Aos políticos

28/2/2005
Leandro Praxedes Ribeiro OAB/SP 195.790

"As primeiras condições de respeitabilidade de todo poder, de todo agente da autoridade, em qualquer país, são a sua competência e a sua honestidade". Rui Barbosa (Obras Completas de Rui Barbosa. V. 28, t. 1, 1901. p. 82)

Nós, brasileiros, teremos a eterna sina de nos envergonhar de nossos representantes políticos. Os tempos passam e, infelizmente, só o que vemos é o desdém, jogo de interesses pessoais, hipocrisia, ambição, corrupção, ganância, deslealdade, mentiras, conluios, traição e falta de humanidade por parte dos mendigos políticos, que em época de campanha até em morros e favelas entram, mas quando no poder estão, de mendigos, passam a excelência. Não se pode crer que, como num passe de mágica, todo o decoro, educação, princípios morais e Cristãos, como amar a Deus, ao próximo, a compaixão, humildade, dignidade, bom caráter, respeito e honestidade, se esvaiam por causa do simples poder de representação. Saibam, senhores políticos, que vocês são a vergonha da nossa nação! Saibam que aqui, no mundo dos mortais, vocês são motivos de chacotas, são exemplos do mau, exemplos daquilo que não queremos que sejam nossos filhos. Não importa o tanto de riqueza que vossas excelências acumulem, pois a maior riqueza vocês nunca terão, que é o respeito pela competência e honestidade, por parte daqueles que são obrigados a confiar, numa falsa democracia, onde o voto não é facultativo. Escravos do dinheiro, vossas excelências são capazes de quaisquer atitudes visando aumento de vossos patrimônios, numa ânsia louca de se gabarem uns aos outros, enquanto cá embaixo, as migalhas são o que restam ao povo. A morte ronda àqueles que vos enriquecem; sem saúde, habitação, trabalho e segurança, os justos morrem com vossos consentimentos e apoio, numa proporção direta com o descaso e ambição de vossas excelências. Lembrem-se, quando se deitarem em vossas camas, excelências, que no centro da cidade de São Paulo, moradores de rua morrem a pauladas, que nos hospitais, inúmeras pessoas estão agonizando em filas de espera por leitos e que outros tantos morrem por falta de atendimento médico, lembrem-se, ainda, que famílias estão à mercê da morte repentina por causa da violência, que as drogas estão corroendo o sossego da sociedade, que crianças, iguais aos vossos, são trabalhadores escravos, que mortes estão sendo encomendadas de dentro dos presídios, que por sinal, são mantidos com o dinheiro do povão e não de vossas excelências, decerto. O interesse partidário se sobrepõe ao interesse público, conchavos são articulados para afagar os superegos de vossas excelências e tramarem outra forma de enriquecimento amoral, como se, afora de vossos gabinetes e palácios, fossemos bois em pastos, prontos para o abate e ainda querem que sejamos patriotas. Vossas excelências lesa-pátria tenham em mente que se fugirdes da justiça dos homens, da Divina jamais esquivar-se-ão, pois a quem muito foi dado, muito será pedido (Lucas, XII: 47/48.), portanto, que não temas o homem, justifica-se, pois o dinheiro o compra, contudo, comprar a Deus não será possível. Sois vós representantes do povo, eleitos não por afeição, mas por obrigação, porém, devem o respeito àqueles que, mesmo obrigados, tiveram o trabalho de ouvir-lhes em promessas na fase da mendicância por votos e que, por fim, enfrentaram horas de filas para depositar a esperança forçada numa pessoa a qual nem mesmo se conhece. Sois vós os indicados a defender os interesses da nação, sois vós os confiados para a mudança da qualidade de vida do povo, sois vós aqueles que devem zelar pelos direitos e garantias da pessoa humana. Sejam honestos para com o povo, para com a vida, para com a espécie humana e com a natureza também. Sejam dignos de respeito. Cuidem daqueles a quem vós pedistes voto, como se de tua família fossem. Deite-se e durma em paz com tua consciência, sabendo que nos hospitais os enfermos são bem cuidados, que mendigos não existem mais, que as drogas e as armas não são mais causa de tanto mal às famílias, que o desemprego não é mais causa de violência e que por fim, a periferia também está feliz. Acreditem, o povo, ferrenho, bem o quererão novamente a representa-lo, e aí sim, vós sereis dignos de respeito pela competência e honestidade."

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