Banca 4/2/2011 Claudia Vieira - Representante Discente da Faculdade de Direito da USP "A Banca é acadêmica e não política. Após a publicação de dois textos perturbadores referindo-se a transparência e a honestidade dos concursos de ingresso na Faculdade de Direito da USP, tornou-se premente uma profunda análise crítica sobre esse tipo de concurso público. A função primordial de um concurso para ingresso na carreira docente deve ser a busca pela excelência acadêmica. Em complementação a isso, por se tratar de um cargo em uma Universidade Pública, devemos ter como linha mestre os princípios da administração pública. Posto isso, concerne a toda sociedade primar pelos melhores resultados. E qual é o atual cenário dos concursos na tão famosa Faculdade do Largo de São Francisco? Embora com toda a ressalva para não se utilizar de falsos e injustos generalismos, notamos que vícios nas bancas examinadoras têm sido algo recorrente nos últimos anos, podendo-se referir até as últimas décadas. Não podemos deixar de considerar que a São Francisco é, por natureza, além de uma faculdade, um espaço de construção e articulação política. No entanto, o que gravemente ocorre, é uma inversão de princípios. Em certos momentos, a valoração política de um candidato a professor ou a progressão na carreira de docente, supera seu valor didático e acadêmico. E é neste momento que a isenção da banca examinadora pode fazer total diferença. Como um espaço de formação humanística, não cabe à faculdade cercear ou restringir os mais diversos meios de atuação, dentre eles o político. No entanto, como instituição pública e que deve voltar seus resultados para benefício da sociedade, cabe sim à faculdade restringir, por meio de uma rigorosa fiscalização das bancas examinadoras e por meio da publicização dos eventuais fatos que possam ter como fim desvirtuar o real propósito do ensino público superior: garantir a formação de novos profissionais através de uma rede de ensino altamente qualificada. O propósito de uma banca examinadora em um concurso público é garantir a escolha do mais apto a exercer aquela função, respeitando a isonomia entre os candidatos e fundamentando sua escolha em critérios objetivos e avaliáveis. A não fundamentação ou a escolha aleatória tende a gerar conflitos e desconfianças, que só fazem abalar toda a sociedade. Por isso, nós, Representantes Discentes, mais do que nunca, acreditamos e defendemos a realização de concursos honestos e críticos, que visem contemplar o sucesso da sociedade e não apenas de pequenas e restritas alas sociais." Envie sua Migalha