Desarmamento

5/10/2005
Fernando Fainzilber - acadêmico de Direito, praticante de tiro prático e proprietário de uma arma de fogo

"Prezados migalheiros, após tudo o que foi exposto e discutido acerca do tema, resta necessário atentarmos para alguns fatos: I) a proibição da comercialização de armas e munições servirá, no máximo, para evitar os acidentes domésticos envolvendo armas de fogo, bem como aqueles disparos efetuados por briguentos embriagados em bares (aliás, diga-se de passagem, quem quer matar alguém em um bar não necessita de arma de fogo, bastando uma simples caneta BIC ou uma garrafa quebrada para alcançar tal resultado). Contudo, esses dois fatores representam apenas 3%, sendo que os demais 97% representam violência urbana propriamente dita (estatística feita pela Polícia Civil). Não se sentiriam os criminosos muito mais tranqüilos para assaltar e estuprar, sabendo que sua vítima não estará armada? Pois bem, notem a absurdez do que se propõe, uma vez que, para solucionar apenas 3% dos casos de morte por armas de fogo, assumiremos o risco de aumentar exponencialmente a incidência de todos os outros delitos que compõe o rol do que se chama de 'violência urbana'. O que diremos ao criminoso que entra em nossa casa? Acaso diremos 'por favor, seja bem vindo, pegue o que quiser e volte sempre'? Ou ainda 'Estas são minha esposa e filha, por favor, sirva-se'? II) O cidadão de bem, para adquirir sua arma de fogo e obter seu porte, terá de preencher inúmeros requisitos e pagar pesadas taxas, sendo a L. 10.826/03 mecanismo efetivo para o controle do porte de armas legais no país, sendo assim desnecessária a proibição. III) O Poder Público não tem condições de garantir a segurança da população e, no entanto, pretende-se desarmá-la e deixá-la à mercê dos criminosos. IV) Se o desarmamento fosse tão positivo, porque a L. 10.826/03 prevê a possibilidade de que os membros do Legislativo portem armas (aliás, notem o absurdo, pois os membros do Legislativo poderão portar armas sem preencher requisito técnico algum, bastando serem eleitos!). V) A idéia de que o desarmamento será a solução para a violência urbana é absurda e falaciosa, pois apenas serão desarmados os cidadãos de bem, restando armados (e bem armados) os criminosos. Termino senhores, colocando que é necessária a efetiva fiscalização e controle da comercialização de armas de fogo e seu porte, porém sua proibição é absurdo que não se pode admitir. Antes de desarmar o cidadão, deverá ser desarmado o ladrão, o que parece estar muito longe de acontecer. Sugiro aos defensores do desarmamento que coloquem em suas portas cartazes com os seguintes dizeres: nesta casa não há armas, Estamos desprotegidos e sem condições de reagir. Parece-lhes ridícula a idéia? Pois bem, é exatamente isso o que representa o desarmamento. Sejamos conscientes."

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