Crise política

19/9/2005
Marcos José do Nascimento

"Não obstante não se deve corroborar com os ilícitos de qualquer ordem que sejam, a tão propalada crise que corre nos dias de hoje nada mais expõe do que uma parcela da realidade que sempre existiu em torno do poder central. Os que hoje assacam palavras de ordem moral, muitos dos quais que se querem fazer crer aos olhos da população como paladinos da honestidade, nada mais são do que grande beneficiários desse sistema que vige até hoje. Alguns desses beneficiários datam de longa época, desde os albores do movimento de 1964, que muito bem serviram ao regime naquela época instalado, tendo grandes lucros como sistemas de comunicações regionais, englobando televisão, rádio, jornal. Alguns outros tiveram grandes lucros no governo de Fernando Henrique, cujo montante de escândalos, em termos financeiros e numéricos até hoje não foi devidamente contabilizado, mas que se anuncia em níveis estratosféricos. E alguns desses atores no legislativo federal são tucanos por excelência, mostram-se probos, sem máculas, à semelhança do que querem fazer crer tenha sido o governo desses senhores, cuja grande eficiência foi saber muito bem abafar as investigações em qualquer âmbito que seja, Ministério Público Federal, Congresso, Polícia Federal e, muito em especial, na grande imprensa tradicional, que tem hoje nos seus veículos outros grandes paladinos da ordem e da ética, quando em verdade praticam um jornalismo servil aos interesses plantados em redações, em uma outra forma de censura hoje estabelecida. A grande lição para essa imprensa é a afirmação do jornalista Mino Carta, quando propugna pela busca da verdade factual, que não tem outra procura a não ser essa, longe dos acalorados debates filosóficos e transcendentais, mas tão somente na busca do que é fato, em lugar de distorcê-lo, quando muito bem se empenham hoje parcela da classe política e esmagadora parcela da imprensa nativa, na grande maioria de seus veículos de todas as espécies."

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