Vita brevis

9/6/2005
Adauto Suannes

"Meus caros migalheiros. Lá dizem os hindus que o tempo é um ratinho que devagar vai corroendo tudo. Outro dia fiquei sabendo da partida do Maurício. Agora, é o Adoniran, meu querido veterano, que me deu a notícia de que eu havia ingressado na faculdade do largo de S. Francisco, lá onde a moça disse pra outra "com este eu não me arrisco". Aguardemos o próximo. Poetando, que é como se deve.

Vita brevis

 

Há uma idade pra tudo:

tempo de manga, de uva,

tempo de escola, de estudo,

tempo de sol e de chuva.

 

E a vida vai-se fazendo.

Vêm os amigos chegando,

e a eles vamos querendo,

e eles vão-nos amando.

 

Vêm os primeiros namoros,

- E a vida já cria vida –

Quando se nasce vêm choros

E choros vêm na partida.

 

Os filhos tornam-se gente

E gente põem neste mundo.

E crescem tão de repente:

coisa de hora ou segundo?

 

Sabemos nós do começo:

- Isso jamais foi mistério! –

chorávamos nós num berço

sem pensar no cemitério.

 

E as notícias vêm chegando:

sabe fulano? morreu.

Diz o cínico, zombando,

"antes ele do que eu".

 

Mas cada amigo que parte,

indo desta para o além,

leva consigo uma parte

dos que ficaram no aquém.

 

E de pedaço em pedaço,

vamos ficando menor,

até sobrar o bagaço,

que irá desta pra melhor."

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