Parque da ESALQ continua, por quase 100 anos, sendo verdadeiro exemplo de projeto paisagístico.



Igreja de São Pedro de Monte Alegre



O alto índice de imigrantes italianos trabalhando na Usina Monte Alegre criou a necessidade da construção de uma igreja Católica para atender aos colonos. O Comendador Pedro Morganti, proprietário da usina, contratou o engenheiro italiano Antonio Ambrote, que residia em São Paulo, para construir o que seria a Capela de São Pedro de Monte Alegre. Morganti o mandou à Itália (provavelmente Siena, de onde veio para o Brasil) a fim de 'copiar' a igreja Matriz de lá.

Ambrote chegou a acompanhar as obras, mas faleceu em São Paulo, durante a construção. Luiz Bochetti foi o encarregado da obra, João Foter como chefe dos pedreiros, João Batista Zinsly Sobrinho como chefe dos carpinteiros e Renê Zangatti, responsável pelo acabamento externo e José Couto, responsável pela construção da escada. Os interiores foram pintados por Alfredo Volpi, a convite do Comendador Morganti e contou com a colaboração de pintores da Usina, Vergílio Silva e João de Campos (Ventura).

Rua do Porto


Era habitada por pescadores. Alguns ainda residem nas pequenas casas construídas próximas ao rio, contando histórias, relembrando o tempo das piracemas. Em algumas casas são vendidas iscas (minhocas) e varas para que os visitantes possam pescar no Piracicaba.





Casa do Povoador


Símbolo da cidade de Piracicaba, a chamada 'Casa do Povoador' foi construída em taipa de mão (pau a pique), e se configura como uma das últimas remanescentes da técnica, no perímetro do município, tendo resistido ao tempo graças às sólidas bases de pedra e estruturas de madeira.

Não existem registros que comprovem a data exata de sua construção, nem a propriedade do Capitão Antonio Corrêa Barbosa, visto que o mesmo morava na margem esquerda do Rio Piracicaba, onde fundou a Povoação de Piracicaba. Em 1945, a Prefeitura Municipal adquiriu o imóvel, considerado pelo Prefeito Pacheco e Chaves, como bem de utilidade Pública. Em 1967, nas comemorações dos 200 anos de Piracicaba, a 'Casa do Povoador' passou a ser reconhecida como símbolo da cidade. Finalmente, em 1969, foi tombada pelo CONDEPHAAT, como Monumento Histórico do Estado de São Paulo.




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O hino de Piracicaba, segundo depoimentos de contemporâneos de Newton de Mello e segundo ele próprio, foi composto em cinco minutos. Quem fez a primeira harmonização foi o maestro Carlos Brasiliense, a lápis, para completá-la depois. Mas Brasiliense morreu logo em seguida. Então, o maestro Danuzio Benencase fez os retoques que se tornaram definitivos. O hino “Piracicaba” foi criado em 9 de setembro de 1931. A primeira gravação foi feita por Ângelo Cobra, o Cobrinha, em LP, pela gravadora Columbia.

Hino de Piracicaba

Numa saudade que punge e mata

Que sorte ingrata! – longe daqui,

Em um suspiro triste e sem termo,

Vivo no ermo, dês que parti.

Piracicaba que eu adoro tanto,

Cheia de flores,

Cheia de encanto...

Ninguém compreende a grande dor que sente

O filho ausente a suspirar por ti!

Em outras plagas, que vale a sorte?

Prefiro a morte junto de ti.

Amo teus prados, os horizontes,

O céu e os montes que vejo aqui.

Piracicaba que eu adoro tanto,

Cheia de flores,

Cheia de encanto...

Ninguém compreende a grande dor que sente

O filho ausente a suspirar por ti!

Só vejo estranhos, meu berço amado,

Tendo a teu lado o que perdi...

Pouco se importam com teu encanto,

Que eu amo tanto, dês que nasci...

Piracicaba que eu adoro tanto,

Cheia de flores,

Cheia de encanto...

Ninguém compreende a grande dor que sente

O filho ausente a suspirar por ti!

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