Crise

12/8/2005
Marcos José do Nascimento

"O Congresso, a par de aula de história, mostra-nos também diversos momentos de incongruência e contradição nos diversos comportamentos de diversos parlamentares. O exemplo mais recente e bem vivo vem da defesa de dois parlamentares em favor do Senador Eduardo Azeredo, ambos parlamentares estavam no papel que lhes cabia, porém, é o de observar-se que o Senador Arthur Virgílio, PSDB-AM, em tom inflamado, como próprio de seus momentos de empolgação, chegou a falar em defesa da democracia, nos diversos momentos da ditadura. Pausa. O Senador esqueceu-se que ele e seu partido congratulam-se hoje com o PFL, assim como foram governo durante oito anos, e que esse partido tem em seus quadros diversos cardeais do período do regime militar. O Senador esqueceu-se desse fato histórico. Logo a seguir, levanta-se o Senador Heráclito Fortes falando em ética. Pausa. O Senador esqueceu-se das palavras de baixo calão com que tratou um repórter em sua terra ao ser indagado sobre uma reportagem da Revista Carta Capital, em que ele foi nomeado integrante da tropa de choque do banqueiro Daniel Dantas. O Senador piauiense, a seguir, fala de Marcos Valério como laranja de alguém mais poderoso, sem citar nome, querendo fazer crer que o esquema montado pelo publicitário mineiro é de agora. Pausa. O publicitário é apontado como laranja do banqueiro do Opportunity, com quem o Senador do Piauí confessou, em sessão pública no Senado, ter laços de amizade de mais de 20 anos com um de seus diretores. Por que será que o nome do banqueiro Daniel Dantas é tão pouco citado pelo PSDB, ou nem é citado? Por que será que o PFL nem sequer se dá conta da existência do banqueiro do Opportunity? E por que será que a esmagadora maioria da imprensa não investiga esse fato? A única louvável exceção, até agora, tem sido a revista Carta Capital, muito antes desses escândalos de hoje, muito antes das manchetes rotineiras de quem se alimentado os noticiários."

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