Crise no país

3/8/2005
Marcos José do Nascimento

"É perceptível, pela leitura das inúmeras cartas enviadas a jornais, assim como em alguns dos textos enviados pelos leitores de Migalhas que a imprensa, na sua grande maioria, não cumpre o papel que lhe cabe. Isso na razão direta das conclusões exaradas desses leitores, deixando entrever as fontes de onde se originaram os pontos de vista exarados. As informações são editadas e mesmo as pessoas que, presumivelmente, teriam maior capacidade de análise crítica deixam-se levar por versões encomendadas. Um exemplo mais claro disso foram as matérias encomendadas por Daniel Dantas, em que despontava ele numa posição que não condizia com os processos que vem respondendo aqui e no exterior (Caymann e Nova Iorque), em que há até ameaça de mandado de prisão. Pois bem, a matéria foi publicada, e tudo transparecia como no melhor dos mundos. Ao mesmo tempo, o seu nome já vem despontando nas investigações do legislativo federal, já se tendo notícia de emissário dele, Senador do PFL, ter ido intervir em favor do citado banqueiro, e esse mesmo senador, semanas antes, em aparte numa das sessões do Senado Federal, afirmou-se transparente, isento, que não conhecia de perto o banqueiro, somente tendo-o visto três ou quatro vezes, mas que mantinha laços de 20 anos de amizade com um dos diretores do banco Oportunity. Esses fatos, a maioria da imprensa não publica, à exceção da revista Carta Capital, cujo desconhecimento de sua existência é da grande maioria dos leitores das outras revistas semanais. Da mesma forma, o banqueiro teria mandado um recado-chantagem aos investigadores, ameaçando levar de roldão a república. Lembrando oportunamente, que o banqueiro em questão freqüentava os corredores do poder na gestão tucano-pelefista, sendo um agraciado da gestão anterior e que vem correndo risco de ser destituído do controle das empresas que hoje detém o controle, cuja a administração vem sendo questionada pelos grupos estrangeiros, interessados em defenestrá-lo, assim como as diretorias postas por ele, a fim de devassarem-se as contas dessas empresas, que indicam ser a fonte de muitos recursos que alimentaram as firmas de Marcos Valério ao longo do tempo, em especial no governo anterior, de tucanos e pefelistas, hoje tão probos e interessados em investigar, mas só a vida alheia, como bem indicou o ex-presidente FHC, o resto é história e, para ele, o que é história já prescreveu, mesmo não tendo nem havido ainda denúncia. Os fatos são esses, mas a nossa imprensa nativa, como bem costuma acentuar Mino Carta, faz um retumbante silêncio."

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