Crucifixos crucificados 23/9/2005 Jefferson I. J. Scheer - Professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná "Muito certa a atitude do juiz gaúcho ao opor-se a que salas de audiência ostentem crucifixos (Migalhas quentes – "Juiz de Porto Alegre defende a retirada de crucifixos das salas de audiência" – clique aqui). Ora, o país é composto não só de cristãos. Como ficam judeus, muçulmanos, budistas, e demais membros de outras religiões, e os agnósticos e ateus? Será que eles têm que ser julgados sob 'a proteção de Cristo'? A organização da sociedade deve ser laica. Somente essa condição vai garantir a plena liberdade religiosa para todos indistintamente. Recentemente houve uma solene 'entronização' do cristo no plenário do Tribunal de Justiça do Paraná. Se olharmos atentamente, sofremos permanentes ataques de cunho religioso às liberdades civis. As diversas confissões exercem influências na edição de leis, nas tentativas de impor ensino religioso nas escolas, nos feriados etc. Que cada uma delas pregue, ensine e imponha a seus seguidores essas práticas, nada há de criticável, mas querer que todo um país se sujeite aos seus ditames é absurdo. No Brasil se debate muito pouco sobre laicidade. É antipático. Padres, pastores e outros que tais exercem forte influência no eleitorado. E as coisas continuam se afrouxando... Não foi o próprio Cristo que teria dito 'a César o que é de César e a Deus o que é de Deus'? A separação de Igreja e Estado deve se espelhar em todos os detalhes, inclusive fazendo desaparecer símbolos religiosos de prédios públicos." Envie sua Migalha