Déficit orçamentário 18/8/2011 Aderbal Bacchi Bergo - magistrado aposentado "A respeito de déficits orçamentários, sou um estudioso do assunto. De tudo o que tenho lido de autoria dos 'experts' a respeito da crise de 2008 para cá, parece-me claro que, sem embargo do estelionato consistente nos 'sub primes podres' (que a Standard & Poors sempre recomendou como sendo Títulos confiáveis), atualmente a maior parte dos países que ostentam déficits orçamentários 'impagáveis' são os que 'deram o passo maior do que as pernas', para usar o linguajar da época em que eu era criança. Em outras palavras, gastaram mais do que arrecadaram. Qualquer um de nós se assim proceder 'vai para a tela', expressão popular para identificar a 'tela' dos computadores que mostram os 'preferidos do Serasa', serviço de proteção ao crédito. Quando a gente 'vai para a tela' e quer sair, a luta em duas frentes de batalha: cortar despesas (restaurante a toda hora, barzinhos idem, troca de carro, troca de celular, troca de aparelho de TV, troca de computador, roupas de grife aos montes, viagens, pagamento mensal de parcela mínima no cartão de crédito, saldo devedor no cheque especial) e, ao mesmo tempo, aumentar receita (conseguir um segundo emprego ou mais uma atividade que seja remunerada). É possível que depois de algum tempo saia-se da 'tela'. O que acontece nesses países é diferente somente nos detalhes. As despesas foram com benefícios concedidos sob a forma de empregos públicos, salários, saúde pública, previdência, enquanto que na arrecadação houve diminuição dos impostos para os mais ricos, o que continua como objetivo dos integrantes do 'tea party', por exemplo, facção de ultra-direita do Partido Republicana nos EUA. Lá, essa diminuição de impostos foi imposta por Bush, Presidente que também é responsável por 'dar o passo maior do que as pernas' em despesas com guerras. Foi no governo dele que aconteceu o estouro dos 'títulos hipotecários podres', época em que os beneficiários por financiamentos para compra de imóveis eram cassados a laço, mesmo sem qualquer renda, a fim de que se originassem mais Títulos para que os investidores auferissem a astronômica rentabilidade de cerca de 9% ao ano. Grandes bancos dos EUA, da zona do Euro e da Ásia tinham esses papéis em carteira. Os respectivos Tesouros foram obrigados a intervir para que não quebrassem. Esse foi mais um fator a agravar os déficits nesses países. Os bancos brasileiros não entraram nessa 'fria' somente porque aqui a Taxa Básica de Juro era muito maior. Os banqueiros não perderam com os 'sub primes', mas, o Brasil perdeu com o crescimento da dívida interna de R$ 600 bilhões para quase R$ 1 trilhão, consequência, principalmente, do déficit nominal originário da 'conta juros da dívida' e do superávit primário pífio em razão dos superfaturamentos de obras, mercadorias, serviços. Bem como dos demais escândalos que afloram 'nexxtepaízz' a todo instante, baseados em incontáveis modalidade de corrupção, como recentemente comprovado em emendas ao Orçamento da União organizadas pelos Parlamentares da Base do Governo lullista, para que o dinheiro público vá para as mãos de 'laranjas' que dirigem instituições com aparência de sérias. Estão assoberbados o TCU, o MP, a Justiça Federal e a Polícia Federal que o Executivo pretende politizar. Finalmente, esses países que 'deram o passo maior do que as pernas' não escaparão de severo ajuste fiscal e aumento de arrecadação com aumento de impostos enquanto não voltarem a crescer seus PIBs, sem que se desprezem opiniões abalizadas de Economistas que consideram imprescindível a transferência de recursos dos investidores para os Tesouros, via inflação. Dizem eles: défict público paga-se também com calote e inflação. Parece que a hipótese de calote já está descartada. Saudações," Envie sua Migalha