Bronca

18/4/2011
Gabriella Sallit

"O atual culto ao dano moral tem feito com que as pessoas percam toda a capacidade de resolver seus problemas e frustrações, e passem a transferi-los ao Judiciário (Migalhas 2.611 - 15/4/11 - "Pra cima de "moi" ?" - clique aqui). Estamos criando um homem supersensível, inapto ao convívio social, que se ofende e se acua ao menor obstáculo que encontra no caminho. Fiquei preso na porta do banco: dano moral. O gerente não quis trocar o meu tênis: dano moral. Encontrei uma larvinha no meu chocolate: dano moral. Ninguém mais chuta a porta do banco, pendura uma faixa na rua falando mal da empresa que vendia a porcaria do tênis ou mastiga o bichinho, já que ele faz bem para as vistas. Somos muito delicados. O interessante é que toda esta fragilidade pode ser compensada por dois ou três mil reais. Todos os operadores do Direito têm obrigação de empenhar seus esforços para impedir esta 'idiotização' do ser humano que tem sido promovida pela Justiça do Consumidor: se nós, advogados, rejeitarmos estas causas, se os juízes não lhe derem provimento e os promotores ajuizarem ações coletivas que punam as empresas notoriamente infratoras das normas consumeristas sem que isso se reverta em verba que vai direto para o bolso do indivíduo (e o incentiva a deixar o nome ir indevidamente para o SPC, a torcer para que sua mala se extravie ou para que venha aquela cobrançazinha a mais na sua conta), isso vai acabar. Aí, o esquema passa a ser darwiniano: só os fortes, que conseguem resolver seus problemas sem chamar a mamãe, sobreviverão a esta selva de portas eletrônicas, cadastro de crédito e maus serviços. Adoro o informativo. Vocês estão de parabéns! Atenciosamente,"

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