Adeus J. M. Pinheiro Neto

20/9/2005
Caio Leonardo Bessa Rodrigues - Assessor Casa Civil - Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República

"Elegia a J. M. Pinheiro Neto. Dr. Pinheiro fundou a advocacia empresarial no País. Introduziu aqui o modelo anglo-americano de grandes escritórios voltados para um Direito que não era aprendido nas faculdades: o direito empresarial, essa disciplina transversal a que somente hoje se dá a devida atenção acadêmica. A consciência dessa novidade fez com que 'a firma' não exigisse experiência para contratar: antes, treinava ela mesma seus quadros, até bem pouco formados por profissionais que em sua imensa maioria haviam entrado ali como estudantes, estagiários. Emprego para jovens carentes? Há décadas é regra ali. Emprego para maiores de quarenta anos? Também ali se via. Responsabilidade social? Ação Local Boa Vista e Associação Viva o Centro. Intercâmbio internacional? Tanto acadêmico como profissional. Defesa da categoria? Liderou o Centro de Estudos das Sociedades de Advogados desde seu princípio. Isto, para ficar em exemplos de que tomei parte diretamente, como beneficiário ou como seu representante. A lista de serviços prestados ou liderados por dr. Pinheiro ao estabelecimento de um paradigma de advocacia no País tem o tamanho daqueles que por ali passaram ou por ele foram servidos. Tenho a honra de ter sido um deles, por 17 anos, até novembro de 2002. Numa época em que não se falava em direitos da pessoa portadora de deficiência, manteve-me em seus quadros após um acidente a partir do qual passei a usar cadeira de rodas. Falar como integrante de Pinheiro Neto - Advogados permitiu que, ao longo do tempo, minha voz soasse mais forte nas lutas pelos direitos dessa população. Dr. Pinheiro encarnava a autoridade do método, do procedimento, do homem de Princípios, da rigidez inflexível, do humor ferino. 'Ostinato rigore': o motto de Da Vinci lhe caía bem - e o fazia imprimir naqueles que com ele trabalhavam. Mas se tratava de um Da Vinci à inglesa, Knight of the Britsh Empire: um Phileas Fogg do mundo jurídico, que fez a advocacia brasileira dar a volta ao mundo em oitenta e oito anos. E que, como seu arquétipo, ganhou a aposta que fez. 'Founding father', sim. Meu segundo pai, também. As mais sinceras homenagens e o mais profundo agradecimento, meu e de minha família."

Envie sua Migalha