Mazelas judiciais 28/7/2005 Arnaldo Xavier Junior - advogado em São Paulo "Jovem vindo do interior, como muitos outros, obstinado pela vitória e decidido a vencer na vida; no início da década de 1990, ingressei na faculdade das ciências jurídicas e "sociais", envaidecido com as maravilhas do oficio jurídico, contudo, dada à tenra idade e por ser profundo desconhecedor da falência do "social" que se emprega ao nome do curso, insisti e cheguei ao final do curso, diplomando-me e conseguindo a sonhada Carteira da OAB. A partir daí, com carteira em punho e trabalhando em um escritório familiar, localizado na prestigiada região da Avenida Paulista - em São Paulo, comecei a ver o lado sombrio da advocacia, e mais ainda, daí começou o desencanto com as bases formadoras de opiniões a serem levadas a julgamento, e até mesmo com a forma ditatorial e pessoal dos julgamentos, ao mais horripilante descaso da lei, e cada vez mais crescente envaidecimento e empolgação de "garotos playboys" recém empossados na Magistratura e/ou Ministério Público, em alguns casos até por indicação e não por merecimento. E o mais triste é ter que culpar o sucumbimento socioeconômico do país por mais esta derrocada, desde a muito, de um dos Três Poderes do que um dia tivemos orgulho de chamar de "Pátria". No contexto mundial somos vistos com o país do "jeito no jeitinho", episódio que a nós operadores do direito leva o nome triste de solapamento pela CORRUPÇÃO. Criação gratuita da dificuldade para vender e encarecer a facilidade. O que mais se tem ouvido falar nos últimos meses é da Reforma do Judiciário, e com esta a aprovação e implantação do efeito Vinculante das Súmulas do STF. Lamenta-se estarmos num revés tão grande, ao ponto de mais esta medida ditatorial, autoritária e castradora de funções de um dos Três Poderes (Legislativo) se fazer necessária, mas infelizmente, tamanha é a disparidade de entendimentos dentro, às vezes, da mesma Unidade da Federação que, meio como limitação dos despautérios Judiciais, de Juizes e Membros do Ministério Público que não sabem julgar, ou julgam com sentimentalismos próprios, desrespeitando Leis Federais e, na maioria das vezes, envaidecidos pelos 5 minutos de fama frente aos holofotes, dão pareceres, pedem condenações e/ou condenam (Juízes) sem coragem de serem contra movimentos de cidadãos ignorantes que clamam por condenações por influência de medíocres apresentadores de programas "pasquins" de televisão. E nestes casos, quase sempre, "a lei às favas". É triste este inicio, para não dizer o fim da democracia tão sonhada. E por ser triste, é que me lanço no universo da literatura, por entender que neste ainda se respeita profissionais, com raras exceções de alguns que não merecem, ao contrário do que ocorre com o obstinado advogado, até mesmo os criminosos, sem dizer da Policia corrupta e criminosa em quase sua totalidade (escândalo nacional) o desrespeita, desprestigia e maldiz, de tal sorte que aquele antigo advogado de beca, em breve, a continuar assim, dará lugar aos policiais, promotores e juízes, não mais sendo necessários, como sempre o foram, na administração da justiça, pois como estes últimos não seguem mais a lei, mas sim seus desejos pessoais, ainda que sejam homens e desejosos, daí advogados não mais existirão e darão lugar a Senhores Bacharéis de bermudas, que terão vergonha de declararem em público serem advogados; ou quem sabe será melhor para nós voltarmos pro interior para plantar roças?" Envie sua Migalha