Desarmamento

26/9/2005
Ruy de Ávila Caetano Leal

"Pessoal, já começaram as manifestações de setores da sociedade organizada no sentido de defender ou não a comercialização de armas de fogo no país. De fato o assunto é muito importante e merece mesmo ser chancelado diretamente pelo povo, cabendo a cada um dar sua opinião de forma consciente. Mas independentemente do meu posicionamento sobre o assunto, proponho a todos a seguinte questão: o brasileiro está realmente apto a compreender o alcance da norma a ser referendada, ou está faltando informação e debate para que o assunto seja amadurecido? Até agora o que se tem visto é um verdadeiro chamamento da população às urnas, para garantir a suposta legitimidade desse processo. O TRE tem convocado a todos reiteradamente pela TV e pelo rádio, mas temo que todos cheguem na beirada da urna sem saber em que votam. Tudo bem, a pergunta é simples, 'o comércio de armas de fogo deve ser proibido no Brasil?', mas o povo ainda não está esclarecido sobre que tipo de comércio está para ser proibido. Os policiais, por exemplo, poderão adquirir armas particulares? Ou dependerão do Estado (que não é tão organizado quanto os criminosos) para fornecer-lhes o armamento? Muitos policiais hoje trabalham com armas próprias para suprir a insuficiência de material proporcionada por um Estado falido, ou melhor, que investe mal seus recursos, favorece os poderosos, paga mesadas a deputados e superfatura contratos públicos! Talvez um ou outro estudante de direito ou profissional da área saberá responder, mas a maioria do povo não. Hoje um garoto de 18 anos consegue concluir o ensino médio sabendo pouco mais do que escrever seu próprio nome. Esse tipo de questão não tem sido esclarecida para a população, de forma que a legitimidade do referendo pode ser prejudicada por falta de informação. Alguns já me disseram que essa fase da propaganda chegará, mas temo que chegue tarde, e todos votem sem saber em quê! Seria uma ótima oportunidade para que o Governo se vangloriasse por ser 'democrático', valendo-se de um referendo que poderia ser muito mais legítimo do que certamente será. Esse pode ser um passo no combate à violência, mas também pode servir para que nossas autoridades lavem as mãos e não tomem atitudes valiosas no combate ao tráfico de armas (uma vez que fuzis, granadas e metralhadoras não são vendidos nas tradicionais casas de armas), na busca do pleno emprego, na valorização da educação etc. Vamos pensar bem nisso! É mais importante do que votar sim ou não!"

Envie sua Migalha